Justiça / Tecnologia
TJMS abre auditoria após sistema expor processos fictícios com Bob Esponja e Lula Molusco
Ambiente de testes do e-SAJ ficou acessível ao público com ações simuladas, referências políticas e acusações fictícias de tráfico, furto e lesão corporal.
21/07/2026
09:45
MTP
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) abriu uma auditoria interna para apurar como um ambiente de testes do sistema e-SAJ ficou disponível para consulta pública com processos fictícios envolvendo personagens de desenho animado e referências políticas. Entre os registros estava uma ação simulada de Bob Esponja Calça Quadrada contra Lula Molusco.
Também foram localizados cadastros com nomes como “Lula Petralha” e “Lula do Petralha”, associados, apenas no ambiente de treinamento, a crimes como tráfico de drogas, furto e lesão corporal. Segundo o Tribunal, nenhum dos registros possuía validade jurídica ou ligação com processos reais.
As informações estavam armazenadas na unidade de homologação do e-SAJ, utilizada para desenvolver, testar e validar funcionalidades antes que elas sejam incorporadas ao sistema oficial do Judiciário. O problema ocorreu porque a página de testes permaneceu acessível pela internet além do período previsto.
Após a repercussão, o TJMS retirou o ambiente do ar e iniciou uma investigação técnica para identificar quem inseriu os dados, quando os registros foram produzidos e por que o conteúdo permaneceu disponível para consulta externa.
A deputada estadual Gleice Jane (PT) apresentou representações ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), cobrando a identificação dos responsáveis pela inclusão das informações.
A parlamentar pediu que seja verificado se os registros foram criados por servidores, funcionários de empresas contratadas, participantes de cursos de capacitação ou por alguma pessoa que tenha acessado indevidamente a plataforma.
Em nota, o Tribunal informou que os processos faziam parte de ambientes usados em treinamentos realizados nos anos de 2006, 2015 e 2018. A Corte reforçou que a exposição não afetou o banco de dados oficial, os sistemas de produção ou a tramitação de ações judiciais verdadeiras.
Como resposta ao episódio, o presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, determinou o reforço das medidas de segurança e rastreamento das plataformas eletrônicas da Corte.
As novas regras estabelecem a manutenção de registros detalhados sobre acessos, alterações, operações realizadas, tentativas de entrada indevida e mudanças nas configurações dos sistemas. O objetivo é permitir a identificação do usuário responsável por cada ação e do momento em que ela ocorreu.
Os registros deverão permanecer armazenados por até dez anos, facilitando futuras auditorias e investigações internas.
O Tribunal também anunciou a revisão dos procedimentos usados na publicação de ambientes de testes, o fortalecimento da separação entre os sistemas de homologação e produção e a implementação de novas camadas de monitoramento e controle de acesso.
Segundo o TJMS, as providências buscam ampliar a rastreabilidade das operações e impedir que conteúdos destinados exclusivamente a treinamento voltem a ser expostos publicamente.
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