Economia / Juros
Copom corta Selic para 14,25% ao ano e mantém ciclo de redução dos juros
Decisão foi unânime entre os sete integrantes do comitê, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
17/06/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 14,50% para 14,25% ao ano, dando continuidade ao ciclo de queda iniciado após um período de manutenção dos juros em patamar elevado.
A decisão foi tomada de forma unânime pelos sete integrantes do comitê, incluindo o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. Antes da sequência de cortes, a Selic havia permanecido em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom afirmou que o ambiente externo segue incerto, especialmente pela indefinição sobre os termos de um acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e pelos possíveis efeitos econômicos desses conflitos. Para o comitê, esse cenário exige cautela de países emergentes, em meio ao aumento da volatilidade nos preços de ativos e commodities.
No cenário doméstico, o colegiado avaliou que os indicadores recentes apontam aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre. Segundo o comitê, setores mais sensíveis ao ciclo econômico voltaram a ter peso relevante, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resistência.
Apesar disso, o Copom destacou preocupação com a inflação. No comunicado, o comitê afirmou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes, afastando-se ainda mais da meta e superando o limite superior na última leitura.
A avaliação do colegiado é de que trajetórias alternativas capazes de levar a inflação à meta no primeiro trimestre de 2028 são compatíveis com uma suavização dos agregados macroeconômicos. Com base nesse diagnóstico, o comitê considerou adequada a continuidade do ciclo de ajuste da política monetária.
“O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.”, informou o comunicado.
A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros estão mais altos, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo perde força e a pressão sobre os preços pode diminuir. Por outro lado, juros menores podem aliviar o custo de financiamentos, empréstimos e investimentos produtivos, embora dependam das condições de inflação e das expectativas do mercado.
Na ata anterior, o Copom já havia indicado cautela diante do cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio. A nova decisão mostra que o Banco Central optou por manter a redução gradual dos juros, sem acelerar o ritmo do corte.
As expectativas do mercado ainda apontam Selic em dois dígitos nos próximos anos. Para 2027, a projeção é de 10,50% ao ano. Para 2028, a estimativa permanece em 10% ao ano. Já para 2029, a previsão é de 9,50% ao ano.
As projeções indicam que o mercado não espera uma Selic abaixo de dois dígitos até o fim do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2026, nem durante o atual mandato de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, previsto para terminar em 2028.
O calendário do Copom para 2026 ainda prevê reuniões em 4 e 5 de agosto, 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
Na prática, a redução da Selic pode iniciar um alívio gradual no custo do crédito, mas os efeitos para consumidores e empresas dependem da continuidade do ciclo de cortes, do comportamento da inflação e da reação dos bancos nas taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e cartões.
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