Tecnologia / Inovação
MS Inova Mais prepara pesquisas científicas para chegar ao mercado
Primeira edição do programa acelerou 40 projetos durante quatro meses e encerrou atividades com dez soluções apresentadas a investidores e parceiros
24/07/2026
10:30
SEBRAE
DA REDAÇÃO
Encerramento do programa ocorreu durante o Demo Day, realizado na sede do Sebrae/MS em Campo Grande. Fotos - Messias Ferreira ©Sebrae/MS
Pesquisas desenvolvidas em Mato Grosso do Sul avançaram na transformação de conhecimento científico em negócios de base tecnológica durante a primeira edição do MS Inova Mais: Deep Techs. O programa foi encerrado nesta quinta-feira (23), em Campo Grande, com a apresentação de dez projetos a investidores, empresas e representantes do ecossistema de inovação.
Realizada pelo Sebrae/MS e pelo Governo do Estado, a iniciativa ofereceu capacitação para que pesquisadores estruturassem modelos de negócio, identificassem oportunidades comerciais e preparassem suas tecnologias para atender às demandas do setor produtivo.
A etapa final ocorreu durante o Demo Day, evento em que os participantes apresentaram propostas nas áreas de bioeconomia, biotecnologia, inteligência artificial, saúde, sustentabilidade, agronegócio e alimentos.
O MS Inova Mais: Deep Techs integra um convênio entre o Sebrae/MS e o Governo de Mato Grosso do Sul voltado ao fortalecimento da ciência, da inovação e do empreendedorismo tecnológico no Estado.
A primeira edição recebeu 243 inscrições de pesquisadores interessados em desenvolver o potencial comercial de suas soluções. Desse total, 40 projetos foram selecionados para uma jornada de aceleração com duração de quatro meses, conduzida em parceria com a Emerge Brasil.
Os participantes tiveram acesso a mentorias individuais e coletivas, diagnósticos especializados, capacitações, modelagem de negócios e preparação para apresentações a investidores e parceiros estratégicos.
Quase 70% dos projetos selecionados já haviam ultrapassado a fase inicial de ideia ou pesquisa básica. Segundo os dados divulgados pelo programa, 48% estavam em prototipagem, com provas de conceito ou soluções validadas, enquanto 21% se encontravam em testes de mercado, projetos-piloto ou comercialização.
Os demais 31% ainda estavam nas etapas iniciais de desenvolvimento científico e tecnológico.
O secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Alex Marcel Melotto, afirmou que a iniciativa ajudou os pesquisadores a compreender o funcionamento do mercado.
“Os participantes aprenderam a estruturar modelos de negócio, compreender o mercado e identificar oportunidades para levar suas tecnologias ao setor produtivo”, declarou.
Segundo Melotto, a aproximação entre ciência e empreendedorismo amplia as possibilidades de que soluções criadas no Estado cheguem à sociedade e contribuam para o desenvolvimento econômico.
A bioeconomia concentrou 23,8% das propostas participantes. Na sequência aparecem inteligência artificial, com 21,4%, meio ambiente e sustentabilidade, com 19%, e outras áreas de base científica, com 14,3%.
Projetos de biotecnologia representaram 11,9%, enquanto as soluções relacionadas ao agronegócio e à produção de alimentos corresponderam a 9,5%.
O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, avaliou que o programa pode estimular a abertura de novas empresas e a geração de empregos qualificados.
“A proposta é transformar o conhecimento produzido nas universidades em negócios de base tecnológica. Ao incentivar esse movimento, o programa contribui para a criação de novas empresas, geração de emprego e renda e para o fortalecimento da economia do Estado”, afirmou.
O diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, Cristiano Espínola Carvalho, destacou a necessidade de ampliar a conexão entre as universidades e o ambiente empresarial.
“O Estado tem universidades qualificadas e um mercado em crescimento, mas o desafio é transformar conhecimento em soluções para as empresas”, disse.
O programa reuniu profissionais com formação acadêmica avançada. O levantamento apresentado pela organização contabilizou 84 doutores, 46 pós-doutores, 43 mestres, 53 graduados e 18 profissionais com especialização ou MBA.
A diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, explicou que a seleção priorizou pesquisas ligadas às vocações e às oportunidades econômicas de Mato Grosso do Sul.
“Aproximamos a academia do mercado e criamos oportunidades para que pesquisas com potencial de inovação cheguem ao setor produtivo”, afirmou.
Segundo ela, áreas como biotecnologia, bioeconomia, alimentos e inteligência artificial podem gerar novos produtos, serviços e empresas no Estado.
Dos 40 projetos acelerados, dez foram selecionados para apresentar suas soluções no Demo Day. Entre eles está a Curie Biocosméticos, que desenvolve produtos naturais, veganos e biodegradáveis com aplicação de nanotecnologia.
A PantaBio trabalha com bioinsumos microbiológicos produzidos a partir de espécies nativas de Trichoderma, enquanto a BioPulsar desenvolve uma plataforma de nutrição esportiva baseada em compostos do Cerrado e do Pantanal.
Também participaram a Peptigen Bio, voltada à engenharia de peptídeos para bioinsumos agrícolas, e a Selkis Biotech, que atua com pesquisa, síntese e assessoria em moléculas de potencial biotecnológico.
Na área da saúde, a Fotoknee apresentou um dispositivo vestível que utiliza luz em procedimentos de fotobiomodulação. Outro projeto desenvolve um cosmético capilar formulado com peptídeo bioinspirado para o tratamento da alopecia androgenética.
A Spectrion trabalha com a aplicação de algoritmos diretamente em componentes de hardware. A NanoStomoxys desenvolve uma alternativa sustentável para o controle da mosca-dos-estábulos, enquanto a AgroSentinel apresentou um sistema para inspeção de processos industriais no setor agrícola.
O pesquisador João Vitor, da AgroSentinel, afirmou que o programa ajudou a equipe a transformar uma tecnologia validada em uma proposta comercial mais clara.
“Quando iniciamos o programa, tínhamos uma boa ideia e uma tecnologia validada, mas ainda não sabíamos como apresentá-la ao mercado”, relatou.
Durante a aceleração, a equipe estruturou o público-alvo, a proposta de valor e a estratégia de apresentação do projeto para possíveis clientes e investidores.
O pesquisador e empreendedor Tiago Calves, da PantaBio, destacou que a jornada mudou a forma como os participantes passaram a observar os resultados científicos.
“Passamos a enxergar nossa pesquisa além da publicação científica. Aprendemos a estruturar um modelo de negócio, compreender o mercado, negociar e apresentar nossa solução para quem realmente vai utilizá-la”, afirmou.
Com o encerramento da aceleração, os projetos poderão avançar na validação comercial, na busca por investimentos e na criação de empresas capazes de levar as tecnologias desenvolvidas em Mato Grosso do Sul ao mercado.
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