Transporte / Mobilidade
HP Mobilidade só assume transporte coletivo com plano de melhorias em Campo Grande
Prefeitura condiciona transferência do Consórcio Guaicurus à renovação da frota, qualidade do serviço e capacidade financeira da compradora.
21/07/2026
16:00
DA REDAÇÃO
Sede da HP Mobilidade Ltda., em Goiânia (GO)
A HP Mobilidade só poderá assumir o controle do transporte coletivo de Campo Grande se apresentar um plano concreto de investimentos e melhorias no serviço. A venda das empresas que integram o Consórcio Guaicurus não transfere automaticamente a concessão para o grupo goiano e ainda depende da autorização da Prefeitura.
A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou nesta terça-feira (21) que o município poderá rejeitar a operação caso a proposta não inclua mudanças consideradas suficientes para os passageiros. Entre as exigências estão a renovação da frota, a aquisição de ônibus com ar-condicionado e a melhoria da qualidade do atendimento.
“A proposta de compra e venda da empresa tem que ter o aceite do Poder Público municipal”, declarou.
Caso a autorização seja negada, as empresas envolvidas terão de resolver entre si a eventual anulação do negócio.
“Se não houver essa proposta, o município não dá o aceite. Então, entre os privados, fica a decisão de desfazer o negócio”, afirmou Adriane.
Segundo a prefeita, a administração municipal não foi consultada durante as tratativas comerciais. O Executivo recebeu apenas nesta terça-feira o documento que comunicou oficialmente a venda.
“Nós não fomos consultados sobre a comercialização da empresa. Eu fiquei sabendo hoje, oficialmente, por meio do documento enviado à Prefeitura”, disse.
Adriane ressaltou que não pretende autorizar apenas uma mudança no controle societário das empresas, sem resultados perceptíveis para os usuários.
“Eu, como prefeita, não darei o aceite se não houver uma proposta de mudança do transporte da Capital. Queremos ônibus novos, ar-condicionado, qualidade no serviço prestado. Queremos a mudança. Se não houver mudança, não terá o aceite do Poder Público municipal”, declarou.
A intervenção municipal no transporte coletivo será mantida enquanto a Prefeitura analisa os documentos e aguarda a apresentação formal da proposta da HP Mobilidade.
A medida foi estabelecida por até 180 dias e colocou uma equipe indicada pelo município no controle administrativo, operacional e financeiro do sistema.
Caso a empresa apresente rapidamente um projeto viável, a intervenção poderá ser encerrada antes do prazo máximo.
“Se essa empresa, em um curto espaço de tempo, nos apresentar uma proposta real, factível, de mudança, a gente pode antecipar o término da intervenção. Mas tudo agora tem que ser avaliado diante desse novo cenário”, explicou Adriane.
Ainda não foi definido um prazo para a entrega do cronograma de investimentos. A Prefeitura deverá avaliar a situação financeira da compradora, a capacidade operacional e as garantias de cumprimento das medidas prometidas.
A equipe interventora continuará realizando auditorias nas quatro empresas que formam o Consórcio Guaicurus.
De acordo com a prefeita, os relatórios produzidos nos primeiros 35 dias identificaram problemas de gestão interna e administrativa que contribuíram para a perda de qualidade do serviço.
A negociação com a HP Mobilidade também deverá ser incorporada ao processo de intervenção, juntamente com os documentos técnicos e financeiros apresentados pelas empresas.
A eventual entrada da HP não criará uma nova concessão nem reiniciará o prazo contratual. O contrato atual foi assinado em 2012 e tem validade prevista até 2032.
A nova controladora deverá assumir as obrigações previstas no contrato, além dos passivos administrativos, financeiros e operacionais relacionados às empresas adquiridas.
O anúncio da venda não provoca mudanças imediatas nas tarifas, linhas, horários ou na operação dos ônibus.
Fundada em 1969 e sediada em Goiânia, a HP Mobilidade atua no transporte coletivo da Região Metropolitana da capital goiana, sistema que também atende outros 18 municípios.
A rede possui cinco concessionárias, entre elas a própria HP. O grupo também informa manter operações em Goiânia e Brasília, com aproximadamente 4,5 mil funcionários em empresas ligadas ao transporte coletivo, gestão e locação de frotas.
Durante a coletiva, Adriane apresentou a companhia como a maior empresa do setor de mobilidade e transporte público do Centro-Oeste. Em seu material institucional, a HP se define como a segunda maior concessionária da Região Metropolitana de Goiânia.
O valor da negociação, a futura composição societária e o volume de investimentos previstos para Campo Grande ainda não foram divulgados.
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