Campo Grande (MS), Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Educação / Mobilização

Professores da Reme fazem ato no Centro e cobram reajuste de 5,4% em Campo Grande

Categoria paralisou atividades nesta sexta-feira e promete nova assembleia na segunda para avaliar possibilidade de greve

12/06/2026

09:00

DA REDAÇÃO

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Professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande realizaram, na manhã desta sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma manifestação no Centro da Capital para cobrar da Prefeitura a aplicação do reajuste de 5,4% previsto na política do Piso 20h. O ato reuniu centenas de profissionais da educação e provocou interdição no trânsito da Avenida Afonso Pena.

A mobilização começou em frente à ACP, Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública, na Rua Sete de Setembro. Por volta das 8h30, os manifestantes iniciaram caminhada pela Rua Rui Barbosa e seguiram depois pela Avenida Afonso Pena em direção à Prefeitura Municipal de Campo Grande.

Com bandeiras, faixas e cartazes, os professores reivindicaram a repactuação da lei do piso do magistério por 20 horas. A categoria afirma que o reajuste deveria ter sido aplicado na folha salarial, mas o pagamento de maio foi feito sem a correção.

O presidente da ACP, Gilvano Kunzler, afirmou que os profissionais pretendiam permanecer no Paço Municipal até serem recebidos pela prefeita Adriane Lopes (PP). Segundo ele, a categoria buscou diálogo com áreas da administração desde o início do ano para garantir o cumprimento da legislação federal e municipal.

“Desde o final de janeiro é sabido esse número, mas procuramos por algumas oportunidades junto à equipe da Secretaria de Gestão, Governo e Finanças para que a gente tivesse o cumprimento daquilo que está previsto tanto na lei federal como na municipal. O pagamento do mês de maio veio sem essa remuneração”, afirmou Gilvano Kunzler.

Para o professor de Artes Cláudio Ovando, de 52 anos, a mobilização cobra o cumprimento de um compromisso já assumido anteriormente. Segundo ele, a categoria se sente frustrada diante da ausência do reajuste.

“No ano passado a prefeita deu essa ideia de que ia repassar para a gente esse aumento e agora a gente está em busca daquilo que foi acordado. A gente fica revoltado por saber que tem uma promessa e um direito que não estão sendo cumpridos”, declarou o professor.

Após o anúncio da paralisação, a prefeita Adriane Lopes afirmou que os acordos precisam ser rediscutidos. Na última quarta-feira, 10 de junho, ela disse que a situação “desequilibrou todo o trabalho realizado anteriormente” e que as tratativas firmadas em 2025 precisam ser refeitas.

A chefe do Executivo municipal também afirmou que a fonte de recursos para o repasse do reajuste de 5,4% ainda depende de definição por parte do Governo Federal. Segundo Adriane, é necessário que a União indique a origem do recurso para que o município possa fazer o pagamento aos professores.

Por causa da paralisação, as escolas da Reme amanheceram fechadas nesta sexta-feira. A mobilização deixou sem aula cerca de 112 mil alunos da rede municipal durante o período do movimento.

De acordo com a ACP, as aulas devem voltar normalmente na segunda-feira, 15 de junho. No mesmo dia, às 18h, os professores voltam a se reunir em assembleia para avaliar o andamento das negociações e discutir a possibilidade de greve.

“Vamos esperar a resposta da prefeita, que a gente tem certeza que ela vai dar uma resposta, para que a gente possa avaliar com a categoria o avanço das negociações. Esperamos mais uma vez não ter necessidade para a categoria ser obrigada a optar por uma greve”, afirmou Gilvano Kunzler.

A manifestação reforça o impasse entre os profissionais da educação e a Prefeitura em torno da aplicação do reajuste. A categoria cobra o cumprimento da política do piso, enquanto o Executivo municipal defende a reabertura das negociações e a definição da fonte de pagamento.


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