Agronegócio / Crédito
Pequenos produtores recebem 56% dos recursos do FCO Rural em MS
Banco do Brasil liberou R$ 438 milhões ao segmento no primeiro semestre e prevê R$ 13,4 bilhões para financiar a safra 2026/2027 no Estado
17/07/2026
11:00
CGN
DA REDAÇÃO
Superintendente de Varejo do Banco do Brasil no Estado, Fernando Porto Flor ©Juliano Almeida
Mais da metade dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) destinados ao setor rural de Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2026 chegou a pequenos e miniprodutores. Dos R$ 780 milhões contratados no período, R$ 438 milhões, equivalentes a 56,2%, foram direcionados a esse público.
Os números foram apresentados pelo diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Alberto Martinhago Vieira, e pelo superintendente de Varejo da instituição em Mato Grosso do Sul, Fernando Porto Flor.
Segundo os representantes do banco, a distribuição demonstra que os financiamentos do fundo não estão restritos às grandes propriedades e continuam sendo utilizados para apoiar a agricultura familiar, a modernização das fazendas e a ampliação da capacidade produtiva.
“Dos R$ 780 milhões que liberamos de FCO Rural neste primeiro semestre, R$ 438 milhões foram para pequenos e miniprodutores rurais. É um dado que diverge da crítica de que os recursos ficam concentrados nos grandes produtores”, afirmou Alberto Martinhago Vieira.
O Banco do Brasil respondeu por 79,03% dos desembolsos realizados com recursos do FCO em Mato Grosso do Sul durante 2026.
A instituição também concentrou 61,2% das cartas-consulta aprovadas e 71% do volume financeiro autorizado pelo fundo no Estado. A carta-consulta é a etapa inicial em que o produtor apresenta o projeto e solicita o enquadramento para receber o financiamento.
Para Fernando Porto Flor, os resultados refletem a presença da instituição nas diferentes regiões produtoras de Mato Grosso do Sul.
“São números que demonstram nossa proximidade com o produtor rural e nosso papel no fortalecimento do agronegócio e da agricultura familiar sul-mato-grossenses”, declarou.
Além das operações do FCO, o banco disponibilizará R$ 13,4 bilhões para financiar a safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul.
Desse total, mais de R$ 1 bilhão será destinado aos pequenos e médios produtores, enquanto R$ 12,4 bilhões atenderão à agricultura empresarial.
Os recursos poderão financiar operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização. Também serão utilizados para a compra de máquinas, implantação de tecnologias, modernização de propriedades e fortalecimento da agricultura familiar.
“Queremos ampliar o apoio aos produtores de todos os portes, facilitando o acesso ao crédito, à tecnologia e às práticas sustentáveis que impulsionam a produtividade e o desenvolvimento no campo”, destacou Porto Flor.
Além do custeio tradicional das lavouras, o banco observa crescimento da procura por crédito destinado à infraestrutura das propriedades.
Entre os investimentos mais demandados estão a construção de armazéns, a instalação de sistemas de irrigação e a aquisição de máquinas e equipamentos capazes de elevar a produtividade e reduzir custos.
O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) permite financiar estruturas de armazenamento dentro das propriedades. A medida pode reduzir a dependência de depósitos terceirizados e dar ao produtor maior autonomia para escolher o momento da comercialização.
“Conforme o porte do produtor, a armazenagem faz uma diferença importante na margem final da safra. Também temos linhas para irrigação e para todo tipo de maquinário”, explicou Alberto Martinhago Vieira.
O banco ainda prepara uma nova linha de crédito com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A previsão é disponibilizar R$ 10 bilhões em âmbito nacional, com juros anuais de um dígito, para financiar máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas à inovação no campo.
A iniciativa surge em um momento de menor ritmo nas vendas de máquinas agrícolas, influenciado pelo custo elevado do crédito e pela cautela dos produtores diante do cenário econômico.
A agricultura de baixo carbono também integra as prioridades do Plano Safra. Programas como RenovAgro e EcoInvest financiam recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, irrigação e implantação de florestas comerciais.
Segundo Vieira, o banco ainda dispõe de R$ 2 bilhões para operações do EcoInvest neste semestre.
“São recursos destinados à recuperação de pastagens, recuperação de florestas e implantação de florestas econômicas. Existem metas de governo para recuperar áreas degradadas, e essas linhas ajudam o produtor a realizar os investimentos”, afirmou.
Mato Grosso do Sul já ocupa posição de destaque nacional na adoção de sistemas produtivos sustentáveis. O Estado possui aproximadamente 3,169 milhões de hectares com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), correspondentes a 18,2% de toda a área brasileira que utiliza a tecnologia.
O modelo combina diferentes atividades na mesma propriedade, permitindo recuperar o solo, diversificar a renda e reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
O Banco do Brasil informa possuir atualmente uma carteira de R$ 170 bilhões classificada como sustentável, incluindo financiamentos para plantio direto, agricultura familiar, irrigação e recuperação de áreas degradadas.
A ampliação dessas linhas poderá facilitar o acesso de produtores sul-mato-grossenses a equipamentos, infraestrutura e técnicas produtivas capazes de reduzir custos e tornar as propriedades mais resistentes às variações climáticas e econômicas.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Três investigados da Operação Gutenberg deixam a prisão e passam a cumprir medidas cautelares
Leia Mais
Justiça determina devolução de bens apreendidos de dois alvos da Cascalhos de Areia
Leia Mais
MS entra em alerta para ventos de até 80 km/h até domingo
Leia Mais
TCE-MS mantém licitação de R$ 18,9 milhões para limpeza em Três Lagoas
Municípios