Infraestrutura / Integração
Ponte Bioceânica entra na reta final e deve ser unida até o fim de junho
Estrutura de US$ 100 milhões está a 5,60 metros da ligação definitiva entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta
11/06/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Ponte Internacional Bioceânica está a poucos metros de alcançar um dos momentos mais importantes da integração entre Brasil e Paraguai. Com apenas 5,60 metros separando as duas frentes de construção, a obra deve ter a ligação física concluída ainda neste mês, sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no lado paraguaio.
O encontro das estruturas, conhecido na engenharia como o “beijo das aduelas”, está previsto para ocorrer no dia 26 de junho, caso o cronograma seja mantido. A etapa marca a união dos segmentos de concreto que avançam simultaneamente a partir das margens brasileira e paraguaia.
Mais do que a conclusão de uma fase da obra, o momento simboliza a materialização de um projeto esperado há décadas. A ponte é considerada peça central da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que pretende ligar o Brasil aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile.
Nesta quinta-feira (11), a reportagem acompanhou o avanço dos trabalhos no canteiro de obras. A estrutura já permite visualizar a dimensão do empreendimento e o impacto que a ligação deverá provocar na logística, no comércio exterior e no desenvolvimento regional.
Sob coordenação do engenheiro paraguaio René Gomés, a execução segue dentro do planejamento. Caso ocorram ajustes operacionais nos próximos dias, a conexão definitiva entre as duas margens ainda deverá ser concluída até o fim de junho.
Financiada pela Itaipu Binacional, a ponte recebe investimento aproximado de US$ 100 milhões. A estrutura terá 1.294 metros de extensão e será o principal elo físico da rota internacional voltada ao escoamento da produção sul-americana.

Com a nova ligação, Porto Murtinho deve assumir posição estratégica no comércio continental. O município, localizado na fronteira com o Paraguai, passará a ser uma das portas de entrada da produção brasileira para o corredor que encurta o caminho até o Pacífico.
Além da ponte, as obras complementares também avançam nos dois países. No lado paraguaio, os acessos somam aproximadamente quatro quilômetros até a rodovia PY-15, com execução de aterros hidráulicos. No lado brasileiro, as intervenções abrangem 13,1 quilômetros, incluindo viadutos, terraplenagem e estruturas de conexão com a malha rodoviária nacional.
A expectativa é que a obra reduza distâncias, amplie a competitividade logística e fortaleça o fluxo de mercadorias entre os países envolvidos na rota. Para Mato Grosso do Sul, a ponte representa uma mudança histórica no papel econômico do Estado, especialmente para a região sudoeste.
A cada novo segmento instalado, a obra deixa de ser apenas uma promessa de integração e se aproxima da operação real. Quando as duas extremidades se encontrarem, estará concluída uma etapa decisiva para transformar Porto Murtinho em referência logística internacional.
A contagem regressiva entrou na fase final. Em poucos dias, o concreto que avança do Brasil deve encontrar o concreto que vem do Paraguai. Com isso, a Ponte Bioceânica passará a representar, de forma concreta, a aproximação entre povos, mercados e países que há décadas aguardam por uma nova ligação sul-americana.
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