Justiça / Investigação
Operação Gutenberg: médica deixa prisão após fiança de R$ 20 mil
Olívia Paroschi Jafar foi liberada com tornozeleira eletrônica e terá de cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça
19/07/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A médica Olívia Paroschi Jafar deixou a prisão na tarde de sábado, 18 de julho, após decisão judicial que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. A investigada pagou fiança de R$ 20 mil, passou a usar tornozeleira eletrônica e deverá se apresentar periodicamente em juízo.
Ela estava presa desde 7 de julho, quando foi deflagrada a Operação Gutenberg, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco. A ação resultou na expedição de 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão.
Também foram presos durante a operação a mãe de Olívia, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Felipe Jafar e Giovanni Jafar. O grupo é investigado por suspeita de participação em um esquema que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em recursos públicos.
A advogada Estella Bauermeister, responsável pela defesa da médica, informou que a revogação da prisão ocorreu após a apresentação de uma manifestação técnica. Segundo ela, o juízo considerou que Olívia não faria parte do núcleo responsável pelo comando da suposta organização criminosa.
“Olívia Paroschi Jafar é médica e sempre desenvolveu suas atividades profissionais exclusivamente na medicina, profissão da qual retira, de forma lícita e independente, o seu sustento”, afirmou a defesa.
Olívia é a quarta pessoa investigada na operação a obter a substituição da prisão preventiva por medidas alternativas. Também foram liberados Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt.
De acordo com a investigação, os três teriam recebido valores e atuado como intermediários em pagamentos envolvendo a Editora Avante e outros integrantes do grupo. A suspeita é de que contas bancárias de terceiros tenham sido utilizadas para ocultar os destinatários finais das transferências.
Um dos mandados de prisão ainda não havia sido cumprido. O publicitário Heyder Bartz era considerado foragido conforme as informações divulgadas sobre a operação.
Segundo o Gaeco, empresários teriam cooptado servidores públicos mediante pagamento de propina para interferir na liberação de serviços de saúde, incluindo exames e leitos hospitalares.
A investigação aponta que essas liberações seriam condicionadas à compra, por prefeituras e órgãos públicos, de livros e materiais impressos comercializados por empresas ligadas ao grupo.
Para os investigadores, a estrutura teria funcionado como um “balcão de negócios”, no qual serviços essenciais da rede pública de saúde eram utilizados como instrumento de pressão sobre gestores municipais.
As apurações continuam, e a liberação de Olívia não encerra a investigação nem representa julgamento definitivo sobre as acusações. A médica permanecerá submetida às condições impostas pela Justiça enquanto o processo estiver em andamento.
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