Justiça / Militar
STM rejeita pedido de Bolsonaro para afastar ministro de processo sobre perda de patente
Defesa alegava suspeição de Francisco Joseli Parente Camelo por declarações dadas em 2023 sobre militares investigados
24/06/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Superior Tribunal Militar rejeitou, por unanimidade, nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, para afastar o ministro Francisco Joseli Parente Camelo do processo que analisa a possível perda de seu posto e patente de capitão do Exército.
A defesa sustentava que o ministro não teria imparcialidade para participar do julgamento por causa de declarações feitas em 2023, quando comentou a possibilidade de punição de militares envolvidos nos atos golpistas daquele ano e em crimes relacionados.
O caso chegou ao plenário da Corte militar depois que a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, rejeitou de forma individual o pedido de suspeição apresentado pelos advogados de Bolsonaro. A defesa recorreu, mas os ministros mantiveram o entendimento da presidente.
Nas declarações citadas pela defesa, Francisco Joseli Parente Camelo afirmou, em entrevista ao UOL, que eventuais casos seriam julgados com respeito à Justiça, ao direito de defesa e ao contraditório. Ele também disse que, se ficasse comprovado o cometimento de crimes, haveria punição.
Ao negar o pedido, Maria Elizabeth Rocha avaliou que as falas do ministro estavam amparadas em uma lógica jurídica básica: eventual condenação só ocorre depois da apuração de responsabilidade penal, com garantia de contraditório e ampla defesa.
O processo no STM trata da permanência de Bolsonaro no oficialato do Exército. A análise ocorre após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado depois das eleições de 2022, tema que também gerou desdobramentos envolvendo outros militares.
Na mesma sessão, a Corte militar analisou recurso do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, também condenado por participação na tentativa de golpe. A defesa dele questionava decisão da ministra Verônica Abdalla Sterman, relatora do processo, sobre pedidos de produção de provas e diligências documentais.
Durante o julgamento, a ministra alterou parcialmente sua decisão. Ela autorizou que a defesa de Garnier apresente, no prazo de 10 dias, manifestações por escrito de testemunhas abonatórias. Também determinou que a Marinha envie registros funcionais, avaliações de desempenho e elogios pessoais do almirante para inclusão no processo.
Sobre o pedido de compartilhamento de provas pelo Supremo Tribunal Federal, Verônica Abdalla Sterman afirmou que a decisão caberá ao relator da ação penal relacionada à tentativa de golpe, ministro Alexandre de Moraes.
O entendimento da relatora prevaleceu com apoio de 10 dos 15 ministros do STM. A presidente da Corte, Maria Elizabeth Rocha, não votou nesse processo.
As decisões mantêm em andamento, na Justiça Militar, os procedimentos que discutem os efeitos das condenações sobre a situação funcional de militares e ex-militares. No caso de Bolsonaro, a Corte seguirá analisando se há elementos para eventual perda do posto e da patente de capitão.
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