Campo Grande (MS), Terça-feira, 14 de Julho de 2026

Fronteira / Violência

Mulher é encontrada degolada e com sinais de tortura na fronteira

Corpo estava amarrado e foi abandonado ao lado de bilhete atribuído aos “Justiceiros da Fronteira”; polícia suspeita que vítima seja brasileira

14/07/2026

13:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Uma mulher ainda não identificada foi encontrada morta na manhã desta terça-feira (14), em uma estrada vicinal da Colônia Cerro Corá’i, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia localizada na fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.

O corpo estava a aproximadamente 10 metros da linha internacional que separa o Brasil do Paraguai. Ao lado da vítima, os policiais localizaram um cartaz atribuído aos chamados “Justiceiros da Fronteira”.

Moradores da região encontraram o cadáver às margens da estrada e acionaram a Comisaría 15ª da Polícia Nacional do Paraguai. A mulher aparentava ter entre 20 e 30 anos e estava com as mãos e os pés amarrados.

O médico-legista do Ministério Público paraguaio, Marco Prieto, informou que a vítima foi morta com um profundo golpe de arma branca no pescoço. Apesar da gravidade do ferimento, não houve decapitação, pois a cabeça permaneceu ligada ao corpo.

Além do corte no pescoço, a mulher apresentava vários ferimentos no rosto e em outras partes do corpo. Conforme o legista, as lesões indicam que ela pode ter sido submetida a uma sessão de tortura antes de ser assassinada.

Uma camiseta também foi encontrada introduzida na boca da vítima. A estimativa preliminar é de que o crime tenha ocorrido cerca de 12 horas antes de o corpo ser localizado.

Por determinação da promotora María Mirtha Martínez, o cadáver foi encaminhado ao necrotério, onde passará por exames periciais e permanecerá aguardando identificação oficial. A principal suspeita das autoridades é de que a mulher seja brasileira.

O cartaz deixado ao lado do corpo fazia referências aos “Justiceiros da Fronteira”, denominação que tem aparecido em outros homicídios registrados recentemente na região. Parte da mensagem estava ilegível, mas o conteúdo mencionava supostos roubos.

O diretor de Prevenção da Polícia de Amambay, comissário Sergio Sosa, afirmou que os investigadores não descartam que a mulher tenha sido assassinada em outro local e levada posteriormente até a estrada vicinal.

“Pelas características do caso, não descartamos que o homicídio tenha ocorrido em outro lugar, inclusive do outro lado da fronteira, e que o corpo tenha sido levado até este ponto”, declarou o comissário.

Segundo a polícia paraguaia, este é o terceiro caso recente com características semelhantes registrado na região fronteiriça. Nos episódios anteriores, as vítimas também foram mortas com armas brancas e encontradas ao lado de cartazes.

A investigação ficará sob responsabilidade das autoridades paraguaias, que trabalham para identificar a vítima e esclarecer a autoria e a motivação do assassinato.


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