Política / Justiça Eleitoral
TRE-MS julgará recursos sobre fraude à cota de gênero, compra de votos e abuso de poder eleitoral
Sessões do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul ocorrem nos dias 16 e 17 de março e serão transmitidas pelo YouTube
16/03/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realiza nos dias 16 e 17 de março duas sessões de julgamento com temas relevantes ligados às eleições municipais, incluindo acusação de fraude à cota de gênero, compra de votos e abuso de poder político e econômico.
As sessões estão previstas para começar às 17h e terão transmissão ao vivo pelo canal oficial do tribunal no YouTube.
A sessão de segunda-feira (16) será iniciada com o julgamento de embargos de declaração apresentados pelo vereador Rodrigo Fróes Acosta (União Brasil), do município de Porto Murtinho.
O parlamentar alega cerceamento de defesa e solicita a inclusão de outras pessoas no processo. Caso o plenário acate o pedido, a condenação anterior poderá ser anulada, fazendo com que o julgamento retorne à fase inicial.
O processo tem como relator o juiz Márcio de Ávila, que havia adiado a análise do caso anteriormente.
Ainda na sessão de segunda-feira, o tribunal analisará recurso apresentado pela coligação “Unidos pela Esperança e Amor por Ladário”, formada por PSDB, Cidadania, PT, PCdoB, PV, MDB, PSB e PSD.
A ação acusa o então prefeito Iranil de Lima Soares (PP) e servidores municipais de abuso de poder político e econômico durante o período eleitoral.
Entre as irregularidades apontadas estão:
Pagamento irregular de gratificações a diretores de escolas
Pagamento indevido de férias a um investigado
Nomeação excessiva de servidores em ano eleitoral
Uso de servidores públicos em campanha durante o horário de trabalho
Em primeira instância, a ação foi considerada improcedente, mas a coligação recorreu pedindo a anulação da decisão. A Procuradoria Regional Eleitoral opinou pela manutenção da sentença.
Outro processo previsto para segunda-feira envolve uma acusação de fraude à cota de gênero em Porto Murtinho.
O PSB acusa o União Brasil de registrar a candidatura de Alice Nunes Villamayor sem que houvesse campanha efetiva. A primeira instância absolveu os acusados, mas o partido argumenta que a baixa votação da candidata indicaria candidatura fictícia.
Na terça-feira (17), o tribunal deve julgar outro caso envolvendo fraude à cota de gênero, desta vez em São Gabriel do Oeste.
A juíza da 40ª Zona Eleitoral condenou a Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) por entender que três candidaturas femininas seriam fictícias.
Como punição, foram determinadas:
Cassação dos votos do partido
Inelegibilidade das candidatas por oito anos
As candidatas recorreram e afirmam que as campanhas foram reais, alegando que o baixo desempenho eleitoral ocorreu devido ao ambiente político adverso. Também destacam que as contas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
O Ministério Público Eleitoral, por sua vez, aponta que uma cabo eleitoral contratada por uma das candidatas devolveu o dinheiro recebido, alegando não ter realizado atividades de campanha. Até o momento, o julgamento encontra-se empatado.
Outro processo em pauta envolve o vereador Everton Romero (PSDB), de Aquidauana, acusado pelo Ministério Público de abuso de poder econômico e compra de votos.
Segundo a denúncia, o parlamentar teria distribuído combustível gratuitamente na véspera da eleição.
Em primeira instância, o caso foi considerado improcedente por falta de provas suficientes. No recurso, o Ministério Público sustenta que o conjunto probatório seria suficiente para comprovar o esquema.
A defesa do vereador argumenta que:
a ação teria sido apresentada fora do prazo legal;
as provas são frágeis;
não há evidência de participação direta do vereador nem impacto no resultado da eleição.
As decisões do TRE-MS poderão ter impacto direto na composição política de municípios sul-mato-grossenses, especialmente nos casos que envolvem cassação de votos ou inelegibilidade de candidatos.
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