Saúde / Prevenção
Cor, cheiro e aspecto da urina podem revelar sinais de problemas de saúde
Mudanças ocasionais podem refletir alimentação ou pouca hidratação, mas alterações persistentes exigem avaliação médica
15/07/2026
10:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A urina pode fornecer informações importantes sobre o funcionamento do organismo. Alterações na cor, no cheiro, no aspecto e na frequência urinária nem sempre indicam uma doença, mas precisam ser observadas quando persistem ou aparecem acompanhadas de dor, febre e outros sintomas.
Em muitos casos, as mudanças são provocadas pela alimentação, pelo uso de medicamentos, por suplementos ou pela baixa ingestão de líquidos. Quando o quadro não melhora, porém, pode estar relacionado a infecção urinária, desidratação, cálculos renais ou outras alterações do sistema urinário.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), as infecções do trato urinário estão entre as infecções bacterianas mais frequentes, principalmente entre as mulheres. A estimativa é de que aproximadamente 50% das mulheres tenham ao menos um episódio ao longo da vida.
A maior ocorrência no público feminino está relacionada, entre outros fatores, à própria anatomia, que facilita a entrada de bactérias no trato urinário.
De acordo com o médico Carlos Alberto Reyes Medina, diretor médico da Carnot Laboratórios, conhecer as características habituais da urina ajuda a perceber possíveis alterações de forma precoce.
“A urina saudável costuma apresentar coloração amarelo-clara e odor discreto. Alterações pontuais podem acontecer após o consumo de determinados alimentos ou medicamentos, mas quando essas mudanças persistem ou vêm acompanhadas de outros sintomas, é importante investigar a causa”, explica.
A urina muito escura costuma estar relacionada à concentração elevada provocada pela baixa ingestão de líquidos. Nesse caso, aumentar o consumo de água geralmente contribui para que a coloração volte ao normal.
Quando a mudança continua mesmo após a hidratação adequada, é necessário procurar orientação profissional, especialmente se houver outros sinais, como dor abdominal, pele amarelada, fraqueza ou redução do volume urinário.
Já a urina avermelhada pode indicar a presença de sangue, embora alguns alimentos e medicamentos também possam provocar mudança temporária de cor.
A presença de sangue pode estar associada a infecções, pedras nos rins, inflamações ou outras condições do trato urinário. Por isso, a alteração deve ser avaliada por um médico, mesmo quando não há dor.
Determinados alimentos, como o aspargo, além de vitaminas e suplementos, podem alterar temporariamente o odor da urina. A baixa ingestão de água também pode deixá-la mais concentrada e com cheiro mais intenso.
O alerta aumenta quando o odor desagradável aparece acompanhado de ardência ao urinar, aumento da frequência, urgência para ir ao banheiro, dor pélvica, febre ou desconforto persistente.
“O cheiro isoladamente nem sempre significa doença. O que realmente preocupa é a associação entre alterações na urina e sintomas como dor, febre, urgência para urinar ou desconforto persistente”, ressalta o médico.
Esses sintomas podem indicar uma infecção urinária, condição que precisa de diagnóstico adequado para que o tratamento seja definido corretamente.
A urina turva ou com aspecto leitoso pode estar relacionada à presença de bactérias, células inflamatórias ou cristais. A mudança também pode ocorrer em situações menos preocupantes, mas deve ser investigada quando frequente.
A formação ocasional de espuma pode resultar da força do jato urinário ou da presença de produtos de limpeza no vaso sanitário. Quando a espuma é persistente e aparece repetidamente, pode indicar eliminação elevada de proteínas pela urina, alteração que pode estar ligada ao funcionamento dos rins.
Nesses casos, exames de urina e de sangue podem ser solicitados para verificar a presença de infecção, proteínas, sangue, cristais e outras alterações.
Além da maior predisposição às infecções urinárias, fatores como gestação, menopausa e mudanças hormonais podem aumentar o risco de problemas no trato urinário feminino.
Durante a gravidez, infecções urinárias podem ocorrer mesmo sem sintomas evidentes, motivo pelo qual o acompanhamento pré-natal costuma incluir exames periódicos de urina.
Na menopausa, a queda hormonal pode provocar mudanças nos tecidos da região íntima e favorecer infecções recorrentes.
Manter uma hidratação adequada é uma das principais medidas para preservar a saúde urinária. Também é importante evitar segurar a urina por longos períodos e adotar cuidados adequados com a higiene íntima.
O uso de medicamentos por conta própria deve ser evitado. Antibióticos, especialmente, só devem ser utilizados com prescrição, pois o tratamento inadequado pode mascarar sintomas e contribuir para a resistência bacteriana.
“O organismo costuma dar sinais quando algo não vai bem. Observar alterações na urina é uma forma simples de acompanhar a própria saúde, mas o diagnóstico nunca deve ser feito apenas com base na aparência. A avaliação médica é indispensável para identificar a causa e indicar o tratamento adequado”, reforça Carlos Alberto Reyes Medina.
Alterações persistentes na cor, no cheiro, na quantidade ou no aspecto da urina não devem ser ignoradas. A procura por atendimento é ainda mais importante diante de sangue, febre, dor intensa, dificuldade para urinar ou redução significativa do volume urinário.
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