Campo Grande (MS), Segunda-feira, 13 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

Soraya pode virar suplente de Vander em articulação para o Senado em MS

Grupo alinhado a Lula avalia concentrar votos em uma única candidatura diante do desempenho de Soraya Thronicke e Vander Loubet nas pesquisas

13/07/2026

18:30

INVESTIGA MS

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A composição política alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso do Sul avalia uma mudança significativa na disputa pelo Senado. Uma das possibilidades discutidas é a senadora Soraya Thronicke (PSB) deixar a tentativa de reeleição como cabeça de chapa e ocupar a primeira suplência do deputado federal Vander Loubet (PT).

A alternativa ainda não foi oficializada e dependeria de uma decisão política de Lula, apontado por integrantes da aliança como responsável por arbitrar a formação da chapa. Pessoas próximas às negociações também mencionam a possibilidade inversa, com Vander na suplência de Soraya, mas não há confirmação pública de nenhum dos dois formatos.

A discussão ocorre porque as pesquisas mais recentes indicam dificuldades para que Soraya e Vander avancem simultaneamente na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado. A avaliação interna é de que manter duas candidaturas no mesmo campo político pode dividir votos e reduzir as chances de eleição.

Grupo considera concentrar votos em apenas um nome

O entendimento entre dirigentes da aliança é de que uma das vagas tende a ficar com o grupo político liderado pelo governador Eduardo Riedel (PP), que reúne nomes competitivos e aparece em posição favorável nos levantamentos divulgados até agora.

Diante desse cenário, integrantes do PT e de partidos aliados passaram a defender que o campo governista nacional concentre recursos, estrutura partidária e tempo de campanha em apenas uma candidatura ao Senado.

A soma do desempenho de Soraya e Vander em pesquisas recentes se aproxima de 20% das intenções de voto, segundo os dados apresentados nas articulações políticas. Separados, porém, os dois aparecem em posições intermediárias e enfrentam adversários com índices superiores.

A eventual união permitiria formar uma chapa com um candidato titular e outro como suplente, evitando a competição direta entre integrantes do mesmo grupo.

Decisão é atribuída a Lula

A coligação aguarda uma manifestação de Lula, que já havia apoiado publicamente uma dobradinha entre Soraya e Vander para a disputa das duas vagas ao Senado. Em março, durante passagem por Campo Grande, o presidente sinalizou apoio aos dois nomes. 

O projeto inicial previa que Soraya buscasse a reeleição pelo PSB, enquanto Vander deixaria a Câmara dos Deputados para concorrer ao Senado pelo PT.

Com a evolução das pesquisas e o avanço de candidaturas ligadas ao grupo de Riedel e à direita, a estratégia começou a ser reavaliada.

A definição deverá considerar não apenas os números eleitorais, mas também a estrutura dos partidos, o tempo de propaganda, a capacidade de mobilização e o impacto da composição sobre a candidatura ao Governo do Estado.

Soraya não comentou negociação

A senadora foi procurada para se manifestar sobre a possibilidade de ocupar a suplência, mas não havia respondido até a divulgação das informações.

Interlocutores próximos confirmaram que o grupo aguarda uma decisão nacional e disseram que diferentes formatos continuam sendo analisados.

Até o momento, Soraya e Vander permanecem politicamente apresentados como pré-candidatos ao Senado. Qualquer mudança dependerá de acordo entre os partidos e da posterior aprovação nas convenções partidárias.

Mudança para o PSB aproximou Soraya de Lula

Soraya deixou o Podemos e ingressou no PSB durante a janela partidária de 2026, em uma movimentação que aproximou a senadora do campo político de Lula. A filiação foi articulada para permitir sua participação em uma aliança com o PT em Mato Grosso do Sul. 

Eleita em 2018 pelo então PSL, na mesma onda eleitoral que levou Jair Bolsonaro à Presidência, Soraya rompeu posteriormente com o bolsonarismo e passou por União Brasil e Podemos antes de chegar ao PSB.

A senadora chegou a disputar a Presidência da República em 2022 e agora tenta construir um novo espaço político dentro da base governista nacional.

Sua aproximação com Vander incluiu reuniões em Brasília e articulações para integrar a chapa estadual encabeçada pelo grupo aliado ao presidente. 

Pesquisas pressionam estratégia da coligação

O levantamento mencionado nas negociações foi realizado pelo Instituto Ranking com 2 mil eleitores, entre 29 de junho e 3 de julho.

A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O registro informado é MS-06247/2026.

Segundo a avaliação divulgada pelos articuladores, Soraya e Vander aparecem tecnicamente próximos, ocupando posições intermediárias na corrida pelas duas vagas.

A consulta aos registros oficiais das pesquisas eleitorais pode ser feita no sistema da Justiça Eleitoral

Como os números completos desse levantamento não foram disponibilizados no material apresentado, não é possível detalhar com segurança a colocação e o percentual individual de cada pré-candidato.

Suplente assume em caso de afastamento do titular

Na eleição para o Senado, cada candidato concorre acompanhado de dois suplentes. Eles não recebem votos separadamente e assumem o mandato caso o titular se afaste definitivamente ou temporariamente nas situações previstas pela legislação.

O mandato de senador tem duração de oito anos. Em 2026, Mato Grosso do Sul escolherá dois representantes para as vagas atualmente ocupadas por Soraya Thronicke e Nelsinho Trad

Uma eventual posição de suplente, portanto, retiraria Soraya ou Vander da disputa direta pelas urnas, mas manteria o nome escolhido vinculado ao mandato e à composição política da chapa.

Convenções darão a palavra final

As conversas ainda ocorrem no campo das articulações partidárias. A chapa somente será formalizada durante as convenções e posteriormente registrada na Justiça Eleitoral.

Até essa etapa, Soraya e Vander podem continuar se apresentando como pré-candidatos, enquanto PT, PSB e aliados analisam qual formato oferece maior possibilidade de conquistar uma das vagas.

A decisão terá impacto direto na estratégia eleitoral do grupo de Lula em Mato Grosso do Sul, na distribuição do apoio partidário e na disputa por espaço dentro de uma eleição para o Senado que já reúne diversos nomes competitivos.


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