Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Polícia / Investigação

Grupo Dallas nega envolvimento em caso de ouro de R$ 140 milhões e diz que empresário soube pela imprensa

Empresa afirma que Valdir Zorzo não estava no voo, soube do caso pela imprensa e determinou apuração interna sobre o uso da aeronave

27/07/2026

15:00

DA REDAÇÃO

Aeronave que pertence ao empresário Valdir Zorzo (Foto: DTV 8.1)

O Grupo Dallas se manifestou pela primeira vez sobre a investigação envolvendo uma aeronave ligada ao empresário Valdir José Zorzo e uma carga de 189,5 quilos de ouro, avaliada em aproximadamente R$ 140 milhões, localizada por autoridades da Bolívia.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (27), a defesa afirmou que Valdir Zorzo não estava a bordo do avião e não autorizou qualquer prática contrária à legislação. A empresa também contestou a informação de que a aeronave teria sido apreendida.

O avião, de prefixo PS-ZRZ, teria partido de Campo Grande, realizado uma escala técnica em Corumbá e seguido para o Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra.

De acordo com a investigação boliviana, a carga teria como destino inicial São Paulo e, posteriormente, seria enviada para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. As autoridades apuram a possível existência de um esquema internacional de transporte clandestino de ouro.

Empresa diz que avião está no Brasil

No comunicado, a defesa informou que a aeronave é de propriedade particular e destinada exclusivamente ao uso de seu proprietário. O texto também destaca que o avião não é utilizado para serviços comerciais de fretamento.

“A aeronave de prefixo PS-ZRZ é de propriedade particular, destinada a uso próprio, e não opera serviços de fretamento comercial”, afirmou a defesa.

O Grupo Dallas também negou que o avião esteja sob qualquer medida de apreensão determinada pelas autoridades bolivianas.

“A informação de que a aeronave teria sido apreendida não é verídica. A aeronave encontra-se em território brasileiro e não está sujeita a qualquer medida de apreensão”, declarou.

Segundo a nota, Valdir Zorzo tomou conhecimento da relação da aeronave com o caso somente após a divulgação das informações pela imprensa.

A partir disso, o empresário teria determinado a abertura de uma apuração interna e a preservação dos registros relacionados ao uso e à movimentação do avião.

“O Sr. Valdir Zorzo tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e determinou a imediata apuração interna, com preservação integral dos registros e colaboração com as autoridades competentes, no Brasil e no exterior”, diz o comunicado.

A defesa acrescentou que o empresário e o grupo empresarial repudiam qualquer prática ilícita e permanecem à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento do caso.

Até o momento, não há acusação formal contra Valdir José Zorzo nem contra o Grupo Dallas.

Ouro foi encontrado dentro de quatro malas

A investigação teve início na madrugada de quarta-feira (22), depois que agentes da Naabol, responsável pela navegação aérea e pelos aeroportos bolivianos, identificaram irregularidades durante a inspeção de quatro malas transportadas na aeronave.

As bagagens passaram por equipamento de raio-X e, no interior delas, foram localizados 189,5 quilos de ouro, distribuídos em barras. O material foi avaliado em cerca de R$ 140 milhões.

Um jovem de 22 anos, identificado como Adrián Lema Roca, apresentou-se como responsável pela carga. Ele teve a prisão preventiva decretada por 150 dias.

A principal suspeita das autoridades é de que o jovem tenha sido utilizado como intermediário ou “laranja” pela organização responsável pelo transporte do minério.

Autoridades investigam diferença na pesagem

A apuração também identificou uma divergência de 21,5 quilos entre a pesagem inicial do ouro e a medição realizada posteriormente pela Alfândega da Bolívia.

Além da diferença no peso, os investigadores apuram a utilização de uma autorização aduaneira que continha um QR Code supostamente falso.

Cinco pessoas chegaram a ser detidas durante as diligências, incluindo três servidores da Alfândega. Elas foram liberadas após prestar esclarecimentos, mas continuam sendo investigadas.

A imprensa boliviana informou ainda que a empresa Emporio Dorado Sociedad de Responsabilidad Limitada, registrada em La Paz em nome de dois estudantes, passou a ser apurada por suspeita de funcionar como empresa de fachada.

A companhia estaria relacionada à tentativa de exportação do ouro para a Asian Gold LCC, sediada em Dubai.

As autoridades buscam identificar a origem do minério, quem contratou o transporte e se outras pessoas ou empresas participaram da operação. O Grupo Dallas informou que, em razão do sigilo das investigações, voltará a se manifestar em momento oportuno.


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