Justiça / Investigação
Três investigados da Operação Gutenberg deixam a prisão e passam a cumprir medidas cautelares
Justiça revogou ou substituiu prisões de Geancarlo Leal, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt; outros 13 investigados seguem presos e um continua foragido
17/07/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Operação Gutenberg, que apura um suposto esquema de fraudes em contratos públicos ligados à área da saúde, já teve três das 16 prisões inicialmente decretadas revistas pela Justiça de Mato Grosso do Sul.
Estão em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares determinadas pelo Judiciário, Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt.
As decisões foram tomadas individualmente, com base nas circunstâncias específicas de cada investigado. A revogação ou substituição da prisão preventiva não representa absolvição nem encerra as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
A prisão preventiva do advogado e servidor público Geancarlo Leal de Freitas foi revogada após manifestação favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que concluiu não haver mais necessidade da medida cautelar.
Segundo a decisão judicial, não foram identificados elementos que indicassem risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.
O advogado Tiago Bunning, responsável pela defesa, afirmou que os esclarecimentos apresentados durante a investigação levaram o próprio Ministério Público a concordar com o pedido de liberdade.
“Geancarlo não praticou nenhum crime. Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados. O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares e não tem nenhuma relação com os fatos investigados”, declarou.
Conforme o relatório da investigação, Geancarlo aparece na relação de investigados, porém não há descrição de transferências bancárias, contratos, conversas ou outra conduta específica atribuída a ele no documento.
O empresário Joatan Gomes Peixoto teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica durante 180 dias, além de outras medidas cautelares.
A defesa sustentou que a decisão levou em consideração condições pessoais do investigado.
“Um senhor com certa idade, com filha especial e esposa adoentada de forma grave, são motivos mais que justos para uma prisão domiciliar”, afirmou o advogado André Stuart.
Segundo o Gaeco, Joatan tornou-se sócio-administrador da Editora Avante após alteração registrada na Receita Federal.
A investigação aponta que ele recebeu R$ 521.360,91 da empresa e realizou transferências de R$ 307.160 para a editora. O relatório também registra repasses efetuados nos dias seguintes ao recebimento de recursos públicos pela empresa.
O Ministério Público ressalta, contudo, que a investigação não atribui a Joatan autonomia para decidir sobre a divisão dos valores movimentados.
A Justiça também autorizou Jessyca Duarte Burgatt a cumprir prisão domiciliar para permanecer com o filho de 1 ano de idade.
Segundo a investigação, ela é filha do ex-chefe da regulação da Saúde do Estado, Ed Carlo Britto Burgatt, apontado pelo Ministério Público como um dos principais intermediários do esquema investigado.
De acordo com o relatório do Gaeco, em 2 de agosto de 2022, data em que a Editora Avante recebeu mais de R$ 1 milhão da Prefeitura de Miranda, Jessyca recebeu duas transferências da empresa que totalizaram R$ 52 mil.
Ainda conforme a investigação, ela teria transferido R$ 50 mil ao pai no mesmo dia.
O relatório também registra depósitos em dinheiro considerados recorrentes, alguns sem origem identificada, além de 548 saques, que somam R$ 441.782 durante o período analisado.
As suspeitas apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas ao longo do processo, garantindo aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Continuam presos preventivamente:
Rossana Paroschi Jafar
Rhayane Souza Fanaia
Giovanni Paroschi Jafar
Olívia Paroschi Jafar
Felipe Paroschi Jafar
Francisco Anizio dos Santos
Ed Carlo Britto Burgatt
Gabriel Taquino de Paula
Matheus Oliveira Peixoto
Douglas Henrique Melo
Paulo Rogério de Melo
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior
Já Heyder Bartz permanece na condição de foragido, conforme as informações divulgadas pela investigação.
A Operação Gutenberg apura um suposto esquema de manipulação da fila de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e possíveis irregularidades em contratos públicos envolvendo a Editora Avante. As investigações seguem em andamento e ainda não há decisão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.
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