Infância / Proteção
Jerson Domingos defende creches e políticas públicas para proteger crianças da violência sexual em MS
Dados do Anuário de Segurança Pública mostram Mato Grosso do Sul com taxas de exploração sexual infantil acima da média nacional.
18/05/2026
12:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado nesta segunda-feira, 18 de maio, reforça o alerta sobre a proteção da infância em Mato Grosso do Sul. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 colocam o Estado entre as unidades da federação com taxas elevadas de exploração sexual infantil em algumas faixas etárias.
Defensor de políticas voltadas à primeira infância, o ex-deputado estadual, conselheiro aposentado do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) e presidente do Comitê do Programa Integrado pela Garantia dos Direitos da Primeira Infância (PPI), Jerson Domingos, afirma que a prevenção passa por ambientes seguros, acolhedores e acompanhados por profissionais preparados.
“Nenhuma criança deveria crescer com medo. Proteger a infância é uma responsabilidade de todos nós. E essa proteção começa desde cedo, com presença, cuidado e atenção. Por isso eu defendo a luta urgente de zerar a fila por vagas em creche. Quando uma criança está em um ambiente seguro, com acolhimento e acompanhamento, ela está mais protegida”, destacou Jerson Domingos.
Segundo os dados citados, entre adolescentes de 14 a 17 anos, Mato Grosso do Sul registrou 38 vítimas em 2023 e 28 em 2024. Apesar da queda de 25,8% no número absoluto de casos, o Estado apresentou taxa de 16,6 casos por 100 mil adolescentes em 2024, índice acima da média nacional, que foi de 5,9.
Na faixa de 0 a 17 anos, foram contabilizadas 56 vítimas em 2023 e 40 em 2024, com taxa de 5,2 casos por 100 mil habitantes. Mesmo com redução de 28,3% nos registros, Mato Grosso do Sul segue entre os estados com indicadores mais altos do país.
Os dados por idade também apontam preocupação. Entre crianças e adolescentes de 10 a 13 anos, uma das faixas consideradas mais vulneráveis à violência sexual, o Estado registrou 14 casos em 2023 e 11 em 2024. A taxa estadual passou de 8,1 para 6,3 casos por 100 mil habitantes, ainda acima da média nacional de 2,5 em 2024.
Já entre crianças de 5 a 9 anos, houve redução de três para um caso no período analisado.
Em nível nacional, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que crianças e adolescentes continuam entre as principais vítimas de violência sexual. O levantamento aponta que 76,8% dos casos envolvem vítimas consideradas vulneráveis.
Outro dado considerado alarmante é o local onde grande parte das ocorrências acontece. Segundo o anuário, 65,7% dos registros ocorreram dentro da própria casa da vítima, enquanto 45,5% dos autores eram familiares.
Para Jerson Domingos, o enfrentamento à violência contra crianças também passa pelo fortalecimento das políticas de primeira infância. Em Mato Grosso do Sul, 31,4 mil crianças de 0 a 3 anos estão fora da creche por dificuldades de acesso. Além disso, 8,2 mil crianças de 4 a 5 anos estão fora da pré-escola.
Na avaliação do conselheiro aposentado do TCE-MS, garantir vagas em creches e pré-escolas não é apenas uma política educacional, mas também uma estratégia de cuidado, prevenção e proteção social.
Segundo ele, a presença da criança em um ambiente seguro e acompanhado aumenta a capacidade do poder público, das escolas e das famílias de identificar situações de vulnerabilidade, acolher vítimas e acionar a rede de proteção quando necessário.
“Quando o Estado falha em garantir acesso à educação, acolhimento e acompanhamento desde cedo, abre espaço para vulnerabilidades graves. Precisamos tratar a infância como prioridade absoluta, não apenas no discurso, mas no orçamento e nas políticas públicas”, afirmou Jerson Domingos.
Nos últimos meses, Jerson Domingos tem percorrido municípios de Mato Grosso do Sul com a palestra “Ações Integradas para a Garantia dos Direitos da Primeira Infância: do Planejamento ao Controle”.
A iniciativa promove debates com gestores, técnicos e lideranças locais sobre a necessidade de integrar planejamento, execução e fiscalização de políticas públicas voltadas à infância. A proposta é fortalecer a atuação dos municípios na garantia de direitos básicos, especialmente nas áreas de educação, assistência, saúde e proteção social.
O trabalho também busca aproximar o tema da primeira infância dos instrumentos de controle e acompanhamento, para que as políticas deixem de ser apenas compromissos formais e passem a ter metas, orçamento e resultados verificáveis.
Para Jerson Domingos, o combate ao abuso e à exploração sexual infantil exige atuação permanente de famílias, escolas, sociedade civil, conselhos tutelares, órgãos de segurança, Ministério Público, Judiciário e poder público.
A data de 18 de maio funciona como um chamado à responsabilidade coletiva, mas, segundo ele, a proteção das crianças precisa ocorrer durante todo o ano, com políticas contínuas e presença ativa da rede de atendimento.
“Cuidar da infância é cuidar do futuro. E isso precisa ser prioridade de verdade”, concluiu Jerson Domingos.
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