Eleições / Articulação
Flávio chega à convenção do PL sem acordo para definir candidato a vice
Preferência por Daniella Marques enfrenta resistência interna, enquanto negociações com Republicanos, Podemos e partidos do Centrão permanecem indefinidas
18/07/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A menos de uma semana da convenção nacional do PL, o senador Flávio Bolsonaro ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice-presidente em sua chapa ao Palácio do Planalto. O encontro partidário está marcado para o próximo sábado, 25 de julho, em São Paulo, e deverá oficializar a candidatura presidencial do parlamentar.
As negociações conduzidas nas últimas semanas não resultaram em uma aliança nacional. A campanha enfrenta resistências entre partidos do Centrão e divergências internas sobre o perfil mais adequado para completar a chapa.
Sem um acordo até o momento, integrantes do PL já admitem a possibilidade de uma composição formada apenas por filiados da própria legenda. A prioridade inicial era oferecer a vaga de vice a um partido aliado, ampliando o tempo de propaganda, a estrutura eleitoral e os palanques estaduais.
A principal aposta do PL era uma aliança com a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. As conversas, entretanto, perderam força após sucessivas dificuldades políticas e o desgaste na relação entre Flávio e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira.
Dirigentes das duas legendas passaram a considerar pouco provável um entendimento para o primeiro turno. Sem avanço nesse bloco, a campanha intensificou as conversas com Republicanos e Podemos.
Os dois partidos avaliam a possibilidade de indicar o candidato a vice, mas enfrentam divisões internas. Parte das lideranças defende que as siglas permaneçam neutras na disputa presidencial para preservar alianças regionais distintas.
A indefinição também envolve negociações nos estados. Republicanos e Podemos cobram espaços em chapas estaduais, candidaturas competitivas ao Senado e apoio em disputas pelos governos locais.
Aliados de Flávio defendem que o impasse seja resolvido antes da convenção, permitindo que o partido apresente a chapa completa durante o evento.
Caso não haja acordo, o PL poderá oficializar apenas a candidatura presidencial e autorizar sua executiva nacional a concluir posteriormente as negociações sobre a vice.
As convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Após essa etapa, as legendas ainda deverão encaminhar à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas.
A convenção do PL está programada para começar às 10h, no Mercado Pago Hall, localizado na Arena Pacaembu, com capacidade estimada para receber até 7 mil pessoas.
A preferência pessoal de Flávio é por uma mulher na composição. A estratégia busca ampliar a presença da campanha entre o eleitorado feminino e reduzir a rejeição do candidato nesse segmento.
O nome defendido pelo senador é o de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atualmente filiada ao Republicanos. A filiação, contudo, ocorreu recentemente e chegou a enfrentar dificuldades de registro no sistema partidário, posteriormente solucionadas pela Justiça Eleitoral.
A possível indicação depende de um acordo nacional com o Republicanos. A direção da legenda, comandada pelo deputado Marcos Pereira, considera insuficientes as contrapartidas oferecidas pelo PL nos estados e avalia permanecer neutra na eleição presidencial.
Integrantes do Republicanos também argumentam que Daniella ainda não possui relação consolidada com a estrutura partidária nem capacidade comprovada para mobilizar as bases da legenda.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, demonstra resistência à indicação de Daniella. Para ele, o candidato a vice precisa agregar votos, apoio partidário e capacidade de ampliar a candidatura para além do eleitorado já identificado com o bolsonarismo.
“Daniella é uma excelente pessoa, mas precisa ter voto. Tem que trazer alguém que tenha voto”, declarou o dirigente ao comentar a disputa interna.
Valdemar defende o nome da senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul. A avaliação é de que a parlamentar acrescentaria experiência política, credibilidade e maior interlocução com o agronegócio e setores moderados.
A composição, porém, dependeria de uma reaproximação com a União Progressista. Embora dirigentes da federação considerem remota a aliança, Valdemar ainda pretende conversar novamente com Tereza Cristina.
Além de Daniella e Tereza Cristina, a campanha analisou os nomes das deputadas Simone Marquetto, do PP de São Paulo, e Clarissa Tércio, do PP de Pernambuco.
Mais recentemente, o deputado Eduardo Bolsonaro passou a defender a deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina. O perfil mais ideológico da parlamentar, entretanto, enfrenta resistência entre dirigentes do Centrão, que preferem alguém com maior capacidade de diálogo com setores moderados.
Embora Flávio manifeste preferência por uma mulher, integrantes da direção partidária afirmam que homens também estão entre as alternativas. A escolha poderá ser modificada caso a cessão da vaga viabilize uma aliança considerada mais vantajosa.
Antes do rompimento público entre integrantes da família Bolsonaro e da saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher, a ala feminina do partido chegou a preparar uma lista de possíveis candidatas à Vice-Presidência.
A articulação foi interrompida após a crise interna. Aliadas de Michelle avaliam que a campanha criou expectativas ao divulgar nomes de dirigentes e parlamentares antes de concluir as negociações com outras legendas.
Uma eventual escolha masculina poderia aumentar a insatisfação entre integrantes do partido que esperavam a indicação de uma mulher.
A ausência de Michelle na linha de frente também interfere na estratégia eleitoral. Ela possui influência entre mulheres conservadoras e eleitores evangélicos, segmentos considerados importantes para a candidatura de Flávio.
A atenção dedicada ao eleitorado feminino tem relação direta com seu peso na eleição. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral indicam que as mulheres representam a maioria das pessoas habilitadas a votar no país.
Segundo os números apresentados pela campanha, são mais de 83,8 milhões de eleitoras, correspondentes a 52,8% de um universo aproximado de 158,7 milhões de brasileiros aptos ao voto.
Durante uma transmissão realizada na noite de quinta-feira, 16 de julho, Flávio reafirmou a preferência por uma mulher e mencionou Daniella Marques, Simone Marquetto e Clarissa Tércio como possibilidades.
A declaração ocorreu no lançamento do programa Brasil por Elas, conjunto de propostas direcionadas ao público feminino e coordenado por Daniella. A iniciativa prevê agendas em diferentes estados para apresentar as medidas da campanha.
Com a convenção se aproximando e as alianças ainda indefinidas, o PL terá de decidir entre insistir em uma composição com outro partido ou apresentar uma chapa própria. A escolha do vice será determinante para definir o alcance político, a estrutura eleitoral e o perfil da candidatura de Flávio Bolsonaro.
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