Polícia / Investigação
Defesa deve pedir liberdade de Giovanni Jafar após empresário se entregar à polícia
Advogada afirma que prisão preventiva não pode antecipar pena e diz que cliente está à disposição da Justiça
15/07/2026
07:45
DA REDAÇÃO
Gaeco aponta empresário como um dos líderes de esquema que teria desviado mais de R$ 27 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul ©REPRODUÇÃO
A defesa do empresário Giovanni Paroschi Jafar, que se apresentou espontaneamente à polícia na tarde de terça-feira (14), deve protocolar um pedido de revogação da prisão preventiva. Ele é investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) por suposta participação em uma organização criminosa acusada de desviar mais de R$ 27 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Segundo as investigações, Giovanni é apontado como um dos líderes do grupo suspeito de manipular o sistema estadual de regulação da saúde para pressionar prefeitos a contratar materiais didáticos produzidos pela Editora Avante, ligada à família Jafar.
A advogada Fabiana Trad, responsável pela defesa do empresário, informou que as manifestações serão apresentadas nos autos do processo e sustentou que não existem fundamentos para a manutenção da prisão preventiva.
“Nós nos manifestaremos nos autos do processo. Neste momento, o principal objetivo da defesa é garantir que o devido processo legal seja integralmente respeitado. A prisão preventiva não pode, em nenhuma hipótese, ser utilizada como uma forma de antecipação da pena. Entendemos que não há elementos que justifiquem a manutenção da restrição da liberdade de Giovanni, uma vez que ele não representa qualquer risco ao regular andamento do processo. Prova disso é que ele se apresentou espontaneamente às autoridades e permanece à disposição para colaborar com as investigações.”
Além de Giovanni, foram presos durante a operação sua mãe, Rossana Paroschi Jafar, os irmãos Olívia Jafar e Felipe Jafar, além da ex-esposa do empresário, Rhayane Souza Fanaia, todos investigados por suposto envolvimento no esquema.
Até o momento, conforme o Gaeco, apenas o mandado de prisão expedido contra o empresário Heyder Bartz ainda não havia sido cumprido.
De acordo com o relatório da investigação, a organização teria sido mantida pela família após a morte do patriarca Mirched Jafar, vítima da Covid-19 em 2021.
Segundo o Ministério Público, Rossana Jafar e os filhos passaram a abrir novos CNPJs para dar continuidade às atividades investigadas, mantendo contratos com administrações municipais por meio da Editora Avante.
As apurações também indicam que a tradicional Gráfica Alvorada, pertencente à família, já aparece em outras investigações relacionadas à Operação Lama Asfáltica, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro.
A quebra de sigilo fiscal revelou, conforme o Gaeco, que integrantes do grupo recebiam transferências financeiras em contas pessoais provenientes da Editora Avante, empresa responsável pelos contratos firmados com diversos municípios sul-mato-grossenses.
Na avaliação dos investigadores, Rossana Paroschi Jafar exercia papel central na organização criminosa e seria a principal responsável pela condução das atividades da Editora Avante, registrada em nome de Rhayane Fanaia, então esposa de Giovanni à época.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os agentes localizaram munições intactas na residência da matriarca, que também passou a responder pelo crime de posse irregular de munição.
Ao longo da operação, foram apreendidos mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo, além de aproximadamente R$ 3 milhões em cheques, valores que agora integram o conjunto de provas analisadas pelos investigadores.
O caso segue sob investigação do Gaeco, que apura os possíveis crimes de organização criminosa, corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados ao suposto esquema de desvio de recursos públicos em municípios de Mato Grosso do Sul.
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