Trânsito / Mobilização
Servidores do Detran-MS ampliam pressão por reajuste e podem iniciar greve por tempo indeterminado
Após paralisação de 24 horas que afetou exames práticos de CNH, categoria convocou assembleia para a próxima segunda-feira e ameaça endurecer movimento
02/04/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) elevaram o tom da mobilização contra o governo estadual e podem deflagrar uma greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana. A categoria realizou nesta quarta-feira uma paralisação de 24 horas e convocou nova assembleia para a segunda-feira (6), quando decidirá se o movimento será ampliado.
A paralisação teve impacto direto no atendimento, principalmente na aplicação de exames práticos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo o Detran-MS, cerca de 440 provas práticas precisaram ser reagendadas em todo o Estado, embora as agências tenham permanecido abertas para atendimento ao público.
De acordo com o Sindicato dos Servidores do Detran-MS (Sindetran-MS), aproximadamente metade dos servidores aderiu ao protesto. A categoria afirma que a mobilização é resultado da falta de avanços nas negociações com o governo e do acúmulo de reivindicações antigas, que seguem sem resposta.
Entre os principais pontos apresentados pelos servidores estão a reestruturação da carreira, o reconhecimento da atividade como segurança viária, o enquadramento de todos os trabalhadores como agentes de trânsito, a valorização salarial, o pagamento de oito promoções atrasadas, a reparação referente ao tempo de serviço perdido durante a pandemia e a realização de concurso público.
Outro argumento central do movimento é a carência de pessoal. Segundo o sindicato, o Detran-MS não realiza concurso há mais de dez anos, o que teria provocado aumento da sobrecarga de trabalho e intensificado a terceirização de algumas atividades.
Em nota, o presidente da Fetran e do Sindetran-MS, Bruno Alves, afirmou que a decisão da categoria foi motivada pela ausência de avanços nas negociações e pelas condições de trabalho enfrentadas pelos servidores. Segundo ele, a defasagem salarial, a falta de estrutura e a ausência de concurso público agravam a situação da autarquia.
Com o decreto de ponto facultativo nesta quinta-feira e o feriado da Sexta-Feira Santa, seguido pelo fim de semana, os serviços presenciais do órgão já estariam suspensos no período. Por isso, a próxima segunda-feira passou a ser o marco decisivo para o futuro do movimento. A assembleia convocada pelo sindicato deverá definir se a paralisação dará lugar a uma greve geral por prazo indeterminado.
O chamado estado de greve já havia sido aprovado na semana passada em votação unânime da categoria. Segundo o sindicato, a paralisação desta quarta-feira funcionou como um aviso do que poderá ocorrer caso o governo não apresente resposta concreta às reivindicações.
Além da pauta salarial e funcional, os servidores também criticam o processo de digitalização dos serviços do Detran-MS. Na avaliação do sindicato, a modernização estaria sendo conduzida sem a segurança necessária, o que teria facilitado fraudes e exposto o nome do órgão a uso indevido. Também são relatadas falhas frequentes nos sistemas.
A direção do Detran-MS, por outro lado, sustenta que a digitalização é um dos pontos fortes da instituição e destaca que a população continua tendo acesso aos serviços por meio dos canais eletrônicos. Em nota, o órgão citou o portal Meu Detran, o aplicativo Meu Detran MS e a assistente virtual Glória, disponível via WhatsApp, como alternativas para reduzir os impactos do protesto.
Com a nova assembleia marcada e a possibilidade concreta de paralisação prolongada, o embate entre servidores e governo entra em uma fase mais delicada, com reflexos diretos para usuários dos serviços de trânsito em Mato Grosso do Sul.
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