Economia / Logística
Bracell avalia uso da hidrovia Paraná-Tietê para escoar produção da nova fábrica de celulose em Bataguassu
Projeto da quinta megafábrica do setor em Mato Grosso do Sul prevê alternativa logística mais competitiva e com menor emissão de poluentes
29/03/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A futura unidade da Bracell em Bataguassu, no leste de Mato Grosso do Sul, poderá contar com uma nova estratégia logística para o transporte de madeira e de celulose. A empresa, controlada pelo grupo indonésio Royal Golden Eagle (RGE), estuda utilizar a hidrovia Paraná-Tietê para movimentar parte da produção prevista para a fábrica, que terá capacidade anual de até 2,9 milhões de toneladas. Texto-base consultado:
A proposta inicial envolve o envio de eucalipto por embarcações até a unidade da companhia em Lençóis Paulista (SP). Caso essa operação se mostre eficiente, a avaliação interna é ampliar o modelo também para o transporte da celulose produzida em Bataguassu. A informação foi atribuída ao secretário Jaime Verruck, da área de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em declarações reproduzidas no material de origem.
Hoje, parte da madeira cultivada ou adquirida pela empresa em Mato Grosso do Sul ainda é levada por caminhões até a planta paulista, em um trajeto rodoviário de aproximadamente 450 quilômetros. A alternativa em estudo prevê a substituição dessa estrutura por barcaças, com saída nas proximidades de Bataguassu, navegação pelo Rio Paraná, transposição da barragem de Jupiá por meio da eclusa e continuidade do percurso até a foz do Rio Tietê, seguindo depois para um terminal intermodal em Pederneiras (SP), a cerca de 35 quilômetros da fábrica em Lençóis Paulista.
Se a hidrovia comprovar viabilidade operacional e econômica, a empresa poderá também escoar a celulose por esse corredor até o interior paulista e, de lá, encaminhar a carga por ferrovia ao porto de Santos, em um trecho adicional de aproximadamente 550 quilômetros sobre trilhos. A análise considera os custos dos transbordos, mas a navegação interior é vista como alternativa mais competitiva que o modal rodoviário e com redução estimada de até 80% nas emissões de CO. Por outro lado, há preocupação com períodos de estiagem, como os registrados no início de 2026, que podem comprometer momentaneamente a operação da hidrovia.
Caso o transporte fluvial não se confirme, a tendência é que a produção da nova fábrica seja deslocada por cerca de 300 carretas por dia até a Ferronorte, em Aparecida do Taboado, num trajeto de aproximadamente 270 quilômetros, antes de seguir por ferrovia até Santos. Outra possibilidade mencionada é levar a carga até o terminal da própria Bracell em Lençóis Paulista, em um percurso estimado em 460 quilômetros. Além das carretas destinadas ao escoamento da celulose, outras 500 devem circular diariamente para suprir a fábrica com madeira e insumos.
Os estudos ambientais indicam que a planta deverá consumir, por ano, cerca de 12 milhões de metros cúbicos de madeira, volume equivalente à produção de aproximadamente 50 mil hectares de eucalipto. A nova indústria está orçada em R$ 16 bilhões, mas a licença de instalação ainda não foi oficialmente solicitada. A expectativa inicial era de liberação até o fim de março, porém o pedido formal ainda dependia, segundo o texto-base, de definições relacionadas ao local exato do empreendimento. Depois de protocolado, o processo de análise final pelo governo estadual poderá levar cerca de 60 dias.
Se o cronograma não sofrer novos atrasos, as obras devem começar no segundo semestre de 2026 e seguir por cerca de 38 meses, com conclusão projetada para o fim de 2029. A unidade será implantada às margens da BR-267, a cerca de nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre o município e o lago da usina de Porto Primavera. Esse reservatório também poderá desempenhar papel logístico no futuro e será a fonte da captação hídrica necessária à operação industrial. A previsão é retirar 11 milhões de litros de água por hora, com devolução de cerca de 9 milhões de litros após tratamento.
No auge da construção, o empreendimento poderá gerar até 12 mil empregos. Após o início das operações, a estimativa é de cerca de 2 mil postos de trabalho permanentes. Em anos sem paralisações de manutenção, a produção poderá atingir 2,9 milhões de toneladas de celulose, com possibilidade de fabricação de celulose solúvel, matéria-prima usada na indústria têxtil, em produtos de higiene, alimentos, fármacos e itens químicos.
Além da celulose, a planta deverá produzir energia suficiente para o próprio consumo e ainda gerar excedente para o sistema elétrico. No entanto, um dos principais gargalos do projeto segue sendo a infraestrutura de transmissão. A empresa depende de avanços ligados à implantação de uma subestação em Ivinhema, a cerca de 155 quilômetros da futura unidade, além de novos investimentos para viabilizar o transporte da energia excedente. Para entrar em funcionamento, a fábrica precisará inicialmente de 66 megawatts e, depois de operando, poderá gerar cerca de 400 megawatts, com metade desse volume destinada à rede.
Com a instalação da Bracell em Bataguassu, Mato Grosso do Sul passará a abrigar sua quinta fábrica de celulose. O Estado já conta com unidades da Suzano e da Eldorado em Três Lagoas, além da operação da Suzano em Ribas do Rio Pardo. Também está em andamento a implantação da fábrica da Arauco em Inocência, com capacidade anunciada de 3,5 milhões de toneladas por ano.
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