Infraestrutura / Rota Bioceânica
Brasil e Paraguai concluem união da ponte da Rota Bioceânica após quatro anos de obras
Colocação da última aduela fechou o vão sobre o Rio Paraguai e marcou a ligação física entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta
15/07/2026
18:30
CE
DA REDAÇÃO
©OBRAS PARAGUAIAS
A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica alcançou uma etapa histórica nesta quarta-feira (15), com a união definitiva das estruturas erguidas pelo Brasil e pelo Paraguai sobre o Rio Paraguai.
O chamado encontro das aduelas ocorreu com a instalação da última peça de concreto no vão central da ponte, fechando o espaço que ainda separava as duas frentes de trabalho. As obras começaram oficialmente em 14 de janeiro de 2022.
A estrutura liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, ao município paraguaio de Carmelo Peralta. A ponte é considerada uma das principais obras do corredor internacional que conectará o Brasil aos portos do norte do Chile, atravessando também o Paraguai e a Argentina.
Para marcar a conclusão da ligação física, representantes dos dois países participaram de uma cerimônia simbólica. O encontro foi chamado de “beijo da integração” e reuniu trabalhadores e autoridades dos dois lados da fronteira em um abraço sobre a estrutura.
Com aproximadamente 1.294 metros de extensão, a ponte terá papel estratégico no transporte de cargas entre o centro da América do Sul e o Oceano Pacífico.
A estrutura possui 21 metros de largura, fica a cerca de 35 metros acima da calha do rio e conta com um trecho estaiado de 632 metros. As torres de sustentação chegam a 130 metros de altura.
O vão central elevado permitirá a passagem segura de embarcações pelo Rio Paraguai. A ponte também fará a conexão entre a rodovia paraguaia PY15 e a malha rodoviária brasileira.
A obra integra o projeto da Rota Bioceânica, também conhecida como Corredor Bioceânico, concebido para criar uma ligação terrestre entre o Brasil e os portos chilenos no Pacífico.
A expectativa é reduzir distâncias, custos logísticos e o tempo de transporte das exportações destinadas aos mercados asiáticos.
Apesar da união das duas extremidades, a ponte ainda não será aberta ao tráfego de veículos.
A conclusão do encontro das aduelas representa o fechamento estrutural do vão, mas outros serviços ainda precisam ser executados antes da liberação.
A etapa final inclui a construção de calçadas, implantação das pistas, pavimentação, sinalização e instalação dos sistemas de iluminação viária e ornamental.
A previsão é que essa fase seja concluída em agosto. Já os trabalhos de acesso à ponte no território paraguaio devem ser finalizados até o fim de novembro.
Também estão em andamento as obras dos viadutos que integrarão as cabeceiras da ponte aos sistemas rodoviários dos dois países.
No lado brasileiro, continuam as obras da alça de acesso que ligará a BR-267 à ponte internacional em Porto Murtinho.
O empreendimento está orçado em aproximadamente R$ 574 milhões e compreende 13,1 quilômetros de rodovia, além de estruturas alfandegárias, viadutos e demais instalações necessárias ao funcionamento do corredor.
A previsão é que o acesso rodoviário brasileiro seja concluído e liberado ao tráfego até 2028.
Enquanto a ponte avança para a fase de acabamento, as obras terrestres continuarão sendo decisivas para que o corredor possa operar plenamente.
A construção da ponte representa investimento de 684,6 bilhões de guaranis, valor equivalente a aproximadamente US$ 103 milhões.
Os recursos são provenientes da parcela paraguaia da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu.
O Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC) atua como órgão executor do projeto.
A obra é realizada pelo Consórcio Binacional PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil SA, Paulitec Construções e Construtora Cidade Ltda.
A supervisão é de responsabilidade do Consórcio Prointec.
A Rota Bioceânica terá como ponto de partida Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. A partir da fronteira, o corredor seguirá pelo Paraguai, cruzará a Argentina e terminará nos portos do norte do Chile.
O projeto começou a ser debatido em 2014 e ganhou maior estruturação a partir de 2017.
A nova rota deverá ser utilizada principalmente para o escoamento de produtos agropecuários e industriais brasileiros destinados à Ásia e a outros mercados internacionais.
Segundo estimativas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), a utilização do corredor poderá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte em comparação com as cargas embarcadas pelo Porto de Santos.
A rota também deve ampliar a integração comercial entre os países sul-americanos e abrir novas possibilidades para o transporte de carnes, açúcar, farelo de soja, couros e outros produtos.
Especialistas estimam que o corredor tenha potencial para movimentar aproximadamente US$ 1,5 bilhão por ano em exportações.
Com a união física da ponte, Brasil e Paraguai concluem uma das etapas mais importantes do projeto. A operação definitiva, porém, dependerá da finalização dos acessos rodoviários, das estruturas alfandegárias e dos demais serviços necessários à circulação internacional.
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