Campo Grande (MS), Segunda-feira, 13 de Julho de 2026

Política / Luto

Assembleia Legislativa lamenta morte de Alcides Bernal aos 60 anos

Ex-prefeito de Campo Grande também exerceu mandato de deputado estadual e morreu após complicações cardíacas na Santa Casa

13/07/2026

08:30

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) divulgou, nesta segunda-feira (13), uma nota de pesar pela morte do ex-prefeito de Campo Grande e ex-deputado estadual Alcides Bernal, aos 60 anos. Ele morreu durante a madrugada, na Santa Casa, após complicações provocadas por um infarto associado à trombose em uma artéria do coração.

Bernal completaria 61 anos nesta terça-feira (14). Na manifestação, a Alems prestou solidariedade aos familiares e relembrou a trajetória pública do ex-prefeito, que também atuou como vereador e deputado estadual.

A morte ocorreu enquanto ele cumpria prisão preventiva pelo assassinato do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Bernal estava preso desde 24 de março de 2026, quando se apresentou à polícia após o crime.

Complicações cardíacas

No início de julho, Bernal sofreu um infarto e precisou passar por procedimentos cardíacos na Santa Casa de Campo Grande. Após receber alta, ele retornou ao Presídio Militar Estadual Fidelcino Rodrigues.

No fim de semana, o ex-prefeito voltou a apresentar problemas de saúde e foi novamente encaminhado ao hospital. O quadro se agravou durante a madrugada desta segunda-feira, e ele não resistiu.

Informações médicas apontaram trombose aguda em stents coronarianos, infarto agudo do miocárdio e choque cardiogênico. Bernal morreu sob escolta policial.

Da comunicação à política

Natural de Corumbá, Alcides Bernal era advogado e ganhou projeção pública como radialista e apresentador de televisão antes de disputar cargos eletivos.

Em 2004, foi eleito vereador de Campo Grande. Quatro anos depois, conquistou a reeleição como o candidato mais votado para a Câmara Municipal.

Bernal chegou à Assembleia Legislativa nas eleições de 2010. O mandato estadual, porém, foi interrompido após sua vitória na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, em 2012.

A eleição encerrou cerca de duas décadas de domínio do então PMDB no Executivo municipal. A administração, no entanto, enfrentou conflitos constantes com a Câmara de Vereadores, dificuldades de articulação política e uma grave epidemia de dengue.

Cassação e retorno à prefeitura

Em março de 2014, Bernal tornou-se o primeiro prefeito cassado da história de Campo Grande. A Câmara Municipal aprovou sua saída sob acusações de irregularidades em contratos emergenciais, remanejamento de recursos sem autorização legislativa e falta de transparência administrativa.

O vice-prefeito Gilmar Olarte assumiu o cargo. Após uma longa disputa judicial, Bernal retornou à prefeitura em agosto de 2015, por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Ele concluiu o mandato e tentou a reeleição em 2016, mas terminou a disputa em terceiro lugar. Posteriormente, buscou concorrer a deputado federal, mas teve a candidatura considerada inapta em razão de inelegibilidade.

Processo por homicídio

A trajetória política de Bernal teve seu último capítulo marcado pelo processo relacionado à morte de Roberto Mazzini. Segundo a denúncia, o auditor foi ao imóvel que havia arrematado em leilão, acompanhado de um chaveiro, para tomar posse da propriedade.

No local, Mazzini foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu. Bernal se apresentou espontaneamente à polícia e permaneceu preso preventivamente desde então.

A Justiça negou os pedidos de liberdade apresentados pela defesa, inclusive em instâncias superiores. No fim de junho, Bernal foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri.

Ele responderia por homicídio qualificado, com as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do aumento de pena em razão da idade de Mazzini. Também havia acusação por porte ilegal de arma de fogo.

Com a morte de Bernal antes do julgamento, o processo deverá ser encerrado em relação a ele após o reconhecimento formal da extinção da punibilidade.


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