Política / Eleições 2026
Racha com Michelle passa a pesar na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
Pesquisa mostra vantagem da ex-primeira-dama no conflito e leva campanha do senador a reforçar ações voltadas ao eleitorado feminino
18/07/2026
10:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A disputa pública entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas um problema interno do PL e passou a produzir impacto mensurável na pré-campanha presidencial do parlamentar.
Pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira, 15 de julho, mostra que 42% dos entrevistados concordam mais com Michelle no desentendimento, enquanto 18% ficam ao lado de Flávio. Outros 22% afirmaram não concordar com nenhum dos dois.
O levantamento também questionou os entrevistados sobre o vídeo no qual Michelle afirmou ter sido desrespeitada e humilhada pelo enteado. Para 45%, a ex-primeira-dama agiu corretamente ao tornar o episódio público. Outros 38% consideraram a atitude equivocada.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas, entre os dias 10 e 13 de julho, possui margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07181/2026.
O conflito teve início durante as discussões sobre o posicionamento do PL na eleição para o Governo do Ceará.
Michelle se posicionou contra a articulação de integrantes da legenda para apoiar Ciro Gomes, do PSDB, e defendeu a pré-candidatura do senador Eduardo Girão, do Novo.
Em vídeo publicado em 24 de junho, a ex-primeira-dama afirmou que Flávio havia sido ríspido durante uma conversa por telefone e teria dito que ela deveria permanecer fora das decisões partidárias.
Michelle também declarou que o senador afirmou que ela não entendia de política. Na mesma manifestação, acusou os filhos de Jair Bolsonaro de adotarem uma atuação coordenada contra ela, com declarações públicas semelhantes.
Flávio negou ter desrespeitado a madrasta e afirmou que não trataria dessa forma a esposa do próprio pai.
Dois dias depois, durante uma agenda na Romaria do Divino Pai Eterno, em Goiás, o senador tentou reduzir a repercussão do caso e declarou que, da parte dele, o episódio era uma “página virada”.
A tentativa de encerrar publicamente a crise, entretanto, não resultou na recomposição da relação política.
Em 30 de junho, Michelle anunciou que deixaria a presidência nacional do PL Mulher para se dedicar aos cuidados com Bolsonaro e com a filha, Laura.
No dia seguinte, Flávio reuniu lideranças femininas da legenda em Brasília, agradeceu o trabalho realizado pela ex-primeira-dama e afirmou que as portas do partido continuavam abertas.
Michelle e a senadora Damares Alves, do Republicanos, não participaram do encontro.
O afastamento da ex-primeira-dama criou um problema adicional para a pré-campanha. Michelle era considerada uma das principais pontes do bolsonarismo com o eleitorado feminino e com segmentos evangélicos.
A resistência de eleitoras à candidatura de Flávio já aparecia em levantamentos anteriores.
Na pesquisa Datafolha citada pela pré-campanha, a rejeição de Luiz Inácio Lula da Silva entre as mulheres era de 40%, enquanto a de Flávio alcançava 53%.
Com a saída de Michelle das articulações, a campanha passou a ampliar a exposição de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. Ela começou a aparecer com maior frequência nas redes sociais e nas agendas públicas, principalmente em temas relacionados à saúde.
A estratégia busca reduzir a distância entre Flávio e o eleitorado feminino, grupo que representa a maioria das pessoas aptas a votar no país.
A pré-campanha também lançou o programa Brasil por Elas, conjunto de propostas voltadas às mulheres.
A iniciativa reúne medidas relacionadas à segurança pública, combate à violência doméstica, acesso ao crédito, empreendedorismo, mercado de trabalho, economia do cuidado, saúde feminina e apoio às chamadas famílias atípicas.
A elaboração do programa ficou sob a coordenação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos.
Daniella reuniu contribuições de lideranças ligadas ao bolsonarismo e passou a ocupar espaço simultaneamente nos núcleos econômico e feminino da campanha.
Além de coordenar o Brasil por Elas, Daniella passou a acompanhar Flávio em agendas públicas e participou, na quinta-feira, 16 de julho, da transmissão de lançamento do programa.
Durante a apresentação, o senador voltou a defender a escolha de uma mulher para ocupar a vaga de vice-presidente e mencionou diretamente a ex-presidente da Caixa.
“Estão falando muito do nome da Dani. Então vai ser importante vocês conhecerem”, afirmou Flávio.
Aliados consideram Daniella o nome mais próximo de uma indicação, mas a composição ainda depende das negociações entre PL e Republicanos, incluindo acordos para as disputas estaduais em Roraima e Mato Grosso.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já elogiou Daniella, mas sustenta que a candidata a vice deverá agregar votos e ampliar a base política da chapa.
A possibilidade de escolher uma mulher para a Vice-Presidência já era discutida antes do confronto com Michelle. A repercussão da crise, no entanto, aumentou a pressão para que a campanha apresente uma resposta concreta ao eleitorado feminino.
A vantagem de Michelle nas pesquisas sobre o desentendimento demonstra que o episódio ultrapassou os limites da disputa familiar e partidária.
Sem a ex-primeira-dama na linha de frente, Flávio tenta reorganizar sua estratégia, ampliar a participação de Fernanda e consolidar Daniella Marques como uma das principais representantes femininas da pré-campanha.
O desafio será transformar essas iniciativas em redução da rejeição e impedir que a ruptura com Michelle continue ocupando espaço na corrida presidencial.
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