Campo Grande (MS), Domingo, 12 de Julho de 2026

Artigo / Opinião

Férias escolares: tempo de incentivo à leitura

12/07/2026

07:00

WILSON AQUINO

WILSON AQUINO*

Em pleno período de férias escolares, os pais têm uma valiosa oportunidade de incentivar os filhos à leitura e ajudá-los a ser fisgados por um hábito que pode fazer profunda diferença em suas vidas. Mesmo sendo um tempo de descanso das atividades escolares, é importante que crianças e adolescentes tenham uma rotina equilibrada, para que não passem a maior parte do dia diante de telas e aparelhos conectados à internet.

A leitura transforma. Mais do que isso: ela transporta o leitor para mundos, épocas e situações inimagináveis. Um bom livro desperta a imaginação, aguça a sensibilidade, amplia o vocabulário, estimula o raciocínio e provoca emoções diversas. A cada página virada, a criança não apenas acompanha uma história, mas também desenvolve sua capacidade de pensar, sentir e compreender melhor a vida e as pessoas.

O gosto pela leitura costuma nascer dentro de casa, com a presença amorosa do pai, da mãe ou de alguém da família. Isso pode acontecer não apenas na hora de dormir, mas em qualquer momento do dia, quando um adulto se dispõe a ler uma boa história com entusiasmo, emoção e criatividade. Quando a narrativa vem acompanhada de expressões, suspense e envolvimento, a criança percebe que, dentro daquelas páginas, existe um universo fascinante à sua espera.

Esse contato inicial é decisivo. É nesse momento que os pequenos começam a associar o livro a algo prazeroso, encantador e significativo. Depois, quando aprendem a ler por si mesmos, é fundamental que tenham acesso a bons livros, adequados à sua idade e aos seus interesses, para que possam descobrir sozinhos as emoções, os aprendizados e as descobertas que as palavras oferecem.

Quem adquire cedo o hábito da leitura geralmente carrega esse tesouro por toda a vida. Ler ajuda a disciplinar o tempo, fortalece a concentração, desenvolve o senso crítico e prepara melhor a criança para os desafios da escola, da profissão e da convivência em sociedade. Uma criança leitora tende a se expressar melhor, escrever com mais clareza e compreender com maior profundidade o mundo ao seu redor.

Não é por acaso que sempre carrego comigo alguns livros para presentear crianças e adolescentes, incentivando-os a seguir firmes nesse caminho. Entre eles estão O Pequeno Príncipe e O Homem que Calculava, de Malba Tahan, obras que encantam, ensinam e despertam reflexões valiosas.

Com esse mesmo propósito, criei em minha comunidade religiosa o Prêmio Jovem SUD de Leitura, iniciativa que premiou, nos anos de 2023 e 2025, crianças, jovens e adolescentes que mais leram livros ao longo do ano. No mês de dezembro, cada participante, com a supervisão dos pais, apresentou um relatório com os títulos lidos, um resumo de cada obra e sua impressão pessoal sobre as leituras. O resultado foi extraordinário e mostrou, na prática, como o incentivo certo pode gerar frutos duradouros.

Faço questão de registrar alguns dos nomes que se destacaram nesse belo desafio: os irmãos João Pedro, Anna Luiza e Maria Fernanda Danelon Medina, além de Isabela Lima Nunes, Giovane e Vinícius Gomes Cardoso e Lorenzo dos Santos Palma, entre outros. São exemplos concretos de que, quando há estímulo, acompanhamento e propósito, muitos jovens respondem de forma admirável.

A repercussão do prêmio foi tão positiva que Júlia Palma e Isabela Nunes criaram um Clube do Livro, aberto a pessoas da comunidade, para leitura e discussão das obras escolhidas pelo grupo. Trata-se de mais uma prova de que o incentivo à leitura produz bons frutos, aproxima pessoas, fortalece vínculos e cria ambientes saudáveis de aprendizado e convivência.

Guardo com emoção as lembranças das madrugadas da infância em que nosso despertador tocava às 4h em nossa casa para que eu e meu irmão, Rubens Aquino, também jornalista, professor e escritor, nos levantássemos junto com nosso pai, Manoel Dantas de Oliveira, na época ainda um jovem marinheiro. Ele nos acompanhava à mesa de estudos, onde tínhamos a opção de ler livros de aventura, mistério, romance ou mesmo os livros didáticos. Isso acontecia todos os dias, exceto nos fins de semana.

Sou profundamente grato ao meu querido pai por aquela iniciativa e também pelo esforço de comprar livros para que Rubens e eu pudéssemos descobrir os maravilhosos e incontáveis mundos da imaginação proporcionados pela boa leitura. Aquele incentivo, recebido dentro de casa, certamente ajudou a moldar nossa formação pessoal, intelectual e profissional.

Que os pais destes tempos modernos e apressados encontrem também maneiras de despertar nos filhos o amor pelos livros. Ler não é apenas um passatempo útil. É um hábito nobre, formador e transformador, que enriquece o espírito, fortalece a inteligência e pode fazer grande diferença na vida escolar, profissional e humana de uma pessoa.

*Jornalista, professor e escritor.


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