Economia / Indústria
Bracell recebe licença prévia para megafábrica de celulose em Bataguassu
Projeto prevê investimento de US$ 4 bilhões, capacidade próxima de 2,8 milhões de toneladas por ano e milhares de empregos durante a implantação.
24/07/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Bracell recebeu nesta sexta-feira (24) a licença prévia para avançar com o projeto de instalação de uma nova fábrica de celulose em Bataguassu, na região leste de Mato Grosso do Sul. O documento foi entregue pelo governador Eduardo Riedel (PP) durante reunião com representantes da empresa.
O empreendimento prevê investimento estimado em US$ 4 bilhões e deverá ampliar a participação de Mato Grosso do Sul no mercado nacional de papel e celulose. A unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano.
Participaram da reunião o vice-presidente de Assuntos Corporativos da Bracell, Julio Gama, e o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez.
Segundo Eduardo Riedel, a licença confirma a viabilidade ambiental do projeto e permite a continuidade das demais etapas do processo de licenciamento.
“Esta etapa atesta a viabilidade ambiental do empreendimento e permite o avanço do processo de licenciamento”, afirmou o governador.
A licença prévia aprova a localização e a concepção ambiental do empreendimento. A implantação física da indústria ainda depende do cumprimento das condicionantes e da emissão das licenças exigidas nas próximas fases.
O projeto prevê a construção da fábrica em uma área próxima à BR-267, entre o perímetro urbano de Bataguassu e o reservatório da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera.
As informações divulgadas sobre o projeto indicam uma distância aproximada de nove a 15 quilômetros da área urbana, dependendo do ponto de referência considerado. A localização facilita o acesso rodoviário e aproxima a futura indústria das áreas de cultivo de eucalipto existentes na região.
A implantação deverá durar cerca de 38 meses, incluindo os serviços de terraplanagem e a construção da estrutura industrial. Durante o pico das obras, a estimativa varia entre 10 mil e 12 mil trabalhadores.
Depois do início da operação, o complexo poderá manter entre 2 mil e 3 mil empregos diretos e indiretos, conforme as projeções apresentadas nas diferentes etapas do empreendimento.
Além da celulose convencional, a unidade poderá produzir celulose solúvel, matéria-prima utilizada na fabricação de tecidos, produtos farmacêuticos, cosméticos e outros itens industriais.
A capacidade projetada varia entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de toneladas anuais, de acordo com o regime operacional e as eventuais paradas para manutenção.
Para abastecer a indústria, o projeto prevê o processamento de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de madeira de eucalipto por ano. A base florestal necessária poderá alcançar cerca de 300 mil hectares.
Parte das plantações já está em desenvolvimento em municípios como Bataguassu, Santa Rita do Pardo e Ribas do Rio Pardo.
A fábrica deverá captar água no reservatório formado pelo Rio Paraná, próximo à Usina Hidrelétrica de Porto Primavera. A estimativa apresentada nos estudos ambientais é de aproximadamente 11 milhões de litros por hora.
Desse volume, cerca de 9 milhões de litros deverão retornar ao reservatório após o processo industrial. A empresa afirma que os efluentes serão tratados antes da devolução e que o sistema será estruturado para reduzir os impactos sobre a qualidade da água.
O uso dos recursos hídricos, os sistemas de tratamento e as medidas compensatórias deverão seguir as condições estabelecidas pelos órgãos ambientais responsáveis pelo licenciamento.
O planejamento logístico prevê que a celulose seja transportada inicialmente por caminhões pelas rodovias MS-395 e BR-158 até a região de Aparecida do Taboado.
A partir desse ponto, a produção poderá seguir por ferrovia até o Porto de Santos, principal destino previsto para o escoamento da celulose destinada ao mercado externo.
A empresa também avalia alternativas hidroviárias. A viabilidade desse modelo dependerá de estudos técnicos, investimentos em terminais e condições de navegação no sistema do Rio Paraná.
Com a confirmação do projeto da Bracell, Mato Grosso do Sul reforça sua posição como um dos principais polos florestais e industriais do país.
O Estado possui quatro fábricas de celulose em operação, duas em Três Lagoas e outras em Ribas do Rio Pardo e Água Clara. Também acompanha a implantação da unidade da Arauco, em Inocência.
Considerando as plantas em funcionamento, em construção e projetadas, a fábrica da Bracell deverá integrar o grupo de grandes empreendimentos que consolidam a região leste como o chamado Vale da Celulose.
Mato Grosso do Sul responde por cerca de 24% da produção nacional de celulose, possui a segunda maior área cultivada com eucalipto do Brasil e lidera a produção de madeira em tora destinada às indústrias de papel e celulose.
A chegada da Bracell deverá aumentar a demanda por mão de obra, serviços, transporte, habitação e infraestrutura em Bataguassu e nos municípios próximos, além de ampliar a arrecadação e a movimentação econômica regional.
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