Campo Grande (MS), Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

Política / Assembleia

Kemp critica aprovação de moção contra Lula e aponta manobra em sessão esvaziada

Deputado do PT questionou votação na Alems, defendeu o programa Celular Seguro e cobrou avanço da PEC da Segurança Pública

17/06/2026

14:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) criticou a condução da sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) nesta quarta-feira (17), após a aprovação de uma moção de protesto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o parlamentar, a votação ocorreu com o plenário esvaziado e teve articulação para garantir apoio remoto de deputados ausentes.

A moção foi apresentada pelo deputado estadual Zé Teixeira (PL) e contestava declarações recentes do presidente da República relacionadas ao programa Celular Seguro, do Governo Federal. Para Kemp, a oposição retirou as falas de contexto para construir uma narrativa política contra Lula.

O parlamentar afirmou que o debate foi distorcido e que o objetivo da nova fase do Celular Seguro é facilitar a devolução de aparelhos roubados ou furtados por meio de agências dos Correios, sem burocracia excessiva. Segundo ele, a proposta busca alcançar pessoas que compraram celulares sem saber da origem ilícita e que, por receio ou desconhecimento, não procuram diretamente uma delegacia.

Na avaliação de Kemp, o programa integra uma estratégia do Ministério da Justiça e Segurança Pública para enfraquecer o comércio ilegal de celulares e ampliar a proteção à população. Ele negou que a fala de Lula tenha sido uma crítica às forças policiais.

Após a aprovação da moção, o deputado petista defendeu que o debate sobre segurança pública deveria se concentrar em propostas estruturais, como a PEC da Segurança Pública, em tramitação no cenário nacional. Segundo ele, a medida poderia reforçar a estrutura das polícias, ampliar tecnologia, melhorar salários e aumentar efetivo.

“O presidente Lula é, na realidade, a autoridade que mais defende a polícia neste país. O grande problema é que ele não encontra no Parlamento de MS, e muito menos no Congresso Nacional, o apoio necessário para aprovar a PEC da Segurança Pública. É essa proposta que traria estrutura real para as nossas polícias unificadas, garantindo desde novos aparelhos e alta tecnologia até salários justos bem mais altos e aumento de efetivo. Os policiais não podem continuar sendo usados como massa de manobra por setores da oposição, exatamente como essa moção oportunista representou”, afirmou Kemp.

O deputado também criticou a forma como a votação foi conduzida. Ele disse que o plenário estava praticamente vazio e que houve tentativa de chamar parlamentares ausentes para votação on-line com o objetivo de aprovar o documento contra o presidente da República.

“É inadmissível o que assistimos hoje na Assembleia Legislativa. Com o plenário praticamente vazio e sem quórum presencial, tentaram empurrar goela abaixo uma moção de protesto contra o presidente Lula. Quando percebemos uma tentativa desesperada de chamar deputados ausentes de forma on-line, apenas para forçar a aprovação desse documento contra a autoridade máxima do país, não pude me calar”, declarou.

Kemp também direcionou críticas ao deputado Renato Câmara, que presidia a sessão no momento da votação. Segundo o parlamentar petista, a condução dos trabalhos favoreceu uma articulação política da oposição.

“O deputado Renato Câmara, que presidia a mesa no momento, conduziu o que considero uma manobra injusta, ardilosa e puramente eleitoral. Estenderam a sessão além do horário regulamentar para esperar a oposição se conectar. O meu posicionamento na tribuna foi claro: quem quer votar, que fique aqui e honre o plenário. Não compactuo com joguinhos políticos para desgastar o governo federal”, afirmou.

Apesar das críticas da bancada petista, a moção foi aprovada com apoio de dez deputados estaduais. Votaram favoravelmente os parlamentares Antônio Vaz, Pedro Caravina, Coronel David, João César Mattogrosso, Lídio Lopes, Mara Caseiro, Marcio Fernandes, Paulo Corrêa, Junior Mochi e Zé Teixeira, autor da proposta.

Os votos contrários registrados no painel eletrônico foram de Pedro Kemp e da deputada estadual Gleice Jane (PT). Para a bancada do PT, a aprovação da moção reforça a tentativa de transformar uma discussão sobre segurança pública e política de recuperação de celulares em disputa partidária.

O episódio deve manter o tema em debate na Alems, especialmente pela repercussão das falas sobre o Celular Seguro, pela defesa da PEC da Segurança Pública e pela discussão sobre a forma de condução das votações em plenário.


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