Política Nacional
PL lança Carlos Bolsonaro ao Senado em SC, exclui Caroline de Toni da chapa e amplia racha no bolsonarismo
Decisão fortalece aliança com Jorginho Mello e Esperidião Amin, provoca reação pública de Michelle Bolsonaro e pode levar deputada ao Novo
06/02/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Partido Liberal (PL) definiu o nome do ex-vereador Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina, decisão que retirou a deputada federal Caroline de Toni da chapa e aprofundou a divisão no campo bolsonarista. A parlamentar, que contava com apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, foi comunicada de que não integrará a composição majoritária e deve deixar o partido nos próximos dias.
Diante do novo cenário, Caroline de Toni encaminha filiação ao Partido Novo, que já se comprometeu a lançá-la como candidata ao Senado. O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, classificou a candidatura como “inegociável” e afirmou que o país precisa de parlamentares com independência e preparo técnico, atributos que, segundo ele, a deputada reúne.
A definição do PL estabelece uma chapa com o governador Jorginho Mello candidato à reeleição, tendo como nomes ao Senado Carlos Bolsonaro e o senador Esperidião Amin (PP). Com a composição, De Toni ficou sem espaço para disputar a vaga pela legenda e não demonstra interesse em tentar a reeleição à Câmara dos Deputados pelo partido.
A decisão provocou reação imediata. Nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, Michelle Bolsonaro publicou nas redes sociais mensagem de apoio à deputada, acompanhada de fotografia e declaração de solidariedade. O gesto foi interpretado por integrantes do partido como sinal de tensão entre a ex-primeira-dama e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Parlamentares do PL afirmam que o ambiente interno segue marcado por divergências. Aliados de Flávio Bolsonaro sustentam que Michelle não apoia sua eventual pré-candidatura presidencial, ampliando a percepção de fissuras dentro do grupo político. Interlocutores próximos à ex-primeira-dama, no entanto, minimizam o conflito e defendem que a cooperação entre lideranças bolsonaristas pode ocorrer mesmo em partidos distintos.
O Novo também planeja lançar outros nomes ao Senado, como o deputado Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul, e o ex-deputado Deltan Dallagnol, no Paraná. Em Santa Catarina, a sigla avalia a possibilidade de candidatura isolada ao Senado, modelo autorizado pela Justiça Eleitoral em 2022, mesmo com eventual composição distinta para o Executivo estadual.
Nos bastidores, aliados de Esperidião Amin indicam que ele disputará o Senado independentemente da configuração partidária, embora priorize integrar a chapa do PL. Já apoiadores de Caroline de Toni destacam sua votação expressiva no Estado e mencionam resistência de parte do eleitorado local à candidatura de Carlos Bolsonaro, considerado por críticos um nome externo à política catarinense.
O cenário estadual ainda inclui o vereador Jair Renan Bolsonaro, eleito em 2024 em Balneário Camboriú com a maior votação da Câmara Municipal. No campo governista, Jorginho Mello ampliou sua base ao longo do mandato e articula uma coligação para 2026 que pode envolver, além do PL, partidos como PP e MDB.
Entre os possíveis adversários ao governo estadual está o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que já lançou pré-candidatura e pode receber apoio de Esperidião Amin caso haja ruptura na aliança com o PL.
A definição da chapa em Santa Catarina evidencia a reorganização estratégica do bolsonarismo no Estado e sinaliza disputas internas que podem influenciar o alinhamento nacional do grupo nas eleições de 2026.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Soraya reafirma permanência no Podemos e anuncia neutralidade na disputa presidencial
Leia Mais
Gleice Jane acompanha Guilherme Boulos em Campo Grande e reforça defesa da escuta popular nas periferias
Leia Mais
Câmara de Campo Grande realiza audiência pública sobre demandas das assistentes de educação infantil da Reme
Leia Mais
Soraya desafia Carlos Bolsonaro para disputar Senado em MS e intensifica críticas ao bolsonarismo
Municípios