Campo Grande (MS), Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

Ampla Visão

Sem conteúdo e narrativa candidato não encanta

Análise aborda desgaste eleitoral, ausência de novas lideranças, força da narrativa política, mudanças partidárias, apatia dos eleitores e os desafios das pré-candidaturas para 2026.

16/07/2026

20:00

MANOEL AFONSO

ESTADOS & MUNICÍPIOS: Apenas 8 estados têm menos municípios que Mato Grosso do Sul. Veja o quadro nacional em ordem decrescente: MG 853; SP 645; RS 497; BA 417; PR 399; SC 295; GO 246; PI 224; PB 223; MA 217; PE 184; CE 184; RN 167; PA 144; MT 142; TO 139; AL 102; RJ 92; MS 79; ES 78; SE 75; AM 62; RO 52; AC 22; AM 16; RO 15.

FADIGA: Lula tem rejeição de 50% e Flavio Bolsonaro aparece com 57%. Os números são do levantamento recente do Genial/Quaest, mostrando ainda um cenário inédito: 48% aprovam seu governo e 47% classificam sua gestão como ruim. Sinais de insatisfação, desconfiança e falta de entusiasmo. Estamos no mato sem cachorro.

LULA LÁ: Ele está no cenário político desde os anos 1980; participou de 7 das 9 eleições ao Planalto desde a redemocratização, em 1989. As exceções: em 2010 e 2014 ao eleger Dilma; em 2018 estava preso e foi barrado pelo TSE. Lula é terceiro governante com mais tempo no poder. Só perde para Dom Pedro 2º (49 anos) e Getúlio Vargas (18 anos).

OBSTÁCULOS: Flavio Bolsonaro terá mesmo musculatura para superar os desafios que se apresentam? Nem entre os eleitores de centro, menos apegados ao bolsonarismo acreditam na hipótese. O racha entre os membros da ‘família’, somado a outros fatos notórios criam um clima de ceticismo entre os ex-eleitores de seu pai. Como diz Caiado: “liderança não se herda”.

NARRATIVA: Sem ela a candidatura não avança. Ela, tem a capacidade de converter propostas numa ligação emocional com o eleitor. É a narrativa que produz uma certa identificação e transmite a boa imagem junto a opinião pública. Para uma narrativa convincente, o candidato precisa ter biografia, uma história de vida que convença. Sem isso...

MAS QUEM? A opinião é unânime; o país não tem produzido lideranças de peso com envergadura compatível as necessidades. A vitrine da política, há muitos anos, vem espantando aqueles cidadãos de perfil convincente, ideal. Daí que continuamos neste marasmo, sem chances por uma opção clara, segura. Que Deus nos proteja!

IGUAIS: Joseph Fouché - símbolo de ‘adaptabilidade’, Ministro de Napoleão, mudava de lado de acordo com o vento; serviu à Revolução, ao Império e à Restauração. Sem grupo, a senadora Soraya Thronicke, eleita pelo PSL na onda bolsonarista, se ‘reinventou’ passando pelo União Brasil, e Podemos. Agora no PSB flerta com o PT. O que o eleitor pensa disso?

A PROPÓSITO: No saguão da Assembleia ouço opiniões sobre Fabio Trad como pré-candidato ao Governo pelo PT. Antes, criticava o ‘petrolão’, o ‘mensalão’, a política do Governo petista e foi pró impeachment da Dilma. Como se diz: ‘isso é passado’, quando Fabio era do PSD. Presume-se que na campanha ele tenha todo tempo para se justificar.

DITO E FEITO: As previsões de denúncias e escândalos neste período eleitoral vão se confirmando. Agora, explodiu o esquema de venda de livros didáticos às prefeituras sob chantagem tendo como moeda de troca a garantia de vagas e exames no Sistema de Regulação da Saúde. Extorsão que envolve empresários picaretas e políticos. O Gaeco fez sua parte. E agora?

VERDADES: “ A “inveja” da garra argentina reflete a admiração de torcedores brasileiros pela resiliência, paixão e capacidade de superação do time Hermano em momentos críticos, qualidades que a Seleção Brasileira demonstrou dificuldade em manter nas últimas temporadas. O sentimento de inveja surge ao observarmos a equipe argentina atuar com o “coração na ponta da chuteira”. (Estadão)

LOUCURAS: Situação inédita do ex-deputado Neno Razuk. Condenado a mais de 15 anos de prisão, foragido, perdeu o mandato na recontagem dos votos. Na sua vaga assumiu João César Mattogrosso, mas Razuk e o PL tentam reverter a decisão. Se exitosa, ele recuperaria o mandato e os benefícios do foro privilegiado e a liberdade? Mais dúvidas do que certezas.

COISA NOSSA: Primeiro o Governo, para faturar milhões, autorizou as apostas esportivas, ignorando as advertências. Agora, após os estragos nas famílias por conta das dívidas pelo vício do jogo, o Governo procura uma saída. Tudo isso poderia ter sido evitado se tivesse havido bom senso e menos sede de arrecadar – custe o que custar.

PREOCUPA: Na capital, no pleito de 2024, a abstenção foi de 25,50% no primeiro turno e 28,60% no segundo. Adicionando as ausências aos votos brancos e nulos, mais de um terço do eleitorado de Campo Grande, abriu mão de escolher o prefeito. Analistas temem com a possibilidade deste fenômeno da apatia cívica se repetir em 2026.

SINAL AMARELO: Esse ‘desanimo’ já ocorrera no pleito de 2022 com abstenção média nacional acima dos 20% nos dois turnos. Pasmem, em nosso estado tivemos mais de 48 mil votos inválidos no primeiro turno. Votos que certamente fizeram falta à candidatos preparados e bem intencionados, prejudicados pela omissão destes eleitores.

NOVIDADE: Café amigo com Jefferson Bezerra, jornalista de Dourados, pré-candidato a Governador pela sigla AGIR. Uma de suas bandeiras é exatamente de enfrentar e dizimar essa polarização entre ‘direita e esquerda’ aqui no estado - e para isso atrair novos protagonistas ao cenário político. A convenção será no dia 21 de julho.

VEJA BEM! Só aqui. Temos 30 partidos legais, mas só 21 tem representantes no Congresso e 9 siglas operam sem cadeiras na Câmara e Senado. Já tivemos muito mais partidos, que foram diminuindo com processos de fusões, incorporações e mudanças de nome. Além disso, a clausula de barreira foi determinante para acabar com a ‘indústria de partidos’ – um bom negócio.

FORA DA TELA: Se a intenção da lei era inibir partidos de aluguel e candidatos nanicos, conseguiu. Sem representação parlamentar exigida, seus postulantes ficarão de fora do horário gratuito no rádio e tevê. Aqui por exemplo, João H. Catan (O Novo), Jefferson Bezerra (AGIR) e o Economista Renato (DC) serão excluídos dos benefícios da propaganda.

INTERESSANTE: Entre os pré-candidatos João Henrique Catan e o Economista Renato, existem mais identidades do que diferenças politicamente falando. Concorda? Pelo que se depreende dos fatos de bastidores, há chances de ambos caminharem juntos. Catan, na cabeça de chapa, tem a seu favor a tribuna da Assembleia Legislativa, um bom palanque.

PILULAS DIGITAIS:

Quem tem que andar nos trilhos é o trem de ferro. (Manoel de Barros)

Emendas parlamentares? Eu também quero. (Toni Ueno)

O ego é a única coisa que vaza por cima. (Millôr)

A coisa mais importante na vida é saber o que é importante. (Otto Milo)

O poder corrompe, mas a falta de poder corrompe absolutamente. (Adiai Stevenson)

Quem diz que futebol não tem lógica ou não entende de futebol ou não sabe o que é lógica. (Stanislaw Ponte Preta)

Tronos caem, tronos se erguem, reis e povo/ Como as ondas do mar, sobem e descem. (Gonçalves de Magalhães)

Falam da dignidade do trabalho; a dignidade está no lazer. (Herman Melville)

O tempo não existe. É apenas uma convenção. (José Luiz Borges)


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