Política / Eleições 2026
Centrão evita Lula e Flávio no primeiro turno e prioriza disputas pelo Congresso
Partidos devem liberar alianças estaduais para preservar candidaturas proporcionais e ampliar bancadas na Câmara e no Senado
23/07/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
Os principais partidos do chamado Centrão caminham para adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial de 2026. A tendência é que as convenções nacionais, realizadas até 5 de agosto, deixem as direções estaduais livres para formar alianças conforme a realidade política de cada região.
Com isso, legendas de centro devem evitar apoio formal tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. A prioridade será concentrar recursos, estrutura partidária e tempo de campanha nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado.
A estratégia busca impedir que uma aliança presidencial prejudique candidatos locais. Em estados onde Lula possui maior força eleitoral, especialmente no Nordeste, integrantes de partidos próximos ao bolsonarismo têm evitado declarações antecipadas de apoio a Flávio. Em outras regiões, ocorre o movimento inverso.
Parte das siglas ainda mantém espaços no governo federal, embora a participação no primeiro escalão tenha diminuído após o prazo de desincompatibilização. Mesmo assim, a presença na administração de Lula não deve resultar automaticamente em apoio à sua candidatura.
O PT concentrou a construção do palanque nacional em partidos mais próximos do campo da esquerda. Nos estados, porém, a legenda mantém negociações com lideranças de centro para ampliar a presença da campanha presidencial e fortalecer candidaturas regionais.
O Partido Liberal adotou uma estratégia mais direta para ampliar a coligação de Flávio Bolsonaro. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, procurou dirigentes do Progressistas, Republicanos e Podemos, mas não conseguiu fechar os apoios.
Valdemar reuniu-se com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e chegou a discutir a possibilidade de indicação para a vice-presidência. A parlamentar, no entanto, recusou a proposta.
Flávio Bolsonaro também procurou o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, mas o dirigente sinalizou a aliados que a federação deverá permanecer neutra para preservar as composições estaduais.
“Esse sempre foi o consenso da federação para que os estados fiquem livres para eleger o maior número de deputados”, afirmou um integrante da direção nacional do Progressistas ao portal Metrópoles.
O Republicanos chegou a avaliar nomes femininos para uma eventual candidatura a vice, mas as pesquisas internas não produziram um resultado considerado competitivo. Entre os nomes discutidos está o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, recém-filiada à legenda.
Apesar de agradar a Flávio Bolsonaro, Daniella enfrenta resistência dentro do próprio Republicanos e também entre integrantes do PL. Valdemar declarou que a escolha final caberá ao candidato presidencial e à família Bolsonaro.
A candidatura de Flávio deverá ser oficializada durante a Convenção Nacional do PL, marcada para sábado, 25 de julho, em São Paulo.
O MDB também deverá liberar seus diretórios estaduais e evitar uma aliança presidencial formal no primeiro turno. Movimento semelhante é discutido pelo Solidariedade e pelo Partido Renovação Democrática (PRD).
A neutralidade permitirá que cada legenda forme palanques diferentes pelo país. Em determinados estados, candidatos poderão se aproximar de Lula. Em outros, estarão ligados ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.
Essa flexibilidade é considerada fundamental para partidos que pretendem ampliar suas bancadas no Congresso e dependem de alianças locais para fortalecer chapas de deputados federais e estaduais.
Entre as principais siglas de centro, o PSD seguirá um caminho diferente. O partido terá candidatura própria à Presidência, com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como cabeça de chapa e o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice.
Mesmo com a chapa nacional, a direção do PSD não pretende obrigar os diretórios estaduais a construir palanques para Caiado. A sigla manterá autonomia regional e poderá se aproximar de grupos políticos distintos.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o pré-candidato ao governo Eduardo Paes (PSD) mantém relação política com Lula e não deverá oferecer palanque para Caiado. Em outros estados, dirigentes do partido possuem maior proximidade com grupos bolsonaristas.
A posição projetada para 2026 difere do cenário eleitoral de 2022. Naquele ano, PP e Republicanos integraram a coligação liderada pelo PL para tentar reeleger o então presidente Jair Bolsonaro.
Na disputa anterior, o MDB lançou Simone Tebet, enquanto o PDT apresentou Ciro Gomes e o União Brasil concorreu com Soraya Thronicke. No segundo turno, Simone apoiou Lula, mas o MDB liberou seus filiados. O PDT declarou apoio ao petista, enquanto o União Brasil permaneceu neutro.
A configuração de 2026 mostra que os partidos de centro estão menos dispostos a vincular suas estruturas estaduais a uma única candidatura presidencial. O objetivo principal é manter liberdade nas alianças e maximizar o desempenho nas eleições proporcionais.
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