Campo Grande (MS), Terça-feira, 21 de Julho de 2026

Saúde / Tecnologia

Médicos na Bahia realizam cirurgia robótica inédita em paciente de Campo Grande

Telecirurgia permitiu a retirada de tumor maligno no rim a mais de 2,3 mil quilômetros de distância, com alta hospitalar em menos de 24 horas

20/07/2026

13:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Um paciente de 56 anos, morador de Campo Grande, teve um tumor maligno retirado do rim durante uma telecirurgia robótica realizada no Hospital Cassems, no último sábado, 18 de julho. Os médicos responsáveis pelo procedimento estavam em Salvador, na Bahia, a mais de 2,3 mil quilômetros da Capital sul-mato-grossense.

A intervenção, considerada inédita no Brasil, foi realizada por meio de um robô cirúrgico instalado no hospital de Mato Grosso do Sul. Os movimentos do equipamento foram controlados remotamente pela equipe médica localizada na capital baiana.

O procedimento, denominado nefrectomia parcial robótica por telecirurgia, durou aproximadamente quatro horas e retirou uma massa de 6,2 centímetros provocada por um câncer renal.

A operação também utilizou conexão de internet via satélite da Starlink. Segundo a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems), esta foi a segunda cirurgia desse tipo no mundo realizada com apoio da tecnologia.

Paciente recebeu alta em menos de 24 horas

A utilização da cirurgia robótica permitiu uma recuperação mais rápida. O paciente recebeu alta hospitalar em menos de 24 horas após a retirada do tumor.

O médico urologista e especialista em cirurgia robótica Bruno da Rosa, de Campo Grande, participou do procedimento e explicou que a técnica possibilita preservar uma parcela maior do rim em comparação com cirurgias mais invasivas.

Segundo ele, a retirada parcial do órgão possui finalidade curativa e reduz os impactos no funcionamento renal.

“Ele agora segue a rotina de recuperação do pós-operatório como se fosse uma cirurgia habitual de pequeno porte. Em 15 dias, já estará liberado para dirigir e, em 30 dias, poderá retomar suas atividades físicas normais”, afirmou.

Cirurgião comandou robô a partir de Salvador

A operação foi conduzida remotamente pelo urologista e cirurgião robótico Nilo Jorge Leão, que permaneceu em Salvador durante todo o procedimento.

Por meio de uma plataforma de comando, o médico acompanhou as imagens produzidas dentro do centro cirúrgico e controlou os braços do robô instalado no Hospital Cassems.

Uma equipe local permaneceu ao lado do paciente para realizar a preparação, acompanhar os equipamentos e intervir em caso de necessidade.

Para Nilo Jorge Leão, a telecirurgia pode ampliar o acesso de pacientes de regiões afastadas a especialistas e tratamentos de alta complexidade.

“É muito mais do que um avanço tecnológico. Estamos falando de democratizar o acesso à saúde de qualidade para pessoas que não têm culpa de terem nascido longe dos grandes centros”, declarou.

Procedimento ainda não está disponível no SUS

Atualmente, a cirurgia robótica por teleoperação não está disponível na rede pública de saúde. O procedimento depende de equipamentos específicos, conexão de alta velocidade, profissionais especializados e estrutura hospitalar adequada.

O cirurgião acredita, porém, que os custos deverão diminuir com a ampliação da tecnologia e o aumento da quantidade de procedimentos realizados.

“Minha impressão é que os custos vão cair muito nos próximos anos e os governos vão entender que a relação custo-benefício dessa tecnologia é extremamente positiva. Afinal, estamos falando de uma cirurgia para retirar um câncer de um órgão vital”, avaliou.

Operação reuniu hospitais e empresas de tecnologia

A telecirurgia foi realizada por meio de uma parceria entre a Cassems, o Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento da Bahia (IART) e as empresas Hospcom e MicroPort.

Além de permitir a atuação de médicos localizados em outros estados, a tecnologia pode reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes e equipes especializadas.

O resultado abre caminho para a realização de novos procedimentos remotos em Mato Grosso do Sul, desde que sejam mantidas condições seguras de conexão, equipamentos e suporte médico presencial.


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