Campo Grande (MS), Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

Michelle Bolsonaro diz que foi humilhada por Flávio em disputa interna do PL

Ex-primeira-dama relatou atrito com o senador após criticar articulação do partido com Ciro Gomes no Ceará

24/06/2026

16:30

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL, afirmou nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, que foi desrespeitada e humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, durante uma conversa por telefone sobre a estratégia eleitoral do partido no Ceará. O relato foi feito em vídeos publicados nas redes sociais.

Segundo Michelle, o atrito ocorreu após ela criticar a aproximação de lideranças do PL cearense com Ciro Gomes, do PSDB, para a disputa estadual. A ex-primeira-dama defende que a direita apoie a pré-candidatura do senador Eduardo Girão, do Novo, ao governo do Estado.

Nos vídeos, Michelle Bolsonaro afirmou que Flávio retornou uma ligação, mas que a conversa teria sido marcada por rispidez. De acordo com ela, o senador disse que seria melhor que ela ficasse fora das decisões partidárias e que ela “havia chegado ontem” à política.

A ex-primeira-dama classificou o episódio como uma humilhação e disse ter entendido, a partir da conversa, que seu apoio não era considerado relevante por Flávio Bolsonaro. Ela também afirmou que os dois não se falam desde o fim de 2025.

A divergência pública expõe uma crise dentro do campo bolsonarista, especialmente em torno da composição eleitoral no Ceará para 2026. Parte do grupo ligado ao PL no Estado defende uma aliança com Ciro Gomes já no primeiro turno, como forma de enfrentar o PT. Michelle, por outro lado, sustenta que eventual composição só deveria ser discutida em um segundo turno.

No vídeo, Michelle disse que sua posição não se baseia apenas em cálculo eleitoral, mas em coerência política. Ela relembrou declarações de Ciro Gomes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, e afirmou considerar contraditória uma aproximação com alguém que, segundo ela, teria contribuído para a inelegibilidade do ex-presidente.

A ex-primeira-dama também mencionou o deputado federal André Fernandes, do PL do Ceará, um dos articuladores da aproximação com Ciro. Em evento no Estado, no fim do ano passado, Michelle já havia criticado publicamente a negociação e chamado a aliança de precipitada.

Após esse episódio, segundo ela, os filhos de Jair Bolsonaro teriam reagido de forma coordenada nas redes sociais. Michelle afirmou que os textos publicados por eles eram parecidos e disse ter tido a impressão de uma ação combinada.

A ex-primeira-dama também rebateu críticas sobre sua experiência política. Ela destacou que preside nacionalmente o PL Mulher, percorreu o País, ajudou a organizar diretorias nos 26 estados e no Distrito Federal, e atribuiu à sua atuação a eleição de 1.005 mulheres em 2024.

Michelle negou que o conflito tenha relação com pressão por candidaturas, espaços internos ou pedidos de desculpas. Segundo ela, o ponto central é respeito e consideração dentro do partido e da família política de Jair Bolsonaro.

Em outro trecho, a ex-primeira-dama afirmou sofrer ataques frequentes de um grupo que estaria no exterior. Sem citar nomes diretamente, disse que algumas dessas pessoas aparecem em fotos com Flávio Bolsonaro e que as publicações tentam retirar dela o sobrenome Bolsonaro como forma de atingi-la.

Michelle também afirmou que sua filha adolescente, Laura, acompanha as publicações e sofre com o ambiente de ataques. Ela disse que os ataques não a atingem pessoalmente, mas questionou o impacto dessas ações sobre a filha.

As postagens tiveram forte repercussão nas redes sociais. Segundo dados citados nas publicações, os vídeos alcançaram cerca de 2 milhões de visualizações em aproximadamente duas horas, além de milhares de comentários, muitos deles em apoio à ex-primeira-dama.

A crise ocorre em um momento de reorganização do bolsonarismo para as eleições de 2026. Flávio Bolsonaro é tratado como pré-candidato à Presidência, enquanto Michelle mantém forte presença no eleitorado conservador, especialmente por meio do PL Mulher.

Até o momento, o episódio reforça a divisão interna sobre a estratégia eleitoral no Ceará e amplia o desgaste público entre lideranças próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A disputa, que começou em torno de uma aliança estadual, passou a revelar tensões maiores sobre influência, comando partidário e espaço político dentro do próprio PL.

Assista:

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