Economia / Condomínios
Protestos de dívidas condominiais disparam 1.494% em Mato Grosso do Sul
Cobranças levadas a cartório passaram de 254 para 4.050 em um ano e somaram R$ 4,5 milhões em débitos protestados
17/06/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
As dívidas de condomínio levadas aos Cartórios de Protesto de Mato Grosso do Sul tiveram crescimento recorde em 2025 e mostram uma mudança clara na forma de cobrança de moradores inadimplentes. Em apenas um ano, o número de cobranças saltou de 254 registros, em 2024, para 4.050, em 2025, alta de 1.494%.
O avanço também aparece no valor total das pendências. As dívidas condominiais protestadas passaram de R$ 1,3 milhão para R$ 4,5 milhões no mesmo período, crescimento de 247%. Os dados indicam que síndicos e administradoras estão recorrendo com mais frequência ao cartório como alternativa mais rápida para tentar recuperar boletos em atraso.
Na prática, o protesto funciona como um instrumento extrajudicial de cobrança. Em vez de depender apenas de uma ação judicial, o condomínio pode encaminhar ao cartório os boletos vencidos e a documentação que comprova a dívida. Com isso, o débito passa a constar formalmente em nome do proprietário do imóvel, que é o responsável legal pelo pagamento da taxa condominial, mesmo quando a unidade está alugada.
Apesar do forte aumento no volume de cobranças, parte dos débitos teve desfecho positivo. Em 2025, cerca de 26% das dívidas foram solucionadas por pagamento, acordo ou cancelamento. Ao todo, 1.046 cobranças foram resolvidas, com recuperação de aproximadamente R$ 883 mil.
O índice de recuperação por meio do protesto é superior ao observado em processos judiciais, onde a recuperação gira em torno de 3%. Ainda assim, a maior parcela das dívidas permanece sem quitação. Segundo os dados, 73,6% dos casos seguem em aberto, mantendo os devedores sujeitos às consequências do protesto.
Entre os efeitos práticos, o morador inadimplente pode ter o nome negativado e enfrentar dificuldades para obter crédito, contratar financiamento ou fazer compras parceladas. Para os condomínios, a inadimplência afeta diretamente o caixa e pode comprometer serviços como limpeza, segurança, manutenção, portaria e pagamento de fornecedores.
O cenário continuou pressionado nos primeiros meses de 2026. Nesse período, já foram registradas 921 dívidas condominiais levadas a protesto em Mato Grosso do Sul, somando R$ 695 mil. Desse total, 658 cobranças já se transformaram efetivamente em protesto.
O crescimento reforça a tendência de uso dos cartórios como ferramenta de cobrança por condomínios. Para síndicos e administradoras, o mecanismo pode acelerar a recuperação de valores. Para os moradores, o alerta é direto: atrasar a taxa condominial pode gerar restrição de crédito e aumentar o custo da dívida.
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