Campo Grande (MS), Quarta-feira, 22 de Julho de 2026

Meio Ambiente / Clima

El Niño deixa MS fora da área de maior risco, mas Pantanal segue em alerta para incêndios

Monitoramento nacional aponta que Mato Grosso do Sul não integra a zona crítica do fenômeno, embora o Pantanal permaneça sob atenção durante o período mais seco do ano.

21/07/2026

08:00

DA REDAÇÃO

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Mato Grosso do Sul ficou fora da área de maior risco associada aos impactos do El Niño no Brasil, conforme avaliação divulgada por um grupo técnico formado por órgãos federais de meteorologia, monitoramento ambiental e defesa civil. Apesar disso, especialistas alertam que o Pantanal continuará exigindo atenção por causa do aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e outubro, período considerado o mais crítico para o bioma.

O diagnóstico reúne informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ (Lasa/UFRJ), com participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Casa Civil, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ibama, ICMBio e Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).

Embora o Estado não apareça entre as áreas classificadas como de maior vulnerabilidade, dois pontos em território sul-mato-grossense permanecem sob monitoramento: o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, localizado na divisa com Mato Grosso, e o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, entre os municípios de Bonito, Bodoquena e Jardim.

O levantamento não inclui toda a planície pantaneira como área crítica, deixando fora municípios como Corumbá, Miranda, Aquidauana, Rio Verde de Mato Grosso, Sonora e Coxim, que historicamente convivem com períodos de estiagem e queimadas.

Período mais crítico

Segundo os técnicos, os meses de agosto, setembro e outubro concentram a maior preocupação em relação aos efeitos do El Niño. A previsão indica redução das chuvas em parte do Pantanal e temperaturas acima da média em grande parte do país, condições que favorecem a propagação do fogo.

Enquanto a Região Sul deverá registrar volumes de chuva acima da média, áreas do Norte e parte do Pantanal podem enfrentar precipitações abaixo do esperado, cenário que tende a aumentar o risco de incêndios florestais.

Apesar disso, a nota técnica destaca que as regiões com maior probabilidade de ocorrência de grandes incêndios estão concentradas nos estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, sem incluir Mato Grosso do Sul na zona de alerta máximo.

Recursos e ações preventivas

O Governo Federal ainda não detalhou o volume de recursos que será destinado às ações de prevenção e mitigação dos impactos previstos para este semestre.

Enquanto isso, a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente, em 18 de junho, um conjunto de propostas para ampliar o apoio aos municípios, incluindo facilitação do acesso ao Fundo Clima, que dispõe de aproximadamente R$ 27 bilhões, administrados pelo BNDES.

O monitoramento das condições climáticas vem sendo realizado desde janeiro e serve de base para orientar políticas públicas e ações coordenadas entre órgãos federais, estados e municípios.

ANA reforça monitoramento

A Agência Nacional de Águas (ANA) também iniciou a divulgação de boletins específicos sobre os possíveis impactos do El Niño 2026/2027.

De acordo com a agência, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) já trabalha em conjunto com os órgãos federais de monitoramento para fortalecer a capacidade de resposta dos estados e municípios diante de eventuais eventos extremos provocados pelo fenômeno climático.

Situação atual no Pantanal

Mesmo com a aproximação do período mais seco, os registros de queimadas ainda permanecem baixos no Pantanal.

Dados do Sistema Pantanal em Alerta apontaram que, no último domingo, foram identificados apenas seis focos de calor, todos localizados em Corumbá, próximos à fronteira com a Bolívia, na região do Forte Coimbra.

Especialistas, no entanto, alertam que a combinação entre estiagem, baixa umidade e temperaturas elevadas exige monitoramento contínuo nos próximos meses para evitar a repetição dos grandes incêndios registrados em 2020 e 2024.

 


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