Campo Grande (MS), Terça-feira, 21 de Julho de 2026

Eleições / Alianças

PDT oficializa apoio à reeleição de Lula e retoma aliança presidencial com o PT

Convenção nacional confirmou apoio ao presidente ainda no primeiro turno e reuniu dirigentes e pré-candidatos do partido em Brasília.

20/07/2026

20:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) oficializou nesta segunda-feira, 20 de julho, o apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. A decisão foi anunciada durante a convenção nacional da legenda, realizada em Brasília, com a presença do chefe do Executivo federal.

O anúncio marca a volta do PDT à aliança presidencial comandada pelo PT já no primeiro turno. Nas eleições de 2018 e 2022, o partido apresentou candidatura própria ao Palácio do Planalto, com Ciro Gomes, que deixou a legenda em outubro de 2025 e ingressou no PSDB

A convenção foi conduzida pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e reuniu parlamentares, dirigentes e pré-candidatos aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados. O encontro também serviu para discutir as alianças eleitorais e a estratégia partidária para o pleito de outubro. 

Lula diz estar preparado para nova disputa

Durante o evento, Lula afirmou estar motivado para enfrentar mais uma campanha presidencial. Aos 80 anos, o petista declarou que se considera mais preparado do que quando venceu sua primeira eleição para a Presidência da República, em 2002.

“Eu tenho 80 anos de idade e hoje estou mais motivado e mais preparado do que quando eu tinha 57 anos e fui eleito pela primeira vez”, afirmou. 

Em seu discurso, o presidente também defendeu a união dos partidos de esquerda e afirmou que o campo político não pode permitir o retorno de grupos que classificou como negacionistas e de extrema direita ao comando do país.

Lula ainda recordou a relação política com o fundador do PDT, Leonel Brizola, marcada por disputas eleitorais, divergências públicas e momentos de aproximação.

“Mesmo quando eu e Brizola brigávamos, a gente nunca deixou de ser amigo”, declarou o presidente.

Os dois foram adversários na disputa presidencial de 1989 e estiveram juntos na eleição de 1998, quando Brizola concorreu como vice na chapa de Lula, derrotada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Lupi defende coerência política

Antes da convenção, Carlos Lupi já havia antecipado que o PDT apoiaria a reeleição de Lula. Segundo o dirigente, a decisão representa uma escolha de coerência com o campo popular, trabalhista e democrático.

A direção partidária também avaliou que a polarização da disputa presidencial reduziu o espaço político para o lançamento de uma candidatura própria.

O apoio vinha sendo articulado desde o início do ano. Em março, Lupi participou de reuniões com os presidentes nacionais do PT, Edinho Silva, e do PSB, João Campos, para consolidar uma frente em torno da reeleição presidencial. 

PDT volta à coligação petista

A decisão modifica a estratégia adotada pelo PDT nas duas eleições presidenciais anteriores.

Em 2018 e 2022, a legenda lançou Ciro Gomes ao Planalto. Agora, sem um nome próprio para a Presidência, o partido volta a integrar a aliança nacional do PT desde o início da campanha.

A formalização ocorreu no primeiro dia do período permitido pela legislação para a realização das convenções partidárias, que segue até 5 de agosto

Outras legendas da base governista também deverão oficializar apoio a Lula. O PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, e a federação formada por PSOL e Rede são apontados como integrantes da composição. PV e PCdoB já integram a federação partidária com o PT. 

Partido apresenta nomes para disputas estaduais

A convenção também deu espaço aos principais pré-candidatos do PDT nos estados.

Para os governos estaduais, participaram nomes como Requião Filho, no Paraná, e Juliana Brizola, no Rio Grande do Sul.

Na disputa pelo Senado, estiveram presentes Marília Arraes, pré-candidata por Pernambuco; Weverton Rocha, no Maranhão; Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei, pelo Distrito Federal; e Acir Gurgacz, em Rondônia.

Também acompanharam o encontro Roberto Requião, pré-candidato a deputado federal pelo Paraná; os deputados federais André Figueiredo, Mário Heringer e Félix Mendonça; a deputada estadual Martha Rocha; e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, também participou da convenção. A pasta foi comandada por Carlos Lupi até maio de 2025, quando o dirigente deixou o governo federal.

Acordos estaduais serão negociados separadamente

Embora a aliança presidencial esteja definida, as composições entre PT e PDT nos estados não serão obrigatoriamente iguais à formação nacional.

As direções partidárias decidiram que os palanques regionais serão negociados pelos diretórios locais, considerando as disputas pelos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.

A estratégia permite que os dois partidos estejam juntos na campanha presidencial, mas adotem caminhos distintos em determinados estados onde existam candidaturas ou interesses eleitorais incompatíveis.

Com a convenção, o PDT tornou-se uma das primeiras legendas a confirmar oficialmente apoio à tentativa de Lula de conquistar um novo mandato. A definição amplia a base partidária do presidente e inicia formalmente a organização da coligação que disputará as eleições de 2026.


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