Campo Grande (MS), Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

Campo Grande / Acidente Aéreo

Pesquisadora alemã morta em acidente aéreo será cremada em Campo Grande

Lydia Möcklinghoff morreu após queda de bimotor em 3 de julho; família decidirá se as cinzas serão enviadas à Alemanha ou levadas ao Pantanal

16/07/2026

13:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, será cremada nesta quinta-feira, 16 de julho, em Campo Grande, treze dias depois de morrer na queda de um avião que havia decolado com destino ao Pantanal. A cerimônia será realizada no Crematório de Campo Grande, localizado na Avenida Tamandaré.

O procedimento funerário encerra uma espera de quase duas semanas pela liberação do corpo no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). O atendimento está sob responsabilidade da funerária Pró-Vida.

Após a cremação, caberá à família definir o destino das cinzas. Entre as possibilidades estão o envio para a Alemanha ou a dispersão no Pantanal, região onde Lydia desenvolveu pesquisas e manteve uma ligação profissional por aproximadamente 16 anos.

Lydia morreu na manhã de 3 de julho de 2026, depois que o avião em que viajava caiu logo após decolar do Aeródromo Estância Santa Maria, em Campo Grande. O piloto Henrique Martin de Carvalho também morreu no acidente.

A aeronave seguia para a Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, local utilizado como base para parte dos estudos conduzidos pela pesquisadora no Pantanal. O bimotor caiu em uma área de vegetação situada a cerca de 50 metros do aeródromo.

O avião era um Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983 e vinculado a uma empresa de táxi-aéreo. A aeronave ficou destruída após atingir o solo durante a etapa inicial do voo.

Investigação analisa perda de controle

O reporte preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) classificou a ocorrência como perda de controle em voo. A descrição indica a dinâmica inicial do acidente, mas ainda não esclarece quais fatores provocaram a queda.

Segundo os dados preliminares, o bimotor perdeu o controle durante a subida após a decolagem. A investigação considera informações meteorológicas, registros de manutenção, dados de localização e depoimentos de testemunhas e profissionais envolvidos na operação aérea.

As condições de visibilidade no momento do acidente também são analisadas. O voo estava inicialmente previsto para ocorrer por volta das 5 horas, mas teria sido adiado, com a decolagem registrada aproximadamente às 6h20.

O aeródromo permitia operações sob regras visuais, enquanto a aeronave estava habilitada para voos por instrumentos. Até o momento, porém, não há conclusão oficial de que a neblina ou as condições meteorológicas tenham provocado o acidente.

Como o modelo não possuía caixa-preta, o trabalho dos investigadores depende principalmente da perícia nos destroços, de documentos técnicos, informações de GPS e dados relativos ao planejamento e à execução do voo.

O Cenipa ressalta que o conteúdo preliminar poderá ser alterado durante a apuração. “Seu teor ainda pode ser alterado e não vincula obrigatoriamente as conclusões que serão publicadas no Relatório Final das investigações”, informa o órgão.

Vida dedicada à pesquisa no Pantanal

Zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental, jornalista científica e guia da natureza, Lydia Möcklinghoff construiu parte significativa de sua trajetória profissional em Mato Grosso do Sul.

Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e desenvolvia doutorado na Universidade de Bonn, ambas na Alemanha. A pesquisadora visitava o Pantanal havia mais de duas décadas e começou a trabalhar na Fazenda Barranco Alto em 2009.

Durante aproximadamente 16 anos, Lydia reuniu informações sobre a ecologia e o comportamento do tamanduá-bandeira, espécie que se tornou o principal foco de seus estudos.

O trabalho também incluía o monitoramento de outros animais do bioma, entre eles onças-pintadas, araras-azuis, ariranhas e pumas. A pesquisadora utilizava armadilhas fotográficas e outros métodos para acompanhar a biodiversidade pantaneira.

Além das atividades acadêmicas, Lydia atuava na divulgação científica. Suas experiências de campo eram transformadas em livros, podcasts, reportagens, palestras e conteúdos voltados ao público não especializado.

Um dia antes do acidente, em 2 de julho, ela publicou nas redes sociais um vídeo feito pela janela de um avião durante a saída do Rio de Janeiro. “Visão casual pela janela de um avião ao sair do Rio”, escreveu.

Exemplares de uma de suas obras sobre o Pantanal foram encontrados entre os objetos retirados dos destroços. A morte da pesquisadora gerou manifestações de instituições ambientais, organizações científicas e propriedades rurais ligadas à conservação do bioma.

Uma campanha internacional também foi divulgada com a proposta de financiar pesquisas, ações de proteção da biodiversidade e iniciativas de divulgação científica em memória de Lydia. Os responsáveis, contudo, ainda não detalharam quais projetos serão beneficiados nem como os recursos serão administrados.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Rede News MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: