Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Polícia / Investigação

Avião ligado a empresário de MS é citado em apreensão de R$ 140 milhões em ouro

Carga de 189,5 quilos foi interceptada na Bolívia; defesa de Valdir Zorzo nega relação com o minério e afirma que aeronave fazia voo fretado

27/07/2026

08:15

CGN

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Uma aeronave ligada ao empresário sul-mato-grossense Valdir Zorzo, proprietário do Grupo Dallas Alimentos, passou a integrar uma investigação sobre a tentativa de retirada irregular de 189,5 quilos de ouro da Bolívia. Avaliada em aproximadamente R$ 140 milhões, a carga foi encontrada em quatro malas no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra.

O minério foi interceptado durante uma inspeção aeroportuária realizada na madrugada de quarta-feira, 22 de julho. Conforme as autoridades bolivianas, a documentação apresentada para autorizar a exportação continha irregularidades e não possuía registro válido no órgão responsável pelo controle da comercialização de minerais. 

A investigação apura a suspeita de contrabando, comercialização ilegal de recursos minerais e enriquecimento ilícito com prejuízo ao Estado boliviano. A Justiça determinou a apreensão do ouro e sua transferência para o Banco Central da Bolívia, onde deverá permanecer sob custódia durante o andamento do processo.

Jovem é preso ao assumir responsabilidade pela carga

Um jovem de 22 anos, identificado pelas autoridades como Adrián L., apresentou-se como responsável pelo despacho das quatro malas e foi preso. A Justiça boliviana decretou sua prisão preventiva por 150 dias, enquanto os investigadores tentam identificar os responsáveis pela origem e pela operação internacional de transporte do minério. 

A suspeita é de que ele pretendia embarcar em um voo fretado com destino final a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Os investigadores também apuram a hipótese de que o jovem tenha atuado em nome de terceiros envolvidos na negociação.

De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, a aeronave teria saído de Campo Grande, realizado uma escala em Corumbá e seguido para a Bolívia. O roteiro investigado previa a passagem por São Paulo antes do envio do ouro ao exterior.

Defesa nega envolvimento de empresário e empresa

A defesa de Valdir Zorzo afirmou que o empresário e o Grupo Dallas Alimentos não possuem relação com o ouro, com os passageiros ou com os responsáveis pela contratação do voo.

Segundo a versão apresentada pelo advogado, a aeronave pertence ao empresário, mas é disponibilizada para fretamentos quando não está sendo utilizada pelo grupo. A negociação desses serviços seria realizada pelo piloto responsável pelas operações. 

A defesa declarou ainda que a empresa realizará uma apuração interna e encaminhará às autoridades as informações levantadas. Até o momento, não há acusação formal contra Valdir Zorzo ou contra o Grupo Dallas no inquérito conduzido na Bolívia.

Após as diligências no aeroporto, o avião foi liberado e retornou ao Brasil. A situação documental da aeronave para a prestação de serviço de táxi aéreo também deve ser verificada pelas autoridades competentes.

Diferença no peso do ouro entra na investigação

Outro ponto sob apuração é a divergência entre as primeiras informações sobre o peso da carga e a medição oficial. Na área do aeroporto, o ouro teria sido inicialmente estimado em 211 quilos, mas a pesagem posterior registrou 189,5 quilos, uma diferença de 21,5 quilos.

Diante da inconsistência, o juiz responsável pelo caso determinou uma nova pesagem antes do depósito do minério no Banco Central boliviano. A medida pretende preservar a cadeia de custódia e confirmar a quantidade exata apreendida. 

As autoridades também investigam falhas no procedimento adotado durante a operação. Além do jovem preso, outras pessoas teriam sido conduzidas inicialmente, entre elas funcionários da Alfândega e conhecidos do suspeito, mas acabaram liberadas para responder às apurações em liberdade.

Documento teria QR Code falso

As investigações indicam que os envolvidos apresentaram uma autorização aduaneira com um QR Code supostamente falso para tentar comprovar a legalidade do transporte. O documento atribuído ao órgão boliviano de registro e controle de minerais não teria correspondência nos sistemas oficiais.

A empresa boliviana Emporio Dorado Sociedad de Responsabilidad Limitada, registrada em La Paz, também passou a ser investigada como possível proprietária da carga. Reportagens locais apontam que a companhia teria realizado operações anteriores com a Asian Gold LCC, sediada em Dubai.

A suspeita das autoridades é de que a empresa possa ter sido utilizada como estrutura de fachada para a exportação irregular do minério. A investigação segue concentrada na identificação da procedência do ouro, dos contratantes do voo e dos responsáveis pela articulação financeira e logística da operação.

 


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