Pauta-bomba
Senado aprova aposentadoria diferenciada para agentes de saúde e PEC vai à promulgação
Proposta estabelece idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens; impacto fiscal estimado pelo governo chega a R$ 27,9 bilhões em dez anos
14/07/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Senado Federal aprovou nesta terça-feira, 14 de julho, a proposta que cria regras diferenciadas de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A PEC 14/2021 recebeu 73 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação.
Como o texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e não sofreu alterações no Senado, a proposta seguirá diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial. A tramitação foi oficialmente encerrada após a votação em plenário.
Articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a medida é tratada pela equipe econômica como uma das chamadas “pautas-bomba” do Congresso devido ao impacto esperado sobre as contas previdenciárias.
Estimativa do Ministério da Previdência Social aponta que a mudança poderá gerar um custo de aproximadamente R$ 27,9 bilhões nos próximos dez anos. Desse valor, R$ 17,6 bilhões corresponderiam aos regimes próprios de Previdência dos servidores públicos, enquanto outros R$ 10,3 bilhões atingiriam o Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo INSS.
Em uma projeção de 80 anos, a pasta calcula que a insuficiência financeira provocada pelas novas regras poderá ultrapassar R$ 54 bilhões, considerando a antecipação das aposentadorias e a redução das contribuições previdenciárias.
Pela regra permanente prevista na PEC, as agentes mulheres poderão se aposentar aos 57 anos, enquanto os homens terão direito ao benefício a partir dos 60 anos.
Nos dois casos, será necessário comprovar pelo menos 25 anos de contribuição previdenciária e de efetivo exercício como agente comunitário de saúde ou agente de combate às endemias.
As condições serão aplicadas tanto aos profissionais vinculados aos regimes próprios de Previdência de estados e municípios quanto aos segurados do INSS. O texto também estabelece regras de transição, com vigência até 2041, para trabalhadores que já estavam na atividade antes da entrada em vigor da emenda.
A proposta determina ainda que a União deverá prestar assistência financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para ajudar a compensar o aumento das despesas com as novas aposentadorias.
Além das regras previdenciárias, a PEC cria uma base constitucional para a regularização dos vínculos funcionais dos agentes que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS).
O texto proíbe, como regra geral, a contratação temporária ou terceirizada desses profissionais. As exceções ficam restritas a situações de emergência em saúde pública.
A regularização não significa, entretanto, a efetivação automática de todos os trabalhadores. A aplicação dependerá da comprovação de requisitos, como ingresso por processo seletivo público e exercício efetivo da função, além da edição de atos pelos estados e municípios responsáveis pelas contratações.
As mesmas garantias previstas para os agentes comunitários de saúde e de combate às endemias serão estendidas aos agentes indígenas de saúde e aos agentes indígenas de saneamento.
A PEC 14/2021 é de autoria do ex-deputado federal Dr. Leonardo, de Mato Grosso, e teve parecer favorável do senador Irajá (PSD-TO) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 30 milhões após concurso 3031
Leia Mais
e-Título ganha novas funções para justificativa, multas e serviços eleitorais
Leia Mais
Empresário alvo da Operação Gutenberg se entrega em delegacia de Campo Grande
Leia Mais
Zé Teixeira propõe cobrança de agressores por despesas médicas de vítimas no SUS
Municípios