Justiça / Política
TRE-MS rejeita recurso e mantém perda do mandato de Neno Razuk
Decisão unânime impede o restabelecimento do foro privilegiado; ex-deputado é procurado após mandado de prisão expedido em investigação sobre jogo do bicho.
21/07/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) rejeitou, por unanimidade, nesta terça-feira (21), o recurso apresentado pelo ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), contra a decisão que resultou na perda de seu mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).
Com o julgamento, permanece válida a retotalização dos votos das Eleições de 2022, que retirou Neno Razuk do cargo e garantiu a posse de João César Mattogrosso (PSDB). A decisão também impede que o ex-parlamentar recupere o foro por prerrogativa de função.
O colegiado acompanhou integralmente o voto do relator, juiz Fernando Duque Estrada.
“Por unanimidade, afastaram a preliminar e, no mérito, denegaram a segurança, nos termos do voto do relator e em conformidade com o parecer”, anunciou o desembargador Sérgio Fernandes Martins durante a sessão.
O presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, não participou do julgamento por estar relacionado ao processo.
O mandado de segurança foi apresentado pelo diretório estadual do Partido Liberal e por Neno Razuk. O objetivo era suspender o reprocessamento do resultado da eleição para deputado estadual de 2022.
A retotalização ocorreu após a anulação dos 10.782 votos recebidos por Raquelle Trutis, candidata ao cargo de deputada estadual naquele pleito.
Ela e o marido, o ex-deputado federal Loester Trutis, foram condenados de forma definitiva por irregularidades relacionadas a gastos de campanha. Com a exclusão dos votos, houve mudança no cálculo eleitoral e na distribuição das cadeiras da Assembleia Legislativa.
Neno Razuk perdeu o mandato para João César Mattogrosso, que tomou posse na Alems em 26 de maio de 2026.
A defesa buscava reverter os efeitos da retotalização e, consequentemente, recuperar o mandato e o foro privilegiado do ex-deputado. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo TRE-MS.
Com a saída da Assembleia Legislativa, Neno Razuk deixou de ter foro especial e os processos relacionados a ele passaram a tramitar na primeira instância.
O ex-deputado tornou-se alvo de mandado de prisão no âmbito das investigações que apuram a exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Até o momento, ele não havia se apresentado às autoridades.
Segundo as apurações, Neno seria um dos integrantes da cúpula de uma organização criminosa responsável pela exploração de jogos de azar no Estado.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou Neno Razuk, o pai dele, o ex-deputado Roberto Razuk, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A denúncia foi protocolada em 10 de dezembro de 2025, dentro da quarta fase da Operação Successione.
De acordo com o MPMS, os denunciados fariam parte da liderança de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar. A acusação também menciona suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos utilizados para manter o controle da contravenção no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas no processo.
Além das condenações criminais, o Ministério Público pediu o pagamento de R$ 36 milhões como reparação pelos danos provocados pelas supostas atividades do grupo.
Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande recebeu a denúncia, permitindo o prosseguimento da ação penal.
Com a decisão do TRE-MS, Neno Razuk continua sem mandato parlamentar e sem foro privilegiado, enquanto permanecem em andamento os procedimentos judiciais relacionados às investigações da Operação Successione.
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