Campo Grande (MS), Quinta-feira, 23 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

Em Campo Grande, Renan Santos promete reforma fiscal e ofensiva contra facções

Pré-candidato do Missão defendeu atuação das Forças Armadas na fronteira, cortes de R$ 3 trilhões e confirmou que partido não terá candidato ao governo de MS

23/07/2026

16:30

DA REDAÇÃO

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Em passagem por Campo Grande, o pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, apresentou nesta quinta-feira, 23 de julho, as principais propostas que pretende levar à campanha nacional. O enfrentamento ao crime organizado, a redução das despesas públicas e a ampliação dos investimentos em infraestrutura dominaram o discurso do presidenciável.

Fundador do Movimento Brasil Livre, o MBL, Renan escolheu Mato Grosso do Sul para encerrar uma agenda de pré-campanha pelo Centro-Oeste. Aos 42 anos, ele afirmou que a posição geográfica do Estado exige uma política específica de segurança, principalmente por causa do tráfico internacional de drogas nas regiões de fronteira.

Durante entrevista coletiva em um hotel da região central da Capital, o candidato defendeu uma atuação conjunta das Forças Armadas, da Polícia Federal e das polícias estaduais. Também confirmou que o Missão lançará candidatos ao Legislativo, mas não terá nome próprio na disputa pelo governo sul-mato-grossense.

“É um Estado que padece muito dos problemas de fronteira, envolvendo drogas e crime organizado. Não é culpa de vocês, é muito do fluxo que envolve essas questões de fronteira, mas vocês acabam sofrendo parte das consequências”, afirmou.

Fronteira será prioridade na área de segurança

A segurança pública foi o tema central da coletiva. Renan afirmou que o Brasil enfrenta uma situação que classificou como guerra contra as facções e disse que o governo federal precisaria reconhecer essa dimensão para reorganizar a política de combate ao crime.

Segundo ele, Mato Grosso do Sul integra uma das principais rotas de entrada de drogas no país. O pré-candidato citou a chamada Rota Caipira, utilizada para transportar entorpecentes até o Porto de Santos, em São Paulo, de onde parte da carga seria enviada ao exterior.

“Boa parte da droga que entra pelo Mato Grosso do Sul passa pela famosa Rota Caipira e para no Porto de Santos, onde ela é exportada pelo PCC. Ou seja, uma atividade multimilionária do PCC se inicia aqui”, declarou.

Entre as medidas defendidas estão o reforço da presença das Forças Armadas na faixa de fronteira, operações ampliadas da Polícia Federal e maior integração entre as polícias militares dos estados atingidos pela rota do tráfico.

“As Forças Armadas vão ter que atuar na fronteira, a Polícia Federal vai poder fazer grandes operações e as polícias militares estaduais vão atuar nos municípios”, disse.

O candidato também propôs uma intervenção federal no Porto de Santos, considerado por ele um ponto estratégico da logística das organizações criminosas.

Além de Mato Grosso do Sul, Renan citou o Ceará como exemplo de estado onde facções teriam avançado sobre municípios e comunidades inteiras. Para enfrentar situações semelhantes, ele defendeu o uso de instrumentos como a Garantia da Lei e da Ordem, a GLO, e o Estado de Defesa em áreas consideradas dominadas pelo crime organizado.

O pré-candidato afirmou ainda que pretende enviar ao Congresso uma proposta baseada no conceito do chamado Direito Penal do Inimigo, modelo jurídico que prevê tratamento mais rigoroso para integrantes de organizações criminosas.

“Em alguns lugares vou colocar tanto a GLO quanto o Estado de Defesa, eventualmente em municípios ou até bairros, para que a polícia possa agir de maneira muito enfática”, afirmou.

Bolsa Família seria mantido, mas com mudanças

Na área social, Renan descartou o encerramento do Bolsa Família, mas afirmou que pretende modificar a execução do programa. Segundo ele, o benefício deve continuar atendendo famílias em situação de vulnerabilidade, porém com mecanismos que estimulem a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho.

“O Bolsa Família vai ser mantido, especialmente para as pessoas que precisam de verdade”, declarou.

O presidenciável criticou o que considera uma dependência prolongada do programa e defendeu a criação de frentes de trabalho em parceria com estados e municípios, especialmente em obras de infraestrutura.

Pela proposta apresentada, adultos jovens e sem filhos que procurassem os Centros de Referência de Assistência Social, os Cras, receberiam primeiro a oferta de participação em programas de trabalho.

“Se um homem jovem ou uma mulher jovem, especialmente sem filhos, aparecer no Cras para pedir Bolsa Família, antes de tudo será oferecido um formulário para participar de uma frente de trabalho”, explicou.

Renan também criticou a possibilidade de ampliação do benefício para pessoas solteiras e afirmou que uma de suas prioridades seria reduzir a carga suportada pelos trabalhadores e contribuintes.

“Hoje existe um brasileiro que paga a conta. O entregador, o metalúrgico, o pequeno agricultor. Essa pessoa está pagando imposto para sustentar não só a máquina pública, mas eventualmente outras pessoas”, afirmou.

Proposta prevê corte de R$ 3 trilhões em dez anos

Na economia, Renan apontou o desequilíbrio das contas públicas como o principal obstáculo ao crescimento. Segundo ele, o aumento das despesas reduz a eficácia da política de juros e limita a capacidade de investimento do setor privado.

O pré-candidato afirmou que o partido já protocolou uma proposta de emenda à Constituição com previsão de redução de R$ 3 trilhões nas despesas públicas ao longo de dez anos.

Entre as medidas defendidas estão uma nova reforma da Previdência, a revisão das vinculações constitucionais de recursos para saúde e educação, a desindexação de gastos obrigatórios e o corte de privilégios no funcionalismo público e no Judiciário.

“Vamos mexer nos superprivilégios que existem no Judiciário e no alto funcionalismo, assim como nas muitas renúncias fiscais concedidas para grandes empresas”, disse.

Na avaliação de Renan, a execução dessas medidas nos primeiros seis meses de governo abriria espaço para redução dos juros, retomada dos investimentos e ampliação do crédito.

Infraestrutura e agronegócio

O pré-candidato relacionou a recuperação econômica ao fortalecimento da infraestrutura nacional, com prioridade para estados produtores como Mato Grosso do Sul.

“Se houver reforma fiscal, queda dos juros e segurança jurídica, haverá investimento em massa em infraestrutura”, afirmou.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a expansão da malha ferroviária, a melhoria das rodovias, a modernização dos portos e o crescimento das redes de transmissão de energia.

Renan também defendeu maior segurança jurídica para grandes projetos e criticou decisões judiciais que, segundo ele, interrompem obras consideradas estratégicas.

“Não pode um promotor ir para cima de uma obra essencial de infraestrutura. Isso gera insegurança e impede que investimentos internacionais venham para o Brasil”, declarou.

O presidenciável afirmou que a redução dos gastos públicos poderia liberar mais capital para financiar o agronegócio.

“O agro precisa de financiamento. Financiamento depende de capital, e capital depende do governo gastar menos para abrir espaço ao investimento”, disse.

Missão não terá candidato ao governo de MS

Renan confirmou que o partido Missão não lançará candidato ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. A legenda concentrará seus esforços na montagem de chapas para deputado estadual e federal.

“Nós não vamos lançar candidato ao governo”, afirmou.

Segundo o presidenciável, a decisão faz parte da estratégia de consolidação do partido, criado recentemente. Ele também evitou indicar se a legenda apoiará algum candidato ao governo estadual.

“O partido é muito novo e tenho uma estratégia de marca. Se eu não tiver pessoas boas para determinada posição, não lançarei ninguém. Lançar por lançar é ruim para o partido e para o eleitor”, declarou.

Agenda inclui fronteira e interior

Durante a permanência no Estado, Renan pretende visitar cidades do interior e da região de fronteira. Segundo ele, a agenda será usada para apresentar experiências positivas, atividades econômicas e dificuldades enfrentadas pela população.

“Vamos para a fronteira, para o interior, para lugares muito bonitos e também para lugares feios. Vamos mostrar potencialidades, conquistas econômicas, inovações, mas também problemas sociais”, afirmou.

Ao listar as três primeiras medidas que adotaria caso fosse eleito, o candidato voltou a citar a reforma fiscal, o enfrentamento às facções criminosas e a criação de segurança jurídica para obras de infraestrutura.

Renan disse que pretende acompanhar pessoalmente as primeiras operações de segurança realizadas durante um eventual governo.

“Eu, como presidente da República, junto com meu vice e as lideranças das polícias militares, participarei das primeiras operações, tanto no Rio de Janeiro quanto no Ceará e aqui na fronteira do Mato Grosso do Sul, para mostrar aos policiais que eles não estarão abandonados”, declarou.

O pré-candidato afirmou ainda que pretende mobilizar a Advocacia-Geral da União para defender judicialmente projetos considerados estratégicos e evitar a paralisação de investimentos em infraestrutura.

“Estados como Mato Grosso do Sul precisam dessa infraestrutura para crescer”, concluiu.


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