Política / Justiça
Esposa de investigado por suposta venda de sentenças afirma que ele “corre risco de morrer” em presídio federal
Andreson de Oliveira Gonçalves, de 45 anos, está em prisão preventiva há 1 ano e 3 meses; Senappen diz que assistência integral é garantida
06/02/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A advogada Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, de 50 anos, afirmou que seu marido, o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, de 45 anos, enfrenta quadro grave de saúde enquanto cumpre prisão preventiva na Penitenciária Federal de Brasília. Segundo ela, o investigado “corre risco de morrer” em razão do agravamento clínico.
Andreson está preso preventivamente há 1 ano e 3 meses sob suspeita de intermediar a venda de decisões judiciais nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ele retornou ao sistema penitenciário federal em novembro de 2025, após ter permanecido por quatro meses em prisão domiciliar devido a problemas de saúde.
De acordo com a esposa, durante visita recente, o empresário teria solicitado o uso de cadeira de rodas por falta de força para caminhar. Ela relata perda de sensibilidade da região dos joelhos para baixo e redução significativa de massa muscular, atribuindo o quadro à ausência de alimentação adequada e fisioterapia.
Em junho de 2025, exame realizado pelo neurocirurgião Paulo Saide Franco, a pedido da família, apontou diagnóstico de polineuropatia periférica sensitivo-motora, condição que compromete força muscular e sensibilidade. Andreson é diabético e passou por cirurgia bariátrica em 2020. Ainda em maio de 2025, avaliação médica indicou a necessidade de medidas terapêuticas, como fisioterapia motora e suporte nutricional parenteral hipercalórico, hiperproteico e hipervitamínico.
O empresário foi inicialmente mantido por oito meses no presídio federal, posteriormente obteve prisão domiciliar por quatro meses e voltou ao regime fechado após investigadores apontarem continuidade de supostas práticas criminosas, incluindo lavagem de dinheiro.
O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Cristiano Zanin.
A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou, por meio de nota, que todas as pessoas custodiadas no sistema penitenciário federal recebem assistência integral conforme a Lei de Execução Penal e as normas que regem o regime federal. O órgão destacou que são garantidos atendimentos médicos, farmacêuticos, psicológicos, de enfermagem e nutricionais, conforme avaliação técnica da equipe multiprofissional.
A secretaria acrescentou que as determinações judiciais relacionadas a acompanhamento de saúde e alimentação diferenciada são cumpridas quando indicadas pelas equipes responsáveis. Questionada especificamente sobre o atendimento ao preso e eventual acesso às terapias recomendadas, a Senappen declarou que não divulga informações individualizadas por se tratar de dados protegidos por sigilo médico e legal.
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