Campo Grande (MS), Domingo, 12 de Abril de 2026

Infraestrutura / Integração

Ponte da Rota Bioceânica avança para etapa decisiva e deve fechar trecho central em 31 de maio

Encontro das estruturas entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta marcará um dos momentos mais simbólicos da ligação rodoviária entre o Brasil e o corredor rumo ao Pacífico

12/04/2026

12:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A ponte internacional da Rota Bioceânica, construída sobre o Rio Paraguai entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, deve alcançar em 31 de maio de 2026 uma de suas fases mais importantes: o chamado “beijo das aduelas”, momento em que as estruturas lançadas a partir dos dois lados se encontram e fecham o trecho central da travessia. A previsão foi divulgada neste mês e confirma a entrada da obra em sua fase decisiva.

A obra começou em 14 de janeiro de 2022 e integra o projeto de corredor rodoviário que pretende conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ao Oceano Pacífico, criando uma alternativa logística mais curta para o transporte de cargas em relação às rotas tradicionais pelo Atlântico. Nesse contexto, a ponte é tratada como uma das conexões físicas mais estratégicas de toda a Rota Bioceânica.

Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a estrutura já entrou na reta final. Em fevereiro, o governo de Mato Grosso do Sul informou que faltavam cerca de 101 metros para o fechamento total da ligação entre os dois países, justamente o vão que será vencido com a conclusão dessa etapa prevista para maio.

Os trabalhos atuais se concentram na concretagem e no avanço da parte sobre o rio. A execução da ponte está a cargo do Consórcio PYBRA, sob fiscalização do MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai). Já do lado brasileiro, seguem as obras de acesso sob responsabilidade do DNIT, com construção de viadutos, pilares e vigas, enquanto no lado paraguaio avançam os aterros hidráulicos para a ligação com a Ruta PY-15, eixo rodoviário fundamental do traçado bioceânico no Chaco.

Embora o fechamento do trecho central esteja previsto para 31 de maio, isso não significa a entrega imediata da ponte para operação. Reportagens e comunicados técnicos indicam que, após essa união estrutural, ainda restarão serviços complementares, como instalação de cabos, amortecedores, iluminação e acabamentos. A previsão mais ampla segue apontando conclusão da obra no segundo semestre de 2026.

No lado paraguaio, a ponte é considerada peça-chave de um investimento mais amplo em infraestrutura viária. O país vem aplicando mais de US$ 1 bilhão em aproximadamente 580 quilômetros de rodovias asfaltadas, enquanto a travessia sobre o Rio Paraguai tem custo estimado em cerca de US$ 100 milhões, com recursos ligados à Itaipu Binacional no lado paraguaio.

Mais do que um marco de engenharia, o “beijo das aduelas” representa um passo concreto em um projeto que pode redesenhar a logística regional. A expectativa é de redução de distâncias, tempo e custos no escoamento de mercadorias entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Pacífico, ampliando a competitividade do corredor sul-americano.

 


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