Justiça / Investigação
TJMS mantém liberdade de cardiologista investigado após morte da esposa em Campo Grande
João Jazbik Neto segue fora da prisão, mas deve cumprir medidas cautelares enquanto Polícia Civil apura morte de Fabiola Marcotti
11/07/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) confirmou, por unanimidade, a liberdade do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, investigado após a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, encontrada com um tiro na cabeça em 18 de maio, em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
O médico já estava em liberdade desde 22 de maio, quando uma liminar substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. No julgamento definitivo do habeas corpus, a 1ª Câmara Criminal manteve a decisão anterior e confirmou que ele continuará respondendo em liberdade.
A prisão de João Jazbik Neto havia sido decretada por crimes relacionados à posse de armas e à suposta alteração da cena da ocorrência. Ele foi preso por posse irregular de arma de fogo de uso permitido, posse de arma de uso restrito e fraude processual. A prisão preventiva não foi decretada por feminicídio, embora essa hipótese também tenha passado a ser investigada pela Polícia Civil.
Segundo a apuração, após a morte de Fabiola Marcotti, um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal e levado para outro imóvel dentro da mesma propriedade. A polícia apontou que a mudança teria ocorrido por determinação do cardiologista, com auxílio do caseiro e de um ex-funcionário.
Ao analisar o habeas corpus, o TJMS reconheceu a existência de indícios de autoria e materialidade, além da preocupação concreta com a suposta alteração da cena. Mesmo assim, os desembargadores entenderam que os fundamentos da prisão preventiva perderam força, já que as armas e munições foram apreendidas e a perícia no local foi concluída.
O colegiado também considerou que a decisão original da prisão não demonstrou, de forma individualizada, por que medidas cautelares seriam insuficientes. Outro ponto levado em conta foi a ausência de registro de descumprimento das restrições impostas ao médico desde a concessão da liminar.
Com isso, a 1ª Câmara Criminal manteve a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares já fixadas.
Fabiola Marcotti foi encontrada morta na manhã de 18 de maio. Inicialmente, João Jazbik Neto afirmou que a esposa teria tirado a própria vida. Depois das primeiras diligências, porém, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) informou ter identificado divergências nos depoimentos e inconsistências entre o ferimento encontrado na vítima e a versão apresentada.
A partir dessas informações, a Polícia Civil passou a investigar o caso também sob a hipótese de possível feminicídio.
A defesa do cardiologista nega qualquer participação dele na morte da esposa. Já a família de Fabiola Marcotti rejeitou publicamente a hipótese de suicídio e afirmou, por meio de advogado, acreditar que a fisioterapeuta foi vítima de feminicídio.
Até o momento, o julgamento do habeas corpus tratou apenas da necessidade ou não de manutenção da prisão preventiva pelos crimes relacionados às armas e à suposta fraude processual. A investigação sobre a morte de Fabiola Marcotti continua em andamento.
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