Política / Trabalho
Nelsinho Trad defende discussão imediata sobre escala 6x1 no Congresso
Senador propõe compensações a pequenos empregadores e diz que redução da jornada deve ser debatida com equilíbrio técnico
09/06/2026
10:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu que o Congresso Nacional enfrente de forma imediata o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga um. Para ele, a discussão não deve ser adiada nem contaminada pela polarização política.
Único médico do trabalho entre os 81 senadores, Nelsinho afirma ser favorável a medidas que ampliem o tempo de descanso, autocuidado e convivência familiar dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, defende que qualquer mudança seja acompanhada de mecanismos de compensação para micro e pequenos empregadores, que podem sentir maior impacto financeiro com a alteração.
“Eu sou favorável ao trabalhador. Entre os 81 senadores, sou o único médico do trabalho. Sei o que é um exame admissional, periódico e demissional. Sei o que é insalubridade. Estudei e trabalhei com isso durante toda a minha vida profissional”, afirmou o senador, em entrevista a Rodrigo Nascimento, na Rádio FM Cidade.
Segundo Nelsinho, o mundo do trabalho passou por transformações profundas nas últimas décadas, com aumento da pressão, do desgaste físico e dos impactos emocionais sobre os profissionais. Por isso, ele considera legítima a discussão sobre novos modelos de jornada.
O senador, porém, pondera que a mudança precisa levar em conta a realidade de quem emprega, especialmente pequenos negócios, comércios, prestadores de serviço e empreendedores que dependem de escalas presenciais para manter a atividade funcionando.
“Não podemos resolver um problema criando outro. Se o governo entende que essa é uma política pública importante, também precisa criar mecanismos para apoiar quem gera empregos. Uma alternativa seria reduzir parte da carga tributária daqueles que comprovadamente terão impacto com a mudança”, defendeu.
Para Nelsinho, o tema já chegou ao Parlamento e deve ser tratado com responsabilidade. Ele afirmou que o debate precisa envolver trabalhadores, empregadores, especialistas, setor produtivo e governo, para que eventual mudança seja construída com segurança jurídica e equilíbrio econômico.
“Essa pauta chegou ao Parlamento e precisa ser discutida. Não podemos empurrar uma discussão tão importante por causa do calendário eleitoral ou de outros eventos. O Parlamento existe justamente para ouvir opiniões divergentes, promover o debate e construir soluções”, declarou.
Além da pauta trabalhista, o senador comentou os desafios do Brasil no cenário internacional, especialmente em temas ligados ao comércio exterior, às terras raras e à regulamentação das big techs. Para ele, o país deve priorizar o diálogo diplomático e buscar ampliação de mercados.
“O Brasil precisa conversar com todos os parceiros internacionais. Divergências existem, mas é na mesa de negociação que se constroem soluções. O diálogo sempre será o melhor caminho”, afirmou.
Nelsinho também defendeu a ampliação das relações comerciais com a União Europeia e com os países da EFTA, bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Na avaliação do parlamentar, acordos internacionais podem fortalecer a presença de produtos brasileiros no mercado externo.
A Representação Brasileira no Parlasul vota nesta terça-feira (9) o relatório de Nelsinho Trad sobre o acordo Mercosul-EFTA. Segundo o senador, a medida pode abrir novos mercados para o Brasil e gerar oportunidades para Mato Grosso do Sul, especialmente em áreas ligadas ao Vale da Celulose, à tecnologia, à inovação e à saúde.
Questionado sobre o cenário político em Mato Grosso do Sul e a pré-candidatura de seu irmão, Fábio Trad, ao Governo do Estado por outro campo político, Nelsinho afirmou que divergências partidárias não devem romper relações familiares.
“Uma palavra continuará guiando minhas decisões: coerência. Sempre atuei no mesmo campo político e não pretendo mudar de posição por conveniência eleitoral. Ao mesmo tempo, política não pode destruir relações familiares. Podemos pensar diferente, votar diferente e seguir caminhos diferentes sem transformar isso em rompimento ou inimizade”, afirmou.
Para o senador, o respeito às diferenças deve ser preservado tanto na política quanto na convivência familiar. Ele destacou que o diálogo e a capacidade de conviver com posições distintas são valores que precisam ser estimulados na sociedade.
“Aprendi dentro de casa que a união da família é algo que deve ser mantido. É esse exemplo que devemos transmitir à sociedade: respeito, diálogo e capacidade de conviver com as divergências”, completou.
A fala de Nelsinho ocorre em meio ao avanço das discussões nacionais sobre mudanças nas relações de trabalho e ao início das articulações políticas para 2026, temas que devem ganhar espaço no Congresso e nos palanques nos próximos meses.
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