Política / Luto
Alcides Bernal morre aos 60 anos após agravamento de quadro cardíaco em Campo Grande
Ex-prefeito estava internado na Santa Casa sob escolta policial e morreu na véspera de completar 61 anos
13/07/2026
06:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Jesus Peralta Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, após apresentar nova piora em seu quadro cardíaco. Ele estava internado na Santa Casa da Capital e completaria 61 anos nesta terça-feira (14). A morte foi confirmada pelo advogado Wilton Acosta e pela Polícia Militar, responsável pela escolta hospitalar.
Bernal enfrentava problemas graves de saúde desde o início de julho, quando sofreu um infarto enquanto estava recolhido no Presídio Militar Estadual Fidelcino Rodrigues, no Complexo Penal do Jardim Noroeste. Ele foi levado ao hospital e submetido a cateterismo, permanecendo em estado considerado grave.
Após receber alta hospitalar, o ex-prefeito retornou à unidade prisional. Pouco tempo depois, voltou a passar mal e precisou ser novamente encaminhado à Santa Casa. Segundo informações repassadas pela defesa, Bernal havia realizado procedimentos para desobstrução das artérias e implantação de stents.
Na noite de sábado (11), ele apresentou novo mal-estar e foi internado em uma área destinada a pacientes em estado crítico. Bernal permanecia sob custódia e acompanhamento da Polícia Militar quando morreu.
O ex-prefeito estava preso desde 24 de março de 2026, quando se apresentou à polícia após a morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, atingido por disparos em um imóvel localizado no Jardim dos Estados, em Campo Grande.
O imóvel havia sido arrematado por Mazzini em leilão judicial. Conforme a investigação, ele foi ao endereço acompanhado de um chaveiro para tomar posse da propriedade quando ocorreu o confronto. A defesa de Bernal sustentava que ele teria agido em legítima defesa.
No fim de junho, o juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, determinou que Bernal fosse levado a julgamento popular. Ele respondia por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo e outros delitos relacionados ao episódio. A prisão preventiva foi mantida na decisão de pronúncia.
Com a morte do réu antes da realização do julgamento, o processo criminal contra ele deverá ser encerrado após a Justiça reconhecer formalmente a extinção da punibilidade, conforme prevê a legislação penal.
Natural de Corumbá, Bernal construiu sua projeção pública como advogado, radialista e apresentador de televisão. Ingressou na política eleitoral em 2004, quando conquistou uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande, sendo reeleito quatro anos depois.
Em 2010, foi eleito deputado estadual. Deixou o mandato para disputar a Prefeitura de Campo Grande em 2012, vencendo o segundo turno com 62,55% dos votos válidos.
Bernal tomou posse em 1º de janeiro de 2013, mas teve o mandato cassado pela Câmara Municipal em março de 2014, por 23 votos a 6. O vice-prefeito Gilmar Olarte assumiu o comando do município.
Após uma longa disputa judicial, Bernal foi reconduzido à prefeitura em agosto de 2015 e concluiu o mandato em dezembro de 2016. Naquele ano, tentou a reeleição, mas terminou o primeiro turno na terceira colocação, com 111.128 votos, ficando fora da disputa final.
A morte encerra uma trajetória marcada por forte presença no rádio e na televisão, passagem pelo Legislativo municipal e estadual e um dos períodos mais conturbados da história política recente de Campo Grande.
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