Campo Grande (MS), Quarta-feira, 03 de Junho de 2026

Meio Ambiente / Saneamento

Saneamento avança em Mato Grosso do Sul e reforça proteção do Pantanal e do Cerrado

Ampliação da coleta e tratamento de esgoto reduz poluição hídrica, preserva biomas e fortalece ações ambientais no Estado

03/06/2026

14:00

DA REDAÇÃO

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Na Semana do Meio Ambiente, celebrada entre 1º e 5 de junho, Mato Grosso do Sul reforça a importância do saneamento básico como ferramenta estratégica para a preservação ambiental. A expansão dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto tem contribuído diretamente para reduzir a poluição de rios, córregos e nascentes, além de proteger biomas fundamentais como o Pantanal e o Cerrado.

Mais do que uma obra de infraestrutura urbana, o saneamento passou a ocupar papel central na conservação dos recursos hídricos e na melhoria da qualidade ambiental. No Estado, os avanços registrados nos últimos anos mostram como investimentos em esgotamento sanitário podem gerar impacto direto na saúde pública, na biodiversidade e na sustentabilidade das cidades.

Segundo Fernando Garayo, gerente de Meio Ambiente e Qualidade da Ambiental MS Pantanal e da Águas Guariroba, o setor se consolidou como aliado da preservação dos biomas sul-mato-grossenses.

“Durante muito tempo, o saneamento foi visto apenas como uma obra de infraestrutura ou um desafio ambiental. Hoje, ele se consolida como um aliado direto da preservação dos nossos biomas. Ao ampliar a coleta e o tratamento de esgoto, reduzimos a pressão sobre os recursos hídricos, protegemos bacias hidrográficas e fortalecemos o equilíbrio de ecossistemas sensíveis, como Pantanal e Cerrado. Em Mato Grosso do Sul, investir em saneamento também é investir em conservação ambiental”, afirmou.

No interior do Estado, os municípios atendidos pela Ambiental MS Pantanal já contam com mais de 81% de cobertura de saneamento. Desde 2021, mais de 131,4 bilhões de litros de esgoto deixaram de ser lançados sem tratamento em rios, córregos e nascentes.

Esse resultado é fruto da ampliação da rede de coleta e tratamento de efluentes, formada por 71 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e 229 Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs). A redução da carga poluente contribui para recuperar a qualidade da água e preservar a biodiversidade em regiões ambientalmente sensíveis.

Em Campo Grande, o sistema de esgotamento sanitário também tem papel relevante na proteção ambiental. Todo o esgoto coletado passa por tratamento antes de retornar ao meio ambiente, sob operação da Águas Guariroba.

Atualmente, a Capital conta com duas estações de tratamento, a ETE Los Angeles e a ETE Imbirussu, responsáveis por assegurar que os efluentes tratados atendam aos padrões ambientais antes de serem devolvidos aos corpos d’água.

Para acompanhar o crescimento urbano e ampliar a capacidade do sistema, está prevista ainda para junho a entrada em operação da ETE Botas. A nova estação terá capacidade para tratar mais de 600 milhões de litros de esgoto por ano, reforçando a proteção dos mananciais e a qualidade ambiental da cidade.

Os dados colocam Mato Grosso do Sul em posição de destaque quando comparado ao cenário global. Relatórios da Unesco apontam que, no mundo, menos de 20% da água residual recebe tratamento antes de retornar à natureza, situação que agrava a degradação de rios e ecossistemas aquáticos.

Tratamento reduz impactos nos rios

O tratamento adequado do esgoto reduz a carga poluente lançada no meio ambiente e melhora a oxigenação da água. Isso ajuda a evitar processos como a eutrofização, fenômeno provocado pelo excesso de matéria orgânica, que estimula a proliferação de algas, reduz o oxigênio disponível e pode provocar a morte de peixes e outras espécies aquáticas.

A engenheira química Larissa Rigo explica que indicadores como o oxigênio dissolvido e a demanda bioquímica de oxigênio são fundamentais para avaliar a qualidade da água.

“Parâmetros como o oxigênio dissolvido indicam se a água consegue sustentar a vida aquática, enquanto a demanda bioquímica de oxigênio aponta o nível de poluição por matéria orgânica. Quando o esgoto é lançado sem tratamento, essa carga aumenta, reduz o oxigênio disponível e impacta diretamente as espécies, ocasionando fenômenos como a eutrofização”, afirmou.

Em um Estado que abriga biomas estratégicos e espécies emblemáticas, como a ariranha, a qualidade da água é essencial para manter o equilíbrio ambiental. O cuidado com os efluentes também protege a vegetação nativa, as matas ciliares e os habitats que dependem diretamente dos recursos hídricos.

Educação ambiental no interior

No interior de Mato Grosso do Sul, a Ambiental MS Pantanal, por meio da parceria público-privada com o Governo do Estado e a Sanesul, tem ampliado o papel do saneamento como vetor de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

A concessionária integra o Programa de Educação Ambiental da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, em parceria com a AGEMS e a Sanesul. A iniciativa promove conteúdos educativos, capacitação de professores e visitas às estações de tratamento, aproximando estudantes e comunidades do ciclo do saneamento.

Também são realizadas ações com agentes de saúde e de combate a endemias, voltadas à conscientização sobre o uso correto da rede de esgoto. A proposta é reduzir impactos ambientais, evitar ligações irregulares e prevenir a contaminação dos corpos hídricos.

Em Corumbá, município localizado no coração do Pantanal, moradores já reconhecem a relação direta entre saneamento e proteção do bioma. A moradora Adrielly Ribeiro, do bairro Nova Corumbá, afirma que o tratamento de esgoto traz mais segurança ambiental para quem vive na região.

“Aqui em Corumbá, a gente vive no coração do Pantanal e tem uma conexão muito forte com a natureza. Saber que o esgoto é tratado antes de retornar para o meio ambiente traz segurança, porque a gente sabe que isso ajuda a proteger os rios, os animais e todo o equilíbrio do bioma que faz parte da nossa vida e está no quintal da nossa casa”, disse.

Campo Grande reduz perdas e investe em reflorestamento

Na Capital, além do tratamento de esgoto, o controle de perdas de água também aparece como parte da estratégia ambiental. Segundo dados do Instituto Trata Brasil (2026), a Águas Guariroba está entre as concessionárias com os menores índices de perdas de água do país.

No levantamento, Campo Grande aparece na segunda posição do ranking nacional, com índice de perdas de 19,55%. A redução desse indicador contribui para diminuir a captação de recursos naturais e tornar o uso da água mais eficiente.

Outra frente ambiental é a recuperação de áreas degradadas e a recomposição da vegetação nativa. Mantido pela Águas Guariroba em conjunto com a Ambiental MS Pantanal, o Viveiro Isaac de Oliveira produz mudas de espécies nativas do Cerrado para ações de reflorestamento e proteção de mananciais.

Criado para apoiar a recuperação das bacias dos córregos Guariroba e Lageado, o viveiro já produziu e doou mais de 600 mil mudas. As plantas são destinadas a projetos de recuperação de matas ciliares, reflorestamento e arborização urbana.

Com capacidade atual de até 80 mil mudas por ano, a iniciativa passou a atender também demandas do interior do Estado, ampliando o impacto ambiental para além de Campo Grande. O plantio das espécies contribui para proteger o solo, conservar a água e manter a biodiversidade.

Infraestrutura verde para os biomas

As iniciativas desenvolvidas na Capital e no interior integram uma atuação mais ampla da Aegea Saneamento em Mato Grosso do Sul. A companhia trabalha com foco na ampliação do acesso ao saneamento, aliada à gestão sustentável dos recursos naturais.

Entre as práticas adotadas estão eficiência no uso da água, redução de perdas, reaproveitamento de resíduos e investimento em fontes de energia limpa. A estratégia posiciona o saneamento como uma agenda ambiental estruturante para o Estado.

Fundada em 2010, a Aegea está presente em mais de 890 municípios, distribuídos em 15 estados brasileiros, atendendo mais de 39 milhões de pessoas e contando com mais de 25 mil colaboradores.

Nesse contexto, o saneamento se consolida como uma espécie de infraestrutura verde, capaz de reduzir a poluição, recuperar ecossistemas e proteger os recursos naturais. Em Mato Grosso do Sul, o avanço da coleta e do tratamento de esgoto reforça a preservação do Pantanal, do Cerrado e das bacias hidrográficas que sustentam a vida no Estado.


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