Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

Novo oficializa Romeu Zema como candidato à Presidência em 2026

Ex-governador de Minas lança projeto nacional em convenção realizada em Brasília, critica Lula e o STF, mas ainda não anuncia candidato a vice

27/07/2026

11:00

DA REDAÇÃO

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O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira, 27 de julho, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República. A convenção nacional da legenda foi realizada em Brasília e confirmou a decisão do partido de disputar a eleição com uma chapa própria.

Zema inicia oficialmente a campanha sem ter definido quem ocupará a vaga de vice-presidente. Em seu primeiro discurso como candidato, ele concentrou críticas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Partido dos Trabalhadores e em integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Tudo o que dá certo neste país parece que o PT não gosta. A minha bandeira é estar contra o PT”, afirmou o candidato durante o encontro partidário.

O ex-governador também defendeu mudanças na relação entre os Poderes e criticou o que chamou de tratamento privilegiado a autoridades. Ao mencionar um processo movido contra ele pelo ministro Gilmar Mendes, Zema voltou a fazer ataques relacionados à aproximação de magistrados com empresários investigados.

“Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Respondo com muito orgulho ao processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes”, declarou.

Combate ao crime organizado entra no discurso

Outro eixo apresentado por Zema foi o enfrentamento às facções criminosas. Ele defendeu que organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como grupos terroristas pela legislação brasileira.

O candidato também propôs a criação de um presídio de segurança máxima em uma área remota da Amazônia para receber lideranças de organizações criminosas.

“Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas. Vamos construir um superpresídio de referência em um lugar remoto, para onde esses líderes serão encaminhados”, afirmou.

A proposta foi apresentada no contexto das discussões sobre decisões adotadas pelos Estados Unidos em relação a organizações criminosas brasileiras. Para Zema, o país deveria ter adotado essa classificação anteriormente.

Pesquisa aponta empate técnico com Lula

A candidatura foi oficializada no mesmo dia em que uma pesquisa BTG/Nexus mostrou Zema com 42% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, que aparece com 46%.

Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados no limite do intervalo. O desempenho é usado pelo Novo como argumento para defender a viabilidade eleitoral do ex-governador.

O presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, apresentou Zema como responsável por uma recuperação administrativa e financeira de Minas Gerais.

“Uma boa gestão, com pessoas qualificadas, competentes, íntegras e corajosas, enterra o PT, como enterramos o PT em Minas Gerais”, declarou Ribeiro.

Escolha do vice continua indefinida

Apesar da oficialização, o Novo ainda não definiu a composição completa da chapa. Nos bastidores, Zema chegou a defender o nome do empresário Geraldo Rufino (Podemos) para ocupar a vaga de vice.

A negociação, porém, não avançou. Rufino deverá disputar uma cadeira no Senado por São Paulo, o que enfraqueceu a possibilidade de aliança entre os dois partidos para a eleição presidencial.

Zema também mencionou anteriormente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como uma possível integrante da chapa. Ela descartou publicamente a hipótese.

“Não há nenhuma chance de isso acontecer”, afirmou Michelle.

Diante da indefinição, o candidato disse que a escolha será tratada após a convenção, enquanto o partido mantém conversas com lideranças de outras siglas.

A decisão do Novo de lançar uma candidatura própria encerra, ao menos por enquanto, as especulações de que Zema poderia ocupar a vaga de vice em uma chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Trajetória empresarial e política

Natural de Araxá, em Minas Gerais, Romeu Zema Neto, de 61 anos, construiu sua carreira profissional no setor privado antes de ingressar na política.

Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele atuou por quase três décadas como gestor e presidente do conselho do Grupo Zema, conglomerado familiar com negócios nas áreas de varejo, combustíveis e serviços financeiros.

Sua primeira vitória eleitoral ocorreu em 2018, quando foi eleito governador de Minas Gerais pelo Novo. A campanha foi sustentada por um discurso de austeridade fiscal, redução da estrutura administrativa e adoção de práticas empresariais na gestão pública.

Zema foi reeleito em 2022 e permaneceu à frente do governo mineiro até março de 2026, quando deixou o cargo para o vice-governador Mateus Simões.

Durante os dois mandatos, o ex-governador adotou posições próximas ao bolsonarismo em diferentes momentos, consolidando-se como uma das principais lideranças da direita liberal.

Agora, Zema tenta transformar a experiência em Minas Gerais em seu principal argumento eleitoral. O candidato apresenta como resultados de sua gestão a reorganização das contas públicas, a atração de investimentos, a redução de burocracias e o enxugamento da máquina estadual.

A definição do candidato a vice e a construção de alianças nacionais serão os próximos desafios do Novo para ampliar a estrutura de campanha e a presença eleitoral de Zema fora de Minas Gerais.


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