Justiça / Segurança
Justiça manda incluir Neno Razuk na lista vermelha da Interpol após suspeita de fuga do Brasil
Ex-deputado estadual está foragido desde 8 de julho para cumprir pena superior a 15 anos de prisão; juiz determinou que a Polícia Federal acione a Interpol.
24/07/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que a Polícia Federal (PF) solicite à Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) a inclusão do mandado de prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), na lista de Difusão Vermelha, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos procurados internacionalmente.
A decisão foi assinada pelo juiz José Henrique Kaster Franco, titular da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, e encaminhada à Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul. Conforme o magistrado, existem indícios de que o ex-parlamentar tenha deixado o Brasil, o que justificou o pedido de cooperação internacional para sua localização.
Neno Razuk está foragido desde 8 de julho, quando foi expedida a ordem para o início do cumprimento da pena superior a 15 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o país onde ele estaria. Também não existem informações que comprovem eventual fuga para o Paraguai ou qualquer outro destino específico.
A inclusão na lista vermelha da Interpol permite que forças policiais de diversos países sejam comunicadas sobre a existência da ordem judicial brasileira e auxiliem na localização e eventual prisão do investigado.
Antes da solicitação à Interpol, a defesa do ex-deputado tentou reverter a prisão por meio de um habeas corpus apresentado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
O pedido liminar foi protocolado em 15 de julho e analisado no dia seguinte pelo desembargador Jonas Hass Silva Júnior, da 1ª Câmara Criminal, que negou a concessão da medida de urgência.
Segundo a defesa, a decisão não analisou o mérito dos argumentos apresentados, limitando-se à apreciação do pedido liminar. O julgamento definitivo do habeas corpus ainda será realizado pelo colegiado.
A ordem de prisão decorre da condenação proferida em 15 de dezembro de 2025 pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
Enquanto exercia mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Neno Razuk permanecia protegido pela imunidade parlamentar prevista na Constituição.
Essa condição terminou em 21 de maio de 2026, quando uma recontagem dos votos das eleições de 2022 alterou a composição da Assembleia Legislativa. Com a mudança, o ex-deputado perdeu o mandato para João César Mattogrosso e passou a responder ao processo sem a proteção constitucional.
Além da pena de prisão, a sentença também determinou:
Perda do mandato parlamentar;
Proibição de exercer cargo público por oito anos.
O ex-deputado é um dos réus da quarta fase da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em novembro de 2025.
Também respondem ao processo o pai de Neno, Roberto Razuk, os irmãos Jorge Razuk e Rafael Razuk, além de outras 16 pessoas.
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa teria sido estruturada para assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul após o enfraquecimento de outro grupo investigado na Operação Omertà.
As investigações apontam ainda que integrantes da organização participaram de três roubos, ocorridos em Campo Grande, em outubro de 2023, contra funcionários de um grupo rival que explorava a atividade ilegal.
Durante as investigações, o Gaeco identificou uma residência no Jardim Monte Castelo, em Campo Grande, apontada como base operacional da organização.
No imóvel foram apreendidos:
mais de 700 máquinas utilizadas no jogo do bicho;
celulares;
computadores;
documentos;
planilhas financeiras.
Segundo o Ministério Público, o material apreendido indica movimentação de aproximadamente R$ 600 mil por mês com a exploração do jogo do bicho em cidades de Mato Grosso do Sul.
Também foram encontrados:
R$ 274 mil em dinheiro;
mais de 1 mil euros em espécie.
Com base nas investigações, o MPMS solicitou o bloqueio de aproximadamente R$ 36 milhões em bens ligados à família Razuk.
"A defesa de Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) recebeu com serenidade a decisão que apreciou o pedido liminar no Habeas Corpus.
Importa esclarecer que a decisão proferida não analisou o mérito das teses defensivas, limitando-se a postergar sua apreciação para o julgamento definitivo da impetração. Assim, não houve rejeição dos fundamentos jurídicos apresentados pela defesa, os quais serão oportunamente examinados pelo órgão colegiado competente.
A defesa permanece confiante na reversão da decisão, por entender que as teses deduzidas no Habeas Corpus são sólidas e demonstram, entre outros aspectos, a ausência dos requisitos legais necessários à manutenção da prisão cautelar, especialmente diante da falta de contemporaneidade dos fatos que embasaram a medida extrema.
Desse modo, a expectativa de reforma da decisão permanece íntegra, estando vivas e firmes as esperanças de que, no julgamento do mérito, seja restabelecida a liberdade de Roberto Razuk Filho, em estrita observância às garantias constitucionais e à jurisprudência dos tribunais superiores."
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