Campo Grande (MS), Sábado, 25 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

PT oficializa Haddad em São Paulo e reforça palanque de Lula contra Flávio Bolsonaro

Convenção em Campinas confirma Márcio França como vice e Simone Tebet e Marina Silva ao Senado; chapa busca reduzir vantagem da direita no maior colégio eleitoral do país

25/07/2026

09:00

DA REDAÇÃO

Lula com Haddad, Alckmin e França durante lançamento da chapa ao governo do estado de São Paulo — Foto: Reprodução

O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste sábado, 25 de julho, a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A convenção realizada na Arena Concórdia, em Campinas, também consolidou a chapa estadual que terá papel estratégico na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.

Haddad enfrentará novamente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição e aliado do presidenciável do PL. O petista foi derrotado por Tarcísio no segundo turno de 2022 e retorna à disputa com a missão de ampliar a votação da esquerda no estado mais populoso e com o maior número de eleitores do país. 

A escolha de Campinas também faz parte da estratégia eleitoral. Foi a primeira convenção estadual do PT paulista realizada fora da Região Metropolitana de São Paulo, em uma tentativa de ampliar a presença de Haddad no interior, onde o partido tradicionalmente enfrenta maiores dificuldades. 

Márcio França será candidato a vice

A convenção confirmou o ex-governador Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador. A coligação reúne PT, PSB, Rede, PDT, PSOL, PV e PCdoB, embora cada partido ou federação ainda precise cumprir separadamente as etapas formais de suas convenções.

O PDT encaminhou apoio a Haddad na sexta-feira, enquanto a federação PSOL-Rede prepara sua convenção para este domingo, 26 de julho. O PSB realizará seu ato em 31 de julho, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Além da candidatura ao governo, a chapa apoiará as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) na disputa pelas duas vagas paulistas ao Senado Federal.

Lula participa do lançamento

O presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, Márcio França, Simone Tebet e Marina Silva foram anunciados entre as principais lideranças presentes no encontro em Campinas. O evento também oficializa as candidaturas do grupo à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.

A presença do presidente reforça a importância de São Paulo para a eleição nacional. Em uma disputa presidencial polarizada, o desempenho de Lula no estado poderá ser decisivo para reduzir uma possível vantagem de Flávio Bolsonaro entre os eleitores paulistas.

Haddad resistiu inicialmente à possibilidade de disputar novamente o governo, mas aceitou o projeto após articulação direta de Lula. A avaliação do grupo é que o ex-ministro reúne maior reconhecimento eleitoral e capacidade para sustentar um palanque competitivo contra Tarcísio. 

Estratégia mira interior de São Paulo

A realização da convenção em Campinas sinaliza que a campanha pretende concentrar esforços fora da capital. O interior paulista representa uma parcela decisiva do eleitorado e foi fundamental para a vitória de Tarcísio em 2022.

Haddad deverá explorar sua trajetória pessoal e política em diferentes regiões do estado. Materiais apresentados durante o evento mencionaram cidades do interior, o litoral e pontos da capital relacionados à história do candidato.

O petista também terá o apoio eleitoral de Alckmin e França, ambos ex-governadores de São Paulo e com relações políticas construídas em municípios do interior. Simone Tebet e Marina Silva, associadas a um eleitorado mais moderado, deverão ajudar na tentativa de ampliar a chapa para além da base tradicional do PT.

Campanha prepara confronto com Tarcísio

A estratégia de comunicação apresentada na convenção indica que o governo de Tarcísio de Freitas será alvo direto da campanha. Um dos temas escolhidos para o confronto será a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Peças publicitárias exibidas no evento associam a privatização a problemas no abastecimento e à piora dos serviços. A campanha pretende utilizar gravações sobre o tema na televisão e nas redes sociais durante o período eleitoral.

Tarcísio, por sua vez, deverá defender os resultados de sua administração e utilizar a parceria com Flávio Bolsonaro para fortalecer o campo da direita em São Paulo.

Propaganda aproxima Lula e Haddad

Os telões instalados no ginásio apresentaram uma prévia do material que deverá ser utilizado na propaganda eleitoral. Uma das peças mostra Lula e Haddad em uma agenda relacionada à educação e destaca o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni).

A campanha presidencial também preparou um jingle inspirado no “Rap do Silva”, sucesso do funk brasileiro na década de 1990. O objetivo é utilizar referências populares para reforçar a identificação do presidente com trabalhadores e famílias de menor renda.

A comunicação de Haddad deverá combinar críticas ao atual governo paulista com propostas nas áreas de educação, serviços públicos, emprego e desenvolvimento regional.

São Paulo será prioridade nacional

A convenção estadual abre uma sequência de agendas de Lula em São Paulo. A campanha prepara um ato nacional na capital paulista para 2 de agosto e outro evento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em 16 de agosto, data de início oficial da propaganda eleitoral.

São Bernardo tem valor simbólico para o presidente por ter sido o local onde ele construiu sua trajetória sindical e política. A cidade também foi escolhida, em março, para o anúncio da pré-candidatura de Haddad ao governo estadual. 

A chapa oficializada neste sábado terá, portanto, uma função dupla. Além de tentar interromper a permanência de Tarcísio no governo paulista, deverá servir como principal estrutura de apoio à campanha de Lula no maior colégio eleitoral brasileiro.

O desempenho de Haddad poderá influenciar diretamente a disputa presidencial. Quanto menor for a diferença de votos obtida pela direita em São Paulo, melhores serão as condições de Lula para compensar o avanço de Flávio Bolsonaro em outras regiões do país.


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