Justiça / Investigação
Mendonça manda apreender passaporte de publicitário ligado ao Caso Master
Polícia Federal apontou risco de fuga de Thiago Miranda, investigado por suposta atuação digital para atacar a credibilidade do Banco Central
11/07/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado, 11 de julho, a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, investigado no âmbito do Caso Master. A decisão também proíbe que ele deixe o Brasil e atende a um pedido da Polícia Federal (PF).
Relator do caso no STF, Mendonça acolheu o argumento da PF de que havia risco concreto de fuga. Segundo os investigadores, Miranda tinha uma viagem marcada para Miami, nos Estados Unidos, na próxima segunda-feira, 13 de julho.
Além da apreensão do passaporte, o ministro proibiu a emissão de um novo documento de viagem em nome do publicitário. A decisão também estabelece que ele não poderá sair do território nacional. Em caso de descumprimento, Mendonça advertiu que poderá ser decretada a prisão preventiva.
Thiago Miranda é investigado por suspeita de coordenar uma rede de influenciadores que atuava nas redes sociais para desgastar a imagem do Banco Central (BC) durante as negociações envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB.
De acordo com a investigação, a estratégia teria o aval de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A apuração aponta que a rede buscava interferir no ambiente de opinião pública em torno do negócio, especialmente diante da atuação do Banco Central no processo.
Ao pedir a medida cautelar, a Polícia Federal afirmou ao STF que havia um “sério risco” de fuga do publicitário.
A corporação apresentou outros elementos para justificar o pedido. Entre eles estão as frequentes trocas de aparelhos celulares, o encerramento repentino das atividades da agência de comunicação ligada a Miranda e o cancelamento de uma viagem ao Rio de Janeiro na véspera da operação de busca e apreensão realizada pela PF na quinta-feira, 9 de julho.
Para os investigadores, esses fatos indicariam tentativa de dificultar o avanço da apuração ou de evitar novas diligências.
A PF também citou um contrato firmado entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro em 31 de março, após a prisão do dono do Banco Master. O documento previa a produção de um documentário sobre o Caso Banco Master.
Segundo a investigação, o projeto seria um desdobramento do chamado “Projeto DV”, descrito como uma estratégia de reconstrução da imagem do banco e de seu controlador.
Ainda conforme a PF, o plano teria passado a incluir o levantamento de informações privadas de jornalistas considerados críticos ao grupo. Esse ponto é tratado como uma das frentes sensíveis da investigação, por envolver possível tentativa de intimidação ou monitoramento de profissionais da imprensa.
Com a decisão de André Mendonça, Thiago Miranda passa a ficar impedido de viajar para fora do país enquanto durar a medida. A investigação segue em andamento no STF, sob relatoria do ministro, e ainda não há condenação contra o publicitário nesse procedimento.
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