Infraestrutura / Transporte
Hexatrens da Suzano poderão circular em seis trechos de rodovias estaduais de MS
Autorização experimental vale por 12 meses, contempla 41 caminhões e permite circulação apenas em vias não pavimentadas de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas.
27/07/2026
12:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Os hexatrens utilizados pela Suzano no transporte de madeira receberam autorização para circular, em caráter experimental, por seis trechos de rodovias estaduais não pavimentadas de Mato Grosso do Sul. Até então, as composições trafegavam exclusivamente em estradas internas das fazendas de eucalipto da companhia.
A permissão consta na Portaria nº 571, publicada nesta segunda-feira (27) pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) no Diário Oficial da União. A medida terá validade de 12 meses e contempla trajetos localizados em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas.
Os hexatrens são formados por um caminhão-trator acoplado a seis semirreboques. Como esse tipo de composição ainda não integra a lista de combinações de veículos oficialmente homologadas no país, a operação será acompanhada para a coleta de informações técnicas e operacionais.
De acordo com a portaria, os dados obtidos servirão para avaliar a inovação veicular e subsidiar futuros estudos destinados à regulamentação desse modelo de transporte.
A circulação poderá ocorrer nos dois sentidos das rodovias. Os caminhões poderão seguir vazios até as áreas florestais e retornar carregados com madeira para as unidades industriais da empresa.
A operação experimental envolverá 41 caminhões Volvo FM 540, identificados individualmente na portaria por placa e número do chassi. A autorização não se estende automaticamente a todos os hexatrens utilizados pela Suzano.
Do total autorizado, 25 veículos possuem configuração 6x4 e serão acoplados a semirreboques de dois eixos. Outros 16 caminhões, com configuração 6x6, utilizarão semirreboques de três eixos.
Os trajetos abrangem trechos das rodovias MS-357, MS-338, MS-456 e MS-340, em Ribas do Rio Pardo, além da MS-459, em Três Lagoas. Os pontos de início e término de cada percurso foram delimitados por coordenadas geográficas.
A circulação dependerá da anuência do órgão responsável por cada rodovia. As composições que ultrapassarem os limites nacionais de peso e dimensões também precisarão receber concordância específica das autoridades rodoviárias, após análise da capacidade da infraestrutura.
Os hexatrens não poderão trafegar em vias públicas pavimentadas nem circular em comboio. A portaria determina ainda uma distância mínima de 300 metros entre as composições, medida do último semirreboque do veículo da frente até o caminhão-trator seguinte.
A autorização não representa o início da utilização dos hexatrens pela Suzano. Conforme informações divulgadas pela Volvo, a empresa utiliza esse modelo desde 2019, inicialmente nas operações da unidade de Três Lagoas.
Em comunicado publicado em 2021, a fabricante informou que os conjuntos tinham aproximadamente 54 metros de comprimento e capacidade para transportar até 200 toneladas de toras de eucalipto por viagem.
Segundo a Volvo, a produtividade era quase 30% superior à dos pentatrens, formados por cinco implementos, e aproximadamente 130% maior em comparação com os tritrens.
Em outubro de 2024, a fabricante anunciou que 14 novos hexatrens Volvo FMX 6x6, equipados com motores de 540 cavalos, haviam começado a operar no abastecimento da fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo.
A unidade industrial foi construída por meio do Projeto Cerrado, que recebeu investimento de R$ 22,2 bilhões.
As novas composições, considerando o cavalo mecânico e os implementos, alcançam cerca de 60 metros de comprimento. A fabricante informou que a configuração ampliou em 25% a capacidade máxima em relação à versão anterior.
Os veículos foram desenvolvidos com Capacidade Máxima de Tração de até 250 toneladas. Para suportar operações mais severas, receberam reforços nos eixos, longarinas duplas e tração também no eixo dianteiro.
Com a aquisição anunciada em 2024, a Suzano passou a operar 47 hexatrens Volvo FMX em diferentes atividades. Todos, entretanto, circulavam somente dentro das propriedades florestais.
A novidade introduzida pela Portaria nº 571 é a possibilidade de utilização de caminhões selecionados em trechos de rodovias estaduais públicas e não pavimentadas.
O documento não especifica o peso, o comprimento ou a carga máxima permitida durante os testes. Dessa forma, a autorização não confirma que os veículos poderão operar nas rodovias com toda a capacidade de 250 toneladas divulgada pela fabricante.
Durante o período experimental, a Suzano será responsável pelos danos eventualmente provocados pela circulação dos veículos nas rodovias públicas. A empresa deverá adotar medidas destinadas a reduzir riscos e impactos sobre a infraestrutura.
No prazo de até 30 dias após a publicação da portaria, a companhia terá de apresentar à Senatran um estudo técnico inicial sobre a capacidade estrutural e geométrica dos trajetos.
O levantamento deverá ter a anuência dos órgãos responsáveis pelas rodovias e avaliar pontes, bueiros, curvas e demais estruturas existentes ao longo dos percursos.
Os testes poderão começar antes da entrega do estudo, desde que a empresa obtenha autorização do órgão responsável pela via.
A Suzano também deverá encaminhar relatórios técnicos trimestrais à Senatran. Os documentos terão de apresentar informações sobre telemetria, desempenho dos veículos, manutenção, acidentes, colisões, infrações e condições de trafegabilidade das estradas.
Os relatórios deverão registrar ainda as dificuldades identificadas, as vantagens da operação, as medidas corretivas adotadas e as avaliações de desempenho obtidas durante o experimento.
As composições precisarão portar, nas laterais e na traseira, a inscrição “Veículo em teste”. Somente técnicos, engenheiros da empresa ou profissionais formalmente autorizados poderão conduzir ou ocupar os veículos.
A autorização poderá ser revogada a qualquer momento em caso de descumprimento das exigências. Os testes também deverão ser interrompidos caso os estudos apontem que a circulação dos hexatrens é incompatível com a infraestrutura das rodovias.
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